Um muito obrigado! à Raquel por nos ter trazido aqui esta notícia especialmente "colorida" (porque os vírus as bactérias são de muitas cores), "diversa" (porque os vírus e as bactérias têm diferentes tamanhos e formas) e "vibrante" (porque os vírus e as bactérias, tal como os imigrantes, têm o condão de "enriquecer" os seus hospedeiros):
"Vai um beijinho?... Vá lá, não sejas mariquinhas!"
Uau! Mais casos novos de DST do que o número habitantes do Brasil! Mais casos novos de DST do que o número de habitantes dos seis países com mais população da UE! Isto sim, é progresso e modernidade!
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Quatro doenças sexualmente transmissíveis – clamídia, gonorreia ou pior, sífilis – causam mais de um milhão de casos de infecções todos os dias em pessoas entre os 15 e os 49 anos, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado esta quinta-feira. Uma em cada 25 pessoas tem pelo menos uma destas quatro doenças, relata ainda a OMS.
«Os números representam casos e não indivíduos, explica a médica, uma
vez que as pessoas podem ser infectadas com várias DST ou voltarem a ser
infectadas no espaço de um ano com uma ou mais doenças.»
Então deviam dizer que há, em média, um caso de DST por cada 25 pessoas e não que "uma em cada 25 pessoas tem pelo menos uma destas doenças"! A linguagem científica tem de ser precisa, senhoras e senhores da OMS!
«Estas DST têm um impacto profundo na saúde de adultos e crianças em todo o mundo. Se não forem tratadas, podem levar a problemas crónicos de saúde graves que incluem doenças neurológicas e cardiovasculares, infertilidade, problemas na gravidez e no parto e aumento do risco de contracção de SIDA”, informa a OMS.
A OMS salienta ainda que nos últimos sete anos não houve diminuição do número de casos de infecções de DST.»
Agora vamos fazer um pequeno mas esclarecedor exercício matemático. A notícia diz que "uma em cada 25 pessoas tem pelo menos uma destas doenças" o que, como vimos acima, não é verdade... mas vamos admitir, para efeitos deste exercício, que é mesmo verdade. Os meninos e as meninas que gostam muito de trocar de parceira(o) sexual constantemente são capazes de olhar para este dado e dizer: "oh, 1 em 25 não é nada... só há uma probabilidade de 4% de a pessoa estar infectada! A probabilidade de não estar infectada é 96%! Esta notícia é alarmista, pá!"
Pois, só que a coisa não funciona assim. Usar a estatística de 1 em 25 para estimar a probabilidade de ser infectado(a) só funciona para quem tem um único parceiro(a) sexual ao longo da vida! Porque quando se tem vários parceiros sexuais ao longo dos anos, a probabilidade de se vir a ser infectado(a) aumenta rapidamente. Por exemplo, alguém que tenha dois parceiros sexuais já só tem uma probabilidade de 92,2% de nunca ser infectado (24/25 x 24/25). Alguém que tenha cinco parceiros sexuais, já só tem uma probabilidade de 81,5% de nunca ser infectado (24/25)5. Alguém que tenha 10 parceiros sexuais, já só tem uma probabilidade de 66,5% de nunca ser infectado (24/25)10. E alguém que tenha 20 parceiros sexuais, já só tem uma probabilidade de 44,2% de nunca ser infectado (24/25)20! Ou seja, há um número de parceiros ou parceiras a partir do qual é mais provável ser infectado do que não ser infectado.
Já sei que a isto os "modernaços" contraporão: "ah, mas isso é só para as pessoas que não tomam precauções, nunca usam preservativo e escolhem parceiros rascas, com estilos de vida perigosos, para além de que a concentração das DST depende da área geográfica e do estrato social a que as pessoas pertencem, dããã!"
