Escrita e composta pelo grande Alberto Janes (1909-1971), cantada pela imortal Amália Rodrigues (1920-1999). Dedico esta ao FdT e a todos os que, como ele, padecem do mesmo mal que me aflige: amam demasiado a nossa civilização e a nossa raça, quando elas já não se amam a si próprias.
«Não sei, não sabe ninguém,
porque canto Fado neste tom magoado
de dor e de pranto.
E neste tormento, todo sofrimento,
eu sinto que a alma cá dentro se acalma
nos versos que canto.
Foi Deus que deu luz aos olhos,
perfumou as rosas, deu ouro ao sol e prata ao luar.
Foi Deus que me pôs no peito
um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar!
E pôs as estrelas no céu,
e fez o espaço sem fim,
deu o luto às andorinhas, ai...
...e deu-me esta voz a mim!
Se canto, não sei o que canto,
um misto de ventura, saudade, ternura e talvez de amor!
Mas sei que cantando
sinto o mesmo quando se tem um desgosto
e o pranto no rosto nos deixa melhor.
Foi Deus que deu voz ao vento,
luz ao firmamento
e deu o azul às ondas do mar.
Foi Deus que me pôs no peito
um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar!
Fez o poeta o rouxinol,
pôs no campo o alecrim
deu as flores à primavera, ai...
...e deu-me esta voz a mim!»