quinta-feira, 19 de março de 2020

Uma excelente notícia, mas...


   O número de casos de SARS-Cov-2 registados hoje em Portugal (785) ficou bastante abaixo daquilo que a curva exponencial permitia prever (926). Isto é um bom sinal: como a exponencial é, durante os primeiros estádios da infecção, a curva teórica dos casos de contágio sem medidas de contenção, cada valor que ocorrer abaixo da exponencial significa que as medidas de contenção estão a surtir efeito e que o pico da epidemia está a ser adiado (e também minimizado). Esta imagem criada pelo Centre for Disase Control and Prevention (CDC) explica o processo:




A curva de cor roxa mostra o processo de contágio sem medidas de contenção. Como ninguém se previne nem resguarda, o processo de contágio é muito mais rápido e dramático, com um número de casos em simultâneo muito mais elevado. Já a segunda curva mostra o processo de contágio com medidas de contenção (lavar as mãos amiúde, evitar contacto social, etc). Neste segundo caso, o processo de contágio é mais lento, mais prolongado, e há menos casos de infecção em simultâneo, podendo assim evitar-se uma eventual saturação do sistema de saúde.

Mas não haja ilusões: um ponto isolado não quer dizer nada. Ainda é muito cedo para sabermos qual das curvas está a ocorrer em Portugal. Este pesadelo ainda está para durar...

2 comentários:

  1. Afonso,

    Já vi os seus posts sobre estatísticas sobre a doença, mas ainda não fez um post com a reflexão sobre tudo o que se está a passar.

    O que acha de mais uma doença vinda da China, da não prevenção da chegada da doença, das medidas que têem sido tomadas, da iminente destruição do tecido comercial, empresarial e industrial, do estado de emergência, das decisões do governo e do PR, do cancelamento de todos eventos, da quarentena domiciliária de toda a gente, do diferente approach dos britânicos para o caso (que entretanto deu uma volta de 360 graus e tornou se igual ao resto do mundo), das teorias da conspiração, etc,
    Quando tiver tempo e paciência gostava muito de ouvir a sua reflexão sobre tudo isso e sobre algo mais que tenha para acrescentar.

    Eu cada dia que passa torno-me mais pessismo com a situação. Creio que o approach britânico era o mais realista para a situação e não iria trazer as perdas económicas, industriais a curto/médio prazo e até mesmo humanitárias a longo prazo. Eu quando tiver tempo aprofundo a minha teoria.

    G, o cigano

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    1. Tenho de ser sincero, caro G, a verdade é que ainda não pensei seriamente nisso tudo. Achei a mais recente posta da Cristina Miranda no Blasfémias muito interessante, mas considero que ainda não há dados suficientes para eu formar uma opinião.

      Uma coisa posso confessar-lhe: o número actual de mortos em Itália parece-me verdadeiramente chocante. Há quase tantos mortos quanto recuperados, algo que eu considero verdadeiramente assustador. Mas é preciso esperar e ver como é que isto acaba...

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