«A Coreia do Norte é ou não uma democracia? “É uma opinião”, responde Jerónimo de Sousa, recusando assim admitir se o regime de Kim Jong-un é ou não um regime democrático. Numa entrevista ao Polígrafo, que será publicada na íntegra esta segunda-feira, e questionado sobre o facto de a Coreia do Norte não ser uma democracia, o secretário-geral do PCP recusou-se a “fazer essa classificação”.
Perante a insistência na mesma pergunta, Jerónimo questionou: “O que é a democracia? Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia”. O líder comunista recusa-se assim a classificar o comunismo da Coreia do Norte e o seu posicionamento de forma clara relativamente ao regime de Pyongyang.
Quanto ao socialismo em Portugal, Jerónimo explicou as diferenças entre os dois países. “O que eu acho é que, primeiro, há o princípio que eles afirmam, em segundo lugar, nós, em relação ao nosso projecto de sociedade, seria com certeza bem diferente do modelo da Coreia do Norte, tendo em conta a nossa cultura, tendo em conta a nossa história, tendo em conta o nosso povo. Estas opiniões críticas não invalidam que nos coloquemos do lado de uma solução política, de uma solução pacífica…”, declarou.
Jerónimo sublinhou também “as diferenças e divergências” de opinião em relação “a esse e outros países que se afirmam de construção do socialismo”. O líder comunista explicou ainda que “o PCP defende uma democracia avançada tendo em conta os valores de abril, sem perder a perspetiva da construção do socialismo”.
Já em 2003 Bernardino Soares — então líder parlamentar do PCP e actual presidente da câmara de Loures — viu-se envolvido numa polémica por causa de declarações proferidas sobre o regime norte-coreano. “Tenho dúvidas de que a Coreia do Norte não seja uma democracia”, dizia então Bernardino Soares, em entrevista ao Diário de Notícias, tendo depois pedido que a entrevista não fosse publicada, o que não foi aceite pelo jornal.
Essas declarações foram alvo de contestação no seio do partido, com o deputado Lino de Carvalho a confirmar categoricamente no dia seguinte em declarações à TSF. “Pessoalmente não tenho dúvidas de que a Coreia do Norte é uma democracia”.
Sobre a resposta que Bernardino Soares deu em 2003 sobre a Coreia do Norte, Jerónimo de Sousa questionou o jornalista: “Não estava a fazer a pergunta a ver se eu caía nessa, não?”
Em 2014, o PCP votou no Parlamento contra um voto de condenação de crimes do regime comunista da Coreia do Norte, e que tinha como base um relatório da ONU contestado pelos comunistas, que acusava o regime norte-coreano de “cometer violações sistemáticas, duradouras e graves” dos direitos humanos.
Nesta entrevista ao Polígrafo, o secretário-geral do PCP também não assumiu que o presidente de facto da Venezuela, Nicolás Maduro, seja um ditador, e comentou ainda o processo que o funcionário da organização do PCP Miguel Casanova, filho do histórico militante José Casanova, colocou ao partido por despedimento ilegal.»
Já notei que há uma certa simpatia pelo PCP por parte de alguns nacionalistas. Esta posta foi só para lembrar a essas pessoas aquilo que este partido é realmente. Por muito que os papagaios vermelhos repitam a velha desculpa esfarrapada do "aquilo não era o verdadeiro comunismo, pá!", as intenções dos dirigentes comunistas são claras: o objectivo é, como sempre foi, implementar uma "democracia" à sua maneira.
E deixem-me ser claro: não são só os comunas, todos aqueles que defendem mais Estado querem o mesmo. Eu já não tenho a menor dúvida acerca disso! Porque o Estado não existe, só existem as pessoas que o constituem. É evidente que tem de haver o mínimo de Estado, quanto mais não seja porque é preciso haver um contrapoder às grandes coporações. Mas demasiado Estado acaba sempre em tirania. É tão certo como o sol nascer amanhã!
E deixem-me ser claro: não são só os comunas, todos aqueles que defendem mais Estado querem o mesmo. Eu já não tenho a menor dúvida acerca disso! Porque o Estado não existe, só existem as pessoas que o constituem. É evidente que tem de haver o mínimo de Estado, quanto mais não seja porque é preciso haver um contrapoder às grandes coporações. Mas demasiado Estado acaba sempre em tirania. É tão certo como o sol nascer amanhã!
