domingo, 9 de junho de 2019

Mundo vibrante: todos os dias há mais de 1 milhão de novos casos de doenças sexualmente transmissíveis 😨


     Um muito obrigado! à Raquel por nos ter trazido aqui esta notícia especialmente "colorida" (porque os vírus as bactérias são de muitas cores), "diversa" (porque os vírus e as bactérias têm diferentes tamanhos e formas) e "vibrante" (porque os vírus e as bactérias, tal como os imigrantes, têm o condão de "enriquecer" os seus hospedeiros):

«Todos os dias há mais de 1 milhão de novos casos de doenças sexualmente transmissíveis. Uma em cada 25 pessoas tem clamídia, gonorreia, tricomoníase ou sífilis. São registados anualmente 376 milhões de casos destas Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).»

"Vai um beijinho?... Vá lá, não sejas mariquinhas!"


Uau! Mais casos novos de DST do que o número habitantes do Brasil! Mais casos novos de DST do que o número de habitantes dos seis países com mais população da UE! Isto sim, é progresso e modernidade!

«Quatro doenças sexualmente transmissíveis – clamídia, gonorreia ou pior, sífilis – causam mais de um milhão de casos de infecções todos os dias em pessoas entre os 15 e os 49 anos, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado esta quinta-feira. Uma em cada 25 pessoas tem pelo menos uma destas quatro doenças, relata ainda a OMS.
«Os números representam casos e não indivíduos, explica a médica, uma vez que as pessoas podem ser infectadas com várias DST ou voltarem a ser infectadas no espaço de um ano com uma ou mais doenças.»

Então deviam dizer que há, em média, um caso de DST por cada 25 pessoas e não que "uma em cada 25 pessoas tem pelo menos uma destas doenças"! A linguagem científica tem de ser precisa, senhoras e senhores da OMS!

«Estas DST têm um impacto profundo na saúde de adultos e crianças em todo o mundo. Se não forem tratadas, podem levar a problemas crónicos de saúde graves que incluem doenças neurológicas e cardiovasculares, infertilidade, problemas na gravidez e no parto e aumento do risco de contracção de SIDA”, informa a OMS.
A OMS salienta ainda que nos últimos sete anos não houve diminuição do número de casos de infecções de DST.»

Agora vamos fazer um pequeno mas esclarecedor exercício matemático. A notícia diz que "uma em cada 25 pessoas tem pelo menos uma destas doenças" o que, como vimos acima, não é verdade... mas vamos admitir, para efeitos deste exercício, que é mesmo verdade. Os meninos e as meninas que gostam muito de trocar de parceira(o) sexual constantemente são capazes de olhar para este dado e dizer: "oh, 1 em 25 não é nada... só há uma probabilidade de 4% de a pessoa estar infectada! A probabilidade de não estar infectada é 96%! Esta notícia é alarmista, pá!"

Pois, só que a coisa não funciona assim. Usar a estatística de 1 em 25 para estimar a probabilidade de ser infectado(a) só funciona para quem tem um único parceiro(a) sexual ao longo da vida! Porque quando se tem vários parceiros sexuais ao longo dos anos, a probabilidade de se vir a ser infectado(a) aumenta rapidamente. Por exemplo, alguém que tenha dois parceiros sexuais já só tem uma probabilidade de 92,2% de nunca ser infectado (24/25 x 24/25). Alguém que tenha cinco parceiros sexuais, já só tem uma probabilidade de 81,5% de nunca ser infectado (24/25)5. Alguém que tenha 10 parceiros sexuais, já só tem uma probabilidade de 66,5% de nunca ser infectado (24/25)10. E alguém que tenha 20 parceiros sexuais, já só tem uma probabilidade de 44,2% de nunca ser infectado (24/25)20! Ou seja, há um número de parceiros ou parceiras a partir do qual é mais provável ser infectado do que não ser infectado.

Já sei que a isto os "modernaços" contraporão: "ah, mas isso é só para as pessoas que não tomam precauções, nunca usam preservativo e escolhem parceiros rascas, com estilos de vida perigosos, para além de que a concentração das DST depende da área geográfica e do estrato social a que as pessoas pertencem, dããã!

Pura ilusão. Como diz o nosso povo, no melhor pano cai a nódoa. Muitos dos caros leitores não imaginarão, por exemplo, a quantidade de "homens de família" que recorrem sistematicamente aos "serviços" de prostitutas. Ou quantas "viagens de negócios" não implicam uma "degustação" da "gastronomia" local. Eu conheci estudantes, políticos, empreiteiros, empresários e até professores universitários que traíam sistematicamente as suas mulheres, às vezes com outras mulheres, outras vezes com prostitutas. Eu cheguei a perder um grupo de amigos por não alinhar num "serão recreativo", chamemos-lhe assim.


«Melanie Taylor aponta que estas infecções estão também associadas a vergonha e podem ainda levar a violência doméstica. Estas infecções são “uma epidemia escondida, uma epidemia silenciosa, uma epidemia perigosa, que persiste a nível mundial”, explica a médica.
As DST são transmitidas durante um acto sexual desprotegido. Algumas – clamídia, gonorreia e sífilis – podem ser também transmitidas durante a gravidez ou durante o parto. A sífilis pode também ser transmitida através do consumo de drogas via injecção ou contacto com sangue.»

Cuidado! O herpes genital pode ser transmitido mesmo usando preservativo. Nem todas as DST se tramitem pela via da permuta de fluídos, nalguns casos basta o contacto abrasivo com a pele infectada.

«Todas as infecções abordadas no estudo têm tratamento através de “medicação disponível a nível mundial” mas a OMS enfatiza que a sua transmissão pode ser “prevenida através de práticas sexuais seguras, correto uso de preservativo e educação sexual e de saúde”.

Tretas! A única forma de manter as DST afastadas é não ser promíscuo(a), escolher criteriosamente