Morreu hoje um dos meus violoncelistas favoritos, o holandês Anner Bylsma (1934-2019). Se ele tivesse sido um cantor pop ou "músico" de rap/hip-hop, teria muito provavelmente tido direito a uma homenagem nas primeiras páginas dos jornais europeus. Mas como era "apenas" um músico da melhor tradição erudita europeia, praticamente não é mencionado pelos mé(r)dia. Outro sintoma do nosso declínio moral, espiritual e cultural...
Anner Bylsma (17 de Fevereiro 1934 - 26 de Julho de 2019)
Para aqueles que, como aqui o vosso blogueiro, o admiravam, o Sr. Bylsma fica para a história como um dos poucos músicos ocidentais que, numa altura em que os conservatórios de música europeus se viravam para a promoção do jazz e da "música clássica" irritantemente dissonante da segunda metade séc. XX, ousaram ir em sentido contrário, apostando na divulgação da música europeia do período barroco. Bylsma foi um dos primeiros a introduzir o conceito de «interpretação historicamente esclarecida», no qual as peças musicais são tocadas de acordo com aquilo que se julga ter sido a prática durante a época em que foram compostas, e não de acordo com os caprichos da moda ou do intérprete.
A música que se segue é um exemplo de uma dessas interpretações historicamente esclarecidas. Para vocês terem ideia do quão grande o Sr. Byslma era, vou deixar aqui, em jeito de homenagem, um prelúdio que o colosso J. S. Bach (1685-1750) escreveu originalmente para violino solo, mas que Byslma conseguia tocar num violoncelo piccolo! A peça foi escrita em 1720 (sim, há quase 300 anos!) e foi escrita para apenas um violino sozinho, sem qualquer acompanhamento... mas, não obstante, soa mil vezes melhor do que 99,9% da porcaria de "música" que passa hoje em dias nas estações de rádio...
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Ver também:
A Portuguesa (Hino de Portugal): versão com uma gaita-de-foles galega
Momento Musical (8): «Erbarme dich, mein Gott!» (Tem piedade, meu Deus!)
Momento Musical (7): «Foi Deus»
Momento Musical (6): «A cidade d'Arcádia»

Afonso, não se preocupe que eu não ignorei este Momento Musical. Essa música parece-me boa (e realmente um desafio para tocar) mas acabou por não surtir muito efeito em mim, lamento se essa era a sua intenção. Parece que há umas alturas em que eu sinto mais emoções do que outras, mas pelo menos tenho a certeza que estou a melhorar. Em relação ao que escreveu antes, digo que o Nessun Dorma não foi totalmente ineficaz, eu ainda senti uns arrepios! É bizarro sentir os pelos a eriçar, mas não sentir grande coisa na mente. Ainda assim gostei da sensação, há quanto tempo que eu já não experienciava estas coisas!
ResponderEliminarOutra coisa que aconteceu e espero que não seja irrelevante para si: há uns dias fui pesquisar os vídeos de um youtuber que aprecio bastante chamado Derovolk que criou imensos vídeos de hinos nacionais e canções patrióticas de praticamente todas as nações do Mundo. Gosto de ouvir essas músicas, os seus sentimentos épicos e inspiradores e as diferentes línguas. Mas quando eu cliquei para meu horror descobri que o canal dele foi censurado do YouTube por discurso de ódio! E eu suspeitei imediatamente o porquê. Ele também tinha criado vídeos de hinos e canções da Alemanha Nazi e regimes fascistas. Epá, mas isso são só músicas! Certamente que não houve um único vídeo ou comentário seu onde ele defendeu o Nazismo e o Fascismo. Ele também tinha músicas de nações pretas, muslas e de Israel. F*da-se que isto é ridículo! Parece que há aí gente que anda mesmo paranoica, the goyim know shut it down…
Ass.Rui
«Essa música parece-me boa (e realmente um desafio para tocar) mas acabou por não surtir muito efeito em mim, lamento se essa era a sua intenção.»
EliminarBem, eu coloquei esta peça musical aqui sobretudo para homenagear o Bylsma, mas agradeço que me vá informando das suas reacções!
«(...)o Nessun Dorma não foi totalmente ineficaz, eu ainda senti uns arrepios! É bizarro sentir os pelos a eriçar, mas não sentir grande coisa na mente. Ainda assim gostei da sensação, há quanto tempo que eu já não experienciava estas coisas! »
Fico contente! A ideia aqui é irmos provocando reacções que sejam incrementalmente mais poderosas. Não acredito que o caro Rui vá sentir uma coisa muito forte de repente, logo de um dia para o outro, pelo que devemos ficar contentes com os poucos sentimentos que forem aparecendo.
«há uns dias fui pesquisar os vídeos de um youtuber que aprecio bastante chamado Derovolk que criou imensos vídeos de hinos nacionais e canções patrióticas de praticamente todas as nações do Mundo. Gosto de ouvir essas músicas, os seus sentimentos épicos e inspiradores e as diferentes línguas.»
Sim, eu também gosto muito de ouvir hinos nacionais, regra geral. Mas também aqui a versão que se ouve é muito importante. A nossa portuguesa, por exemplo, tem versões simplesmente fabulosas e outras versões absolutamente horríveis. Fico contente que o caro Rui tenha descoberto esse canal e que se tenha sentido inspirado por elas!
«Ele também tinha criado vídeos de hinos e canções da Alemanha Nazi e regimes fascistas. Epá, mas isso são só músicas!»
Não os olhos dos anormais que gerem o YouTube. Tudo o que tenha a ver com a Alemanha Nazi e seja susceptível de provocar reacções positivas deve ser pura e simplesmente suprimido. Mas o Ocidente nunca foi tão livre, hããã!
« Parece que há aí gente que anda mesmo paranoica, the goyim know shut it down…»
Não é apenas paranóia, eles são os mestres desse jogo. Eles sabem perfeitamente que uma coisa leva à outra, quando uma pessoa vê algo sobre o nazismo que seja positivo, ela sente curiosidade e começa a pesquisar mais sobre o assunto. E eles querem evitar isso mesmo, que o pessoal comece a interessar-se e a fazer pesquisas.