O Chico Louçã, aquele trotskista tão coerente que até aceitou um cargo na administração da CGD no Conselho Consultivo do Banco de Portugal (porque o capitalismo, aparentemente, só é mau quando não se anda a facturar pessoalmente), pediu aos seus camaradas do Bloco de Esterco que não respondessem ao "ódio" nas redes sociais. Faz sentido: quando se milita num partido que é constantemente levado ao colo pela comunicação sucial, as redes sociais só servem para atrapalhar...
«O fundador do Bloco de Esquerda Francisco Louçã pediu ao partido que responda com "boa moeda" e não "na mesma moeda" numa crítica à forma como diz que a Direita utiliza as redes sociais. "A resposta não é na mesma moeda, porque não é. Do que se trata é de colocar boa moeda nos mesmos instrumentos e não um mecanismo de criação de ódio ou de fechamento”, afirmou, pedindo a opção por “conteúdos de qualidade”. Foi desta forma que o fundador do Bloco de Esquerda Francisco Louçã pediu este sábado ao partido que responda aos “mecanismos de contaminação” da realidade que diz serem adoptados pela Direita nas redes sociais.»
Tradução: "A Direita recorre às redes sociais para dizer a verdade e desmontar a nossa narrativa, o que é odioso. Não devemos responder da mesma forma, desde logo porque não precisamos, temos os mé(r)dia todos do nosso lado".
«Falando no Porto, numa sessão do Fórum Socialismo 2019 (‘rentrée‘ política bloquista) sobre o tema “Eles andam por aí nas redes sociais: A nova Direita”, o também conselheiro de Estado assinalou o crescente recurso da direita e da extrema-direita às redes sociais para distorcer a realidade.
"Ai, as redes sociais!!! Ai, que elas andam a dar-nos cabo do arranjinho!"
«São, disse, “mecanismos de contaminação” que “criam um senso comum explorando preconceitos, fomentando o ódio”.»
Reparem que o Chico trotskista recorre apenas a expressões e chavões vazios, não providenciando nenhum exemplo concreto de como a "contaminação", os "preconceitos" e o "ódio" são usados para "distorcer a realidade"...
«O co-fundador do Bloco de Esquerda citou o caso da actual coordenadora do partido, Catarina Martins, como uma das visadas na “estrutura de criação de crenças” nas redes sociais, quando lhe foi atribuída a compra de um relógio de dois milhões de euros, num ‘post’ que suscitou mesmo a defesa do julgamento da dirigente partidária no tribunal de Nuremberga.Mas, ironizou, “os mecanismos deste tipo de campanhas de sujas, sobretudo em campanha eleitoral, não passam só por entusiasmar a gente que está à espera da morte desses trastes no cadafalso de Nuremberga”.»
Eis aqui uma falácia muito recorrente por parte dos paspalhos de Esquerda da estirpe do Louçã: pega-se na excepção e faz-se dela a regra, como se tudo o que fosse publicado pela Direita nas redes sociais fosse mentira. Além de que o Bloco de Esterco é culpado exactamente do mesmo. Basta ver que, há apenas uns dias atrás, os meios de propaganda desse partido asqueroso publicaram várias fake news acerca dos incêndios na Amazónia.
«Durante a sua comunicação, Francisco Louçã considerou que “um dos aspectos mais preocupantes que vivemos nos últimos anos é a forma particular de relação entre os antigos meios de comunicação social, que ainda são muito poderosos, e estes mecanismos de contaminação identificação emocional criados nas redes sociais”.»
Esta então é o cúmulo da hipocrisia! Se há veículo "informativo" que explora até ao tutano as emoções mais primárias das pessoas, esse veículo é precisamente a televisão, em paricular os noticiários dos grandes canais de televisão! Abrem sempre de uma forma exageradamente sensacionalista e dramática, exacerbam a vertente emocional das notícias até ao limite! As redes sociais não podem, de forma alguma, competir com os velhinhos a chorar compulsivamente em directo porque perderam tudo nos incêndios de Pedrógão Grande, ou com o desespero de uma família cigana que foi expulsa do prédio em que morava por não pagar a renda há 30 anos, ou com a revolta "legítima" daqueles "jovens" injustiçados que foram barbaramente agredidos pela polícia (apesar de nunca haver provas das agressões, nem nunca ser mencionado o contexto em que as mesmas ocorreram)...
«Isto porque, como assinalou, a velocidade de transmissão das mensagens nas redes sociais funciona “como factor de enorme pressão sobre jornalistas, para os fazer publicar notícias em corrida contra essas redes sociais, sem o contexto da informação e a reflexão que uma notícia exige, ou até para serem enganados” por elas.»
Ou seja, para o Chico Louçã, a culpa de os "jornalistas" publicarem cada vez mais lixo e cometerem cada vez mais gaffes é das pessoas que lhes desmontam as tretas nas redes sociais! Coitadinhos, pá! Há apenas 20 anos, uma pessoa podia escrever tudo o que bem lhe aprouvesse num jornal... mas agora há uns tipos cheios de "ódio" nas redes sociais que publicam o contraditório, estragando assim o esquema aos aldrabões! Que chatice, pá!!!
«“É como se determinada coisa que acontece nas redes sociais tivesse de ser tomada como um sintoma significativo do que a sociedade está a pensar”, comentou.»
Bem, as redes sociais até poderão não ser o melhor barómetro da opinião social, mas uma coisa é certa: tu, Chico Louçã, tu e todos os elitistas despudorados como tu ainda são menos fiáveis. O teu problema é o mesmo de todos os tiranos ou, no teu caso, aspirante a tiranete: convives mal com o pluralismo, o contraditório e a liberdade de expressão.
Mas vai ter mesmo que se habituar, senhor conselheiro de Estado... nós viemos para ficar!
































