domingo, 6 de outubro de 2019

Momento Musical (10): Hino dos Querubins (Tchaikovsky)


     Depois de vos ter trazido uma peça para violino solo no último "Momento Musical", hoje regressamos aos corais, desta feita com uma peça composta em 1878 pelo russo Piotr Ilitch Tchaikovski (1840-1893). Mas não se deixem enganar pelo "russo", esta obra é inteiramente ocidental, tanto no texto, como na música.

Trata-se do "Hino dos Querubins" ou Cherubikon (do grego χερουβικόν), cujo texto foi extraído directamente da Divina Liturgia de São João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla no século V, e que é a mais celebrada Liturgia no rito bizantino. 

Não vou dizer mais nada. O resto é para ouvir... e sentir.


6 comentários:

  1. O Sir Roger Scruton tem umas palestras muito boas sobre a beleza da arte antiga vs moderna. Que tudo foi ficando mais feio com o passar dos séculos, desde a arquitetura, à linguagem, aos nossos modos de agir, à música. Que Bach, embora triste é sempre belo, e a música moderna é só ruim. Vale a pena ver, ele é conservador e bastante eloquente: https://www.youtube.com/watch?v=bHw4MMEnmpc
    E bom Domingo de voto!

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    1. Antes de mais, é um prazer voltar a lê-la, cara Raquel! Espero que esteja tudo bem consigo.

      Sim, eu conheço o Roger Scruton, cheguei mesmo a publicar alguns vídeos dele aqui no TU que agora estão entre as centenas de postas mais antigas que ficaram escondidas. Aliás, julgo até ter publicado esse vídeo ou talvez uma versão abreviada... de facto, a beleza da cultura e da arte criada por cada civilização pode ser usada como um indicador fiável do seu grau de desenvolvimento e capacidade tecnológica. E, nesse sentido, a perversão da arte e da procura pela beleza é, inevitavelmente, a perversão da própria civilização. Estou até plenamente convencido que os nossos inimigos percebem isso, uma vez que são eles quem mais promove a destruição da beleza.

      Não posso concordar, no entanto, que Bach seja triste... pelo contrário, acho que ele é de longe o menos triste de todos os compositores, porque a negritude de algumas das suas composições existe apenas como antecâmara para as composições mais alegres, para nos guiar rumo a Deus e à Luz da redenção eterna. Ele próprio escrevia, no final das suas partituras, Soli Deo Gloria. O maestro John Eliot Gardiner diz muitas vezes que Bach tem o dom de nos consolar nas horas mais negras, de uma forma que nem mesmo Mozart e Beethoven conseguiram alcançar... eu, que tive uma pequena depressão aos 21 anos, concordo plenamente. Estou até convencido que a música do Kantor de Lípsia me salvou a vida. E até faz sentido que a música dele seja assim: um homem que ficou órfão aos 8 anos em que teve de enterrar 10 dos seus filhos e a primeira das suas duas esposas teve muito provavelmente de sublimar a sua dor na música.

      Seja, como for, muito obrigado por ter partilhado esse vídeo. Acho que a Raquel nunca me trouxe aqui ao TU um único link que não fosse interessante!


      Um bom domingo para si também! Se ainda não o fez, não se esqueça de ir votar! ;)

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    2. Também não acho triste, talvez melancólica seja a palavra certa. Dá-nos a consciência da dureza da vida e alento em simultâneo. Bach é dos meus favoritos, música clássica no geral.
      Tenho um primo bastante inteligente, bom rapaz e apreciador de música clássica; um dia veio ao Algarve apresentar-nos a noiva, bla bla bla era fã dos Anjos. Não consegui entender como se davam. Eventualmente divorciaram-se. Acho mesmo que era um deal breaker, deve ser um inferno passar um fim-de-semana em casa a ouvir Anitta, p.e.. Deve ser a origem de muitos psicopatas.
      Divagações.
      Votei de manhãzinha. E ainda consegui arrastar a família - que não iam votar ('porque não muda nada'. Os do PS votam sempre, certinho direitinho).

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    3. «Não consegui entender como se davam. Eventualmente divorciaram-se.»

      Eheheh… eu não gosto da música do Rui Veloso, mas ele tem razão quando diz que «não se ama alguém que não ouve a mesma canção». De facto, a minha experiência de vida diz-me que a música de que gostamos é um reflexo da nossa forma de estar e sentir. É verdade que há pessoas que são muito abertas e ouvem praticamente todos os tipos de música, mas um dos sinais de alarme que eu aprendi a respeitar ao conhecer uma pessoa nova é a forma como essa pessoa reage aos meus gostos musicais e eu reajo aos gostos musicais dessa pessoa. Eu jamais seria capaz de estar com uma mulher que gostasse de rap ou de hip-hop, por exemplo. Felizmente também não conheço nenhuma! :P


      «Acho mesmo que era um deal breaker, deve ser um inferno passar um fim-de-semana em casa a ouvir Anitta, p.e.. Deve ser a origem de muitos psicopatas.»

      Ahahahah e para além da tortura sonora ainda há aquelas perguntas que inevitavelmente nos vêm à cabeça: “como pode alguém ouvir isto constantemente?” “Como pode alguém gostar desta parolada???”


      «Divagações»

      São sempre a melhor da parte! ;)


      « Votei de manhãzinha. E ainda consegui arrastar a família - que não iam votar ('porque não muda nada'. Os do PS votam sempre, certinho direitinho).»

      Linda menina! Excelente trabalho!!! Se toda a gente fizesse o mesmo, tenho a certeza que veríamos uma mudança significativa no panorama político nacional. Infelizmente, há muitos portugueses que acham que cruzar os braços e enterrar o rabo no sofá é a melhor forma de lutar pelo seu futuro. É realmente muito estranho, este nosso povo português… em muitos aspectos, dá a impressão que os nossos compatriotas nunca atingiram a idade adulta.

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  2. Não se preocupe Afonso, eu ouvi isso e é muito interessante. Mal posso esperar ser capaz de apreciar isso totalmente. Tchaikovsky foi um dos melhores melodistas de sempre, tantas músicas dele que ficam bem na cabeça e se tornaram populares. E parece que então também se safava bem em música sacra. Concordo plenamente com a Raquel, tudo ficou mais feio. Eu antes ouvia muita música dos anos 80 e ainda acho que é tão mais rica, original e memorável do que a música popular de hoje!

    E ontem é claro, cumpri o meu dever e votei novamente no PNR.

    Ass.Rui

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    1. Muito obrigado, caro Rui! Infelizmente, o nosso esforço parece ter sido em vão.

      Dou-lha toda a razão em relação à música dos anos 80, era muito melhor do que aquela que se faz hoje.

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