Pura ilusão. Como diz o nosso povo, no melhor pano cai a nódoa. Muitos dos caros leitores não imaginarão, por exemplo, a quantidade de "homens de família" que recorrem sistematicamente aos "serviços" de prostitutas. Ou quantas "viagens de negócios" não implicam uma "degustação" da "gastronomia" local. Eu conheci estudantes, políticos, empreiteiros, empresários e até professores universitários que traíam sistematicamente as suas mulheres, às vezes com outras mulheres, outras vezes com prostitutas. Eu cheguei a perder um grupo de amigos por não alinhar num "serão recreativo", chamemos-lhe assim.
«Melanie Taylor aponta que estas infecções estão também associadas a
vergonha e podem ainda levar a violência doméstica. Estas infecções são
“uma epidemia escondida, uma epidemia silenciosa, uma epidemia perigosa,
que persiste a nível mundial”, explica a médica.
As DST são
transmitidas durante um acto sexual desprotegido. Algumas – clamídia,
gonorreia e sífilis – podem ser também transmitidas durante a gravidez
ou durante o parto. A sífilis pode também ser transmitida através do
consumo de drogas via injecção ou contacto com sangue.»
Cuidado! O herpes genital pode ser transmitido mesmo usando preservativo. Nem todas as DST se tramitem pela via da permuta de fluídos, nalguns casos basta o contacto abrasivo com a pele infectada.
«Todas as infecções abordadas no estudo têm tratamento
através de “medicação disponível a nível mundial” mas a OMS enfatiza
que a sua transmissão pode ser “prevenida através de práticas sexuais
seguras, correto uso de preservativo e educação sexual e de saúde”.
Tretas! A única forma de manter as DST afastadas é não ser promíscuo(a), escolher criteriosamente as pessoas com quem se tem sexo e, sobretudo, minimizar o número de parceiros(as) sexuais que se tem ao longo da vida.
«A mesma fonte apela ainda a que pessoas sexualmente activas e grávidas façam testes regulares para prevenção de infecções.
Na
maioria dos casos da clamídia – entre 70 a 80% – os sintomas de infecção
não são manifestados. A clamídia é geralmente detectada uma a três
semanas após a exposição à bactéria causadora da doença. Nas mulheres,
os sintomas mais comuns são o sangramento espontâneo durante a relação
sexual, dor ao urinar e durante a relação sexual. Nos homens, os
sintomas de infecção desta DST são ardor ao urinar, corrimento na uretra
com presença de pus e dor nos testículos.»
Soa divertido, não soa?...
«No caso da gonorreia, os
sintomas podem também passar despercebidos numa fase inicial. Nos
homens, a gonorreia manifesta-se através de ardor ao urinar, secreção de
pus pela uretra e dor/inchaço num dos testículos. Nas mulheres, os
sintomas desta infecção são o aumento do corrimento vaginal, dor e ardor
ao urinar, sangramento fora do ciclo menstrual, dores abdominais e
pélvicas.
A gonorreia pode ainda manifestar-se noutras partes do
corpo. Pode dar-se secreção ou sangramento no ânus, dor nos olhos,
infecções na garganta e ainda inchaço nas articulações.»
Como vos tinha prometido: colorido, diverso e vibrante! Ainda me lembro a primeira vez que entrei num dermatologista, quando ainda era miúdo. E vi, para minha grande surpresa, aquilo que parecia ser uma cadeira de ginecologista. "Mas que diabo está aquilo a fazer aqui?", pensei. "Terei entrado no consultório errado?"... Só mais tarde percebi a realidade das DST e as suas graves implicações.
Mas as pessoas que pregam a castidade e a fidelidade sexual é que são umas atrasadas, hãã! Moderno e vanguardista é ter múltiplos parceiros, ser polimoroso(a), participar regularmente em orgias e em festas sexuais... e depois pagar a factura em despesas médicas, ou pior do que isso. Além de que o casamento é uma instituição antiquada, patriarcal e misógina, pá! E a fidelidade é ainda pior do que isso, a fidelidade é pura submissão! Os seres genuinamente livres encornam os seus parceiros! Não é trair, é amar com liberdade!!!