A Helena Matos é uma das poucas escribas que ainda se aproveitam no cada vez mais abominável Observador da direitinha. Uma das razões para que assim seja é que ela tem uma capacidade notável de, em apenas alguns parágrafos, pôr em evidência a hipocrisia escandalosa dos donos disto tudo:
1.
O terrorista anti-islâmico que como o nome indica ataca mesquitas e
muçulmanos. Na Nova Zelândia tivemos um caso claro deste tipo de
terrorismo. Vimos o rosto e soubemos o nome deste terrorista. Não houve
dúvidas sobre as suas intenções.
2. O terrorista.
Apresentado unicamente como terrorista opera geralmente em África e na
Ásia. Tem os cristãos como alvos. Mas nunca é apresentado como
anti-cristão ou anti o quer que seja. É terrorista apenas ou
preferencialmente “membro de grupo armado”. Não tem nome nem rosto. As
suas vítimas são igualmente desprovidas de qualquer elemento que as
identifique.
3. O terrorista sem motivação. Trata-se de
um endemismo europeu: alguém que age como terrorista, faz atentados,
fere e mata. Mas uma vez detido as autoridades têm dificuldade em
detectar-lhe motivações terroristas mesmo que o terrorista dito sem
motivações confesse, grite e reivindique o seu ódio aos cristãos e ao
Ocidente. Numa evolução recente o terrorista sem motivação
transformou-se no perturbado [ou como nós dizemos aqui no TU, "maluquinho"] que pratica actos que parecem terrorismo
mas não são terrorismo. Ou só são admitidos como tal quando o atentado
já desapareceu das notícias. Por exemplo, no atentado que teve lugar
esta semana em Utrech o terrorista até fez questão de redigir uma carta
a dar conta das suas motivações mas mesmo assim ainda não está claro
que ele estivesse mesmo motivado.
O tipo da esquerda é um "terrorista anti-islâmico". O tipo da direita é apenas um "maluquinho".
4. O terrorista
invisível autor de atentados não referidos. Em Itália um homem
sequestrou esta semana um autocarro, com 51 crianças lá dentro.
Amarrou-as e, em seguida, incendiou o autocarro. Anunciou-lhes que iam
morrer porque ele queria protestar desse modo contra as mortes de
imigrantes no Mediterrâneo. Após uma perseguição policial as crianças
foram retiradas do autocarro em chamas e o homem em questão, um cidadão
nascido no Senegal, foi detido e as crianças libertas. Graças ao efeito
terrorista-invisível este atentado pouco foi noticiado. O terrorista
invisível, autor de atentados ainda mais invisíveis é a versão mais
moderna do terrorista sem motivação.
Actualização: o Ilo Stabet trouxe-nos aqui este link com o caso referido pela Helena no ponto 4. Muito obrigado, caro Ilo!