Foram ontem finalmente divulgados os resultados da Eleições Legislativas de 2019 no estrangeiro. A surpresa, pelo menos para mim, foi bastante grande: aqui em Portugal, o PNR perdeu cerca de 43,7% dos votos que tinha obtido nas Legislativas de 2015; mas, no estrangeiro, o PNR cesceu 1350%!
Os resultados obtidos pelo PNR no estrangeiro parecem-me interessantíssimos. O PNR ficou à frente do Aliança do Santa (f)Lopes, do Chega! do André (des)Ventura, do Livre da preta gaga e até do PCTP-MRPP da escumalha comunista revolucionária:
Como tinha dito acima, em Portugal, o PNR perdeu cerca de 43,7% dos votos que tinha obtido em
2015, passando de 27 41 para 15 270 votos. Mas no estrangeiro aconteceu o
oposto! Em 2015, o PNR tinha obtido apenas 128 votos no estrangeiro. Em
2019, obteve 1856 votos! Uma subida de 1350%!!!
Ora, isto vem ao encontro daquilo que eu penso há já muitos anos: o problema do crescimento anémico do Nacionalismo em Portugal não reside apenas no PNR, mas também na mundivisão e na forma de estar da sociedade portuguesa,
que parece ter especificidades culturais próprias e que não compreende a
urgência do combate nacionalista face aos graves efeitos do
multiculturalismo e do multirracialismo no resto da Europa.
Parece-me por isso pertintente entrevistar os
ex-votantes do PNR e os votantes do Chega! para percebermos exactamente o
que distingue o eleitor português em Portugal do eleitor português no
estrangeiro. Não podemos fugir mais desta realidade: o que tem
funcionado na Europa para fazer crescer os partidos nacionalistas não
está a funcionar aqui no rectângulo. E é preciso urgentemente perceber
porquê, sob pena de continuarmos a falhar.
Observe-se também que mais de metade dos votos que o PNR obteve no estrangeiro este ano vieram
do Brasil (970 votos). O que significa que a estratégia adoptada pelo
PNR para seduzir os luso-brasileiros não era assim tão estúpida:

Resultados das Eleições Legislativas de 2019 no Brasil (SGMAI)
Não se pense, porém, que o resultado do PNR nos consulados se fica a dever única e exclusivamente ao Brasil. Apesar de o PNR ter obtido, em termos absolutos, menos votos na
Europa, o crescimento relativo do PNR no Velho Continente é maior do que
aquele teve no Brasil!
Repare-se: em 2015, o PNR tinha
obtido apenas 45 votos na Europa. Este ano, o PNR obteve 810 votos na
Europa. É um crescimento de 1700%! No Brasil, o PNR tinha obtido apenas
71 votos em 2015, mas este ano teve 970, um crescimento de
aproximadamente 1266%.

Se o PNR tivesse crescido tanto em
Portugal como na Europa (1700%), teria sido a quarta força política mais
votada, com uns assombrosos 461 397 votos! Só o BE, o PSD e o PS teriam
tido mais votos!
Ou seja, o nosso problema, o problema do
crescimento nacionalista reside mesmo na sociedade portuguesa. Desde os
grandes burros que se abstêm até àqueles que se deixaram seduzir pelo
(des)Ventura por motivos superficiais (aparência de moderação, falta de
eloquência dos dirigentes do PNR, prevalência da corrente minho-timorista no partido, etc), o que está a falhar na nossa
estratégia é sobretudo a nossa incapacidade de transmitir a urgência do
Nacionalismo ao povo que vive em Portugal.
E é isso, acima de tudo, que temos de corrigir no futuro. Temos de perceber o que é que o povo quer e ir ao seu encontro. Ou será que vocês querem ser como os autistas do PCTP-MRPP e continuar a sonhar com uma revolução que nunca acontecerá?