Custa-me a acreditar que há gente que leva estes "estudos" mesmo a sério...
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Um estudo apresentado esta semana numa conferência em Barcelona por uma
equipa de investigadores da Escola Politécnica de Lausana (Suíça) e da
Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) sugere que o YouTube
é um veículo de radicalização política no espectro da "extrema-direita". A
conclusão é sustentada pela análise de mais de 330 mil vídeos
publicados em 349 canais e pelo tratamento matemático de mais de 72
milhões de comentários.»
Reparem, caros leitores: ainda só vamos no primeiro parágrafo da "notícia" e já deu para perceber que o tal "estudo" só se debruçou sobre a "radicalização" para a "extrema-direita". Não há qualquer menção à extrema-esquerda. Isto diz-nos logo tudo o que precisamos de saber acerca das intenções dos autores do "estudo".
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Os investigadores "demonstraram" que os utilizadores da plataforma caracterizados como da direita moderada migram progressiva e consistentemente para a "extrema-direita", num processo alimentado pelo sistema de recomendações do YouTube
.»
Já agora, dos cinco autores do "estudo", quatro são brasileiros. Aposto que não votaram no Bolsonaro! E também aposto que são todos muito isentos em matéria de política...
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Esta tendência foi sustentada por cientistas da Universidade de Harvard (EUA) que estudaram a influência do YouTube
na eleição de Jair Bolsonaro como Presidente do Brasil em 2018. Nesse estudo seguiram milhares de recomendações do YouTube
no Brasil e demonstraram que a quantidade de vídeos de "extrema-direita", pró-Bolsonaro e de teorias da conspiração era desproporcional em comparação com os conteúdos ideologicamente colocados à esquerda.»
Temos aqui uma variação do argumentum ad populum, só que em vez de pessoas temos vídeos: os autores querem convencer-nos de que os eleitores aderem à "extrema-direita" por haver muitos mais vídeos de "extrema-direita" na internet, e não porque os conteúdos de "extrema-direita" são mais convincentes do os conteúdos de direitinha.
O YouTube segundo o esquerdalho.
A forma como o parágrafo foi redigido implica ainda que a extrema-esquerda nunca recorre a teorias da conspiração, o que é absolutamente ridículo. Basta olhar as incontáveis mentiras publicadas sobre o Presidente Trump ou o alarmismo catastrofista em torno do Brexit...
«Isso foi justificado pela existência de mais canais ligados à "extrema-direita" — com conteúdos xenófobos, homofóbicos e racistas —, mas
também pelas características do algoritmo do YouTube, que amplificava
esse discurso. A plataforma, que no Brasil rivaliza com as maiores
estações de televisão em número de espectadores, acabou por ser
determinante na eleição de Bolsonaro.»
Portanto, segundo estes charlatães encartados, as pessoas tornam-se "xenófobas, homofóbicas e racistas" por verem uns vídeozinhos na internet, e não porque a "xenofobia", a "homofobia" e o "racismo" (notem bem as aspas) façam todo o sentido nas circunstâncias em que o Ocidente se encontra actualmente...
«O The New York Times explorou o fenómeno
e recolheu "provas" de que foi o sistema de recomendações do YouTube que
levou muitos brasileiros a descobrir a "extrema-direita", nomeadamente
através da exposição a youtubers famosos que se radicalizaram e
que, num “efeito-dominó”, acabaram por galvanizar, com particular
eficácia, as camadas mais jovens e as menos instruídas da população.»
Vejam bem o quão inacreditavelmente cretino é este parágrafo: as pessoas não sabiam o que era a "extrema-direita", mas quando descobriram, passaram a preferi-la. Por isso a culpa é do YouTube que não soube esconder a coisa devidamente! Mas que grandes paladinos da liberdade de expressão me saíram, estes "cientistas"!
«Estas ocorrências dão força à teoria — nunca assumida pelo YouTube — de que a plataforma explora deliberadamente os sentimentos de indignação, raiva e medo para manter os utilizadores “agarrados”. Esta estratégia de amplificação emotiva acaba por ser utilizada, em muitos casos, como ferramenta de desinformação e trampolim para teorias da conspiração — fenómenos sociais e políticos como o “Brexit”, a eleição de Trump e o recrutamento de radicais do Daesh Estado Islâmico ["Daesh" é a tua tia, pá!] estão já bem documentados.»
Estão bem documentados, o tanas! É ridículo continuar a afirmar que o Trump só ganhou por causa das redes socias, quando grande parte do seu eleitorado nem sequer as usa!
O que se passa aqui é que, pela primeira em mais de 500 anos de História da imprensa, as elites perderam a exclusividade do controlo sobre o fluxo de informação. Elas já não conseguem enganar as pessoas como antes, porque agora as pessoas têm acesso ao contraditório e podem comprovar que muitas das notícias divulgadas pelos mé(r)dia são falsas, ou distorcidas ou pejadas de omissões graves. E, por conseguinte, as elites querem urgentemente que essa perda de controlo seja revertida. Mas não vão ter sorte. "A mente humana, uma vez expandida, não mais retorna ao seu estado anterior". Não adianta censurarem o YouTube, nós iremos sempre para outro lado, procuraremos sempre uma alternativa. O tempo em que a vossa narrativa reinava indisputada acabou. Metam isso nos vossos cornos, seus grandessíssimos filhos da puta antiocidentais: ACABOU!!!
Actualização: pouco depois de eu ter publicado esta posta, o American Renaissance publicou este artigo a denunciar a censura do YouTube.
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Provas do quão ridículo é este "estudo":
O YouTube apagou mais um dos meus vídeos
A conta de YouTube do Orlando Braga foi apagada pela Google...
Administração do YouTube vangloria-se de apagar mais de 100 mil vídeos, 17 mil canais e 500 milhões de comentários!