Um muito obrigado! ao Stonefield por nos ter trazido aqui esta notícia bem ilustrativa da crescente tendência orwellianista dos (des)governos da Europa:
«O Gabinete Nacional de Combate aos Crimes de Ódio, sob tutela do Ministério do Interior (MI), acaba de se reunir com dirigentes do Twitter em Espanha, fechando um acordo para se tornar um denunciador fiável ou um comunicador fiável. Nos próximos dias, o MI iniciará contactos com a Google e o Facebook para o mesmo fim.
Para aqueles que eventualmente desconfiem da qualidade da minha tradução da expressão "denunciador fiável", a expressão original era "trusted flagger".
«Isto significará que, quando o Gabinete Nacional de Combate aos Crimes de Ódio contactar o Twitter sobre um possível caso de "crime de ódio" num tuíte, a rede social toma essa exigência como prioritária sobre os outros usuários, processando-a o mais depressa possível.
Caberá portanto à rede social a decisão final sobre retirar o comentário ou tuíte caso considere tratar-se de um crime de ódio, ou que o seu conteúdo viole as políticas de utilização.»
Ou seja, na prática, o (des)governo espanhol e o Tuíter acordaram que, a partir de agora, o (des)governo espanhol tem liberdade para censurar quem escreva algo que desagrade ao (des)governo espanhol. Censura a pedido, um novo marco histórico desta Europa "civilizada"!
«“Não estamos a falar apenas de crimes de ódio. Também podemos alertar o Twitter sobre logotipos ou hashtags que violam as regras de uso da plataforma. O acordo é interessante porque a denúncia de uma organização com o estatuto de denunciador fiável tem precedência sobre um utilizador comum. Tem preferência. Em breve vamos reunir com a Google e o Facebook para conseguir o mesmo”, explica Carlos Morán, chefe de serviço do Gabinete Nacional de Combate aos Crimes de Ódio.»
"O acordo é interessante porque permite que a nossa censura tenha prioridade sobre tudo o resto! Viva!!!!" E atenção, caros leitores, vocês não pensem que isto é apenas uma questão de censurar tuítes, postas e vídeos:
«É algo que já constava no Plano de Acção para Combater os Crimes de Ódio apresentado no início deste ano, (...) a intenção de “promover o Gabinete Nacional de Combate aos Crimes de Ódio a denunciador fiável, ainda antes que os provedores de serviços de Internet procedam à remoção de conteúdo que constitua discurso de ódio, de forma coordenada com as forças de segurança do Estado, para evitar interferir [mais tarde] nas investigações judiciais em curso.″»
Dito de uma forma mais clara: o objectivo do MI espanhol é dispor dos dados disponibilizados pelas redes sociais ainda antes de o Estado levar os "criminosos de ódio" a julgamento. Ou seja, o Estado espanhol conseguiu que, na prática, o Tuíter passe a censurar e a identificar os utilizadores das redes sociais cujo comportamento o Estado reprova!
«A União Europeia (UE) tem levado a cabo estudos sobre o comportamento dos utilizadores da Internet associado a esses "crimes". O Gabinete Nacional de Combate aos Crimes de Ódio participará da próxima análise, que será realizada no final do ano. Nestes tipos de eventos, a Comissão estabelece seis semanas nas quais os estados membros reportam notificações a plataformas como Facebook, YouTube ou Twitter, entre outras redes sociais.
"Eu bem vos avisei, mas vocês continuam a votar no esquerdalho à mesma..."
«Em seguida, analisa-se o que foi feito para eliminar os comentários denunciados como "crimes de ódio", a fim de estabelecer rotinas que melhorem a velocidade de análise e a retirada desse tipo de conteúdo.»
Notem bem o estado a que chegámos aqui na Europa, caros leitores: na maioria dos estados-membros, a imigração ilegal já não é um crime, mas criticar a imigração ilegal é! Como se os europeus não tivessem o direito de se pronunciar sobre quem vem para a sua terra!!!
Ora, o actual (des)governo espanhol é xuxalista, tal como o actual (des)governo "tuga"... não deverá por isso demorar muito até termos iniciativas do género aqui no rectângulo. Agora reparem, caros leitores: em todo o Ocidente, o único país onde os cidadãos ainda estão livres deste flagelo são os Estados Unidos da América. Porquê? Porque têm a Primeira Emenda, que lhes garante que o "discurso de ódio" não pode ser usado para estabelecer restrições à Liberdade de Expressão.
Um dos maiores problemas que eu vejo na UE é precisamente este: ninguém em toda a Europa parece estar interessado em querer criar uma versão da Primeira Emenda para o Velho Continente, nem mesmo os partidos nacionalistas. E isso diz-nos tudo o que precisamos de saber sobre a verdadeira natureza da classe pulhítica europeia, da UE e do futuro que nos espera se não conseguirmos inverter esta situação. Se eles nem sequer nos deixam expressar livremente, como podemos esperar vir a resolver o que quer que seja?...










