Mas depois a direitinha betola -e os próprios xuxalistas- ficam muito admirados por haver cada vez mais gente a votar na extrema-esquerda!...
«A 3 de Agosto de 2014, a resolução do Banco Espírito Santo (BES) fazia nascer o Novo Banco. Dividiam-se banco bom para um lado e activos tóxicos para o outro, sendo a opção da nacionalização afastada para proteger o sistema financeiro, os depositantes e o financiamento da economia.»
Não é por acaso que o povo diz que "de boas intenções está o Inferno cheio"...
«Ao longo dos últimos cinco anos, percebeu-se que a divisão não foi assim tão simples e o legado é pesado. “É importante mostrar às pessoas que os resultados do Novo Banco estão mascarados por uma resolução falhada“, afirmava o ministro das Finanças, Mário Centeno, numa audição no Parlamento, em Março, apontando a Carlos Costa. “Resolução deixou um banco mau dentro do Novo Banco“.»
Tradução: "A culpa não foi minha, pá, foi do outro gajo que esteve aqui antes de mim!"
Este resultado representa um agravamento de 88,5% dos prejuízos do banco (agravamento de 2018 para 2019).
«A factura do Novo Banco — repartida entre Estado (na grande maioria), contribuições dos outros bancos e accionista maioritário Lone Star - já vai em 7 850 mil milhões de euros. E começou a fazer-se sentir logo em Agosto de 2014. O Fundo de Resolução (FdR) foi chamado a suportar custos: eram precisos 4,9 milhões de euros, mas o organismo liderado por Luís Máximo dos Santos (que tinha então apenas dois anos e cujas receitas vêm de contribuições da banca) tinha apenas 365 milhões de euros em caixa. Pediu um empréstimo de 3 900 milhões ao Estado e outro de 700 milhões aos bancos.»
Nada como começar uma recuperação económica pedindo dinheiro a Estado e aos outros bancos! Imaginem isto aplicado às pessoas: "caro gerente de conta, fui despedido, tive de vender o meu carro para pagar umas dívidas, cortaram-me a luz e a água em casa, devo dinheiro em várias lojas... não me empresta uns milhares de euritos para eu refazer a minha vida?" Soa ridículo, não soa? Mas é mesmo assim aqui em Portugal, o que seria ridículo para as pessoas tornou-se a realidade para os bancos!
«A partir daí, o objectivo era claro. Era preciso encontrar comprador para a renascida instituição financeira. Em 2015, uma tentativa falhada custou 9,7 milhões de euros em consultoria jurídica e financeira ao Fundo de Resolução. Só dois anos depois, é que o negócio ficou fechado: o Lone Star comprava 75% do Novo Banco (os restantes 25% ficaram no FdR), numa transacção que aumentou a conta em mais mil milhões de euros.
A totalidade do valor serviu para injectar no banco, sendo que ficou ainda acordada uma rede de segurança para eventuais custos futuros. Para que a venda se concretizasse, o Governo teve de aceitar criar um mecanismo de capital contingente, ou seja, um mecanismo suportado pelo Fundo de Resolução, que entra em acção se os rácios de capital do banco caírem abaixo de um determinado valor.»
Eu também gostava de ter um fundo que "entrasse em acção" sempre que as minhas despesas excedessem as minhas expectativas.
«O primeiro-ministro António Costa garantia, ao lado de Centeno, que não existiria “impacto directo ou indirecto nas contas públicas, nem novos encargos para os contribuintes” enquanto apresentava o negócio e explicava que activação do mecanismo previa duas condições cumulativas.»
E a parte mais engraçada é que houve muita gente que acreditou nele! 😂
«Por um lado, que os activos considerados tóxicos do Novo Banco sofressem uma desvalorização face ao valor de referência e, por outro, que os rácios de capital baixassem do nível acordado. No máximo, o fundo (com garantias públicas) podia transferir 3,89 mil milhões de euros e, apesar das garantias do Governo, foi chamado a intervir logo no ano seguinte.
Ao longo de todo o período em que se limitava a ser um banco de transição (antes da venda), o Novo Banco nunca tinha tido lucros — foram prejuízos de 500 milhões entre Agosto e Dezembro de 2014, de 981 milhões em 2015 e de 780 milhões de euros em 2016 — e assim continuou.»
Reparem, teve sempre prejuízos, num período em que as economias nacional e mundial cresceram sempre! É obra!!!
«Após perdas de 2 298 milhões em 2017 (ano da venda e da criação do mecanismo), o Estado financiou uma injecção do Fundo de Resolução de 791,6 milhões. No ano passado, prejuízos de 1 412 milhões levaram a nova injecção de 1 149 milhões. O FdR já esgotou mais de 1 941 mil milhões de euros, ficando apenas dois mil milhões disponíveis.
O Governo prevê diminuir as transferências para 600 milhões de euros em 2020 e 400 milhões no ano seguinte, segundo as estimativas inscritas no Programa de Estabilidade. Entre 2022 e 2026, a margem total emagrece para mil milhões de euros, mas a expectativa é que seja suficiente.»
A Comissão de Acompanhamento do Novo Banco estima que seja necessário um total de 3 000 milhões. “Penso que vamos ficar aquém [do limite]. O quanto aquém é difícil quantificar“, confirmava Máximo dos Santos. No entanto, as contas ainda estão longe do equilíbrio. Fruto do esforço de “limpeza”, o banco liderado por António Ramalho apresentou mais 400 milhões de euros de prejuízos na primeira metade deste ano.
Apesar de o ano ainda ir a meio, o Novo Banco já está a alertar que vai precisar de mais dinheiro no fecho das contas de 2019. Tendo em conta mais estes milhões de prejuízos, já prevê pedir 540 milhões de euros ao FdR, valor que pode variar em função do que acontecer nos próximos meses.
Esta estratégia tem exigido todas estas injecções pelo FdR (que tem mais de duas décadas para cobrar taxas aos bancos e devolver o empréstimo público). Ainda assim, o ministro das Finanças tem mantido a posição: a nacionalização seria ainda pior.
“Todos os custos que vemos passar à nossa frente passavam a ser financiados pelos portugueses. Mas tinha mais consequências: Portugal entrava em 2017 no procedimento por défices excessivos e iria endividar-se mais“, acrescentou Centeno, na mesma audição no Parlamento.»
Agora vamos fazer umas continhas rápidas, caros leitores. O Estado português gastou 3,9 mil milhões de euros logo em 2014. A propósito, esse valor é dado como perdido pelo próprio Estado. Ou seja, vai ser preciso ir buscar dinheiro a outro lado para, até 2046, devolver esse dinheiro ao Tesouro e aos outros credores, com juros. Mas assumindo que os valores desta notícia estão correctos, temos 3,9 G€ em 2014, mais 9,7 M€ e 2015, mais 791,6 M€ em 2017, mais 1 149 M€ em 2018... o que perfaz a fantástica quantia de 5 855,2 milhões de euros atirados pelo Estado português ao buraco sem fundo do Novo Banco! Sendo que a este valor ainda deverá ser preciso adicionar os tais 541 milhões que o Novo Banco pediu esta semana ao Fundo de Resolução e que dificilmente lhe serão recusados!
A propósito, quem desconfiar das minhas contas pode confirmá-las neste outro artigo do Expresso.
Mas alegre-se, car@ leitor@... apesar de estar a ser roubad@ à força toda, pelo menos você não votou nos "fascistas" do PNR! 25 de Abril, sempre! Fascismo, nunca mais!!!

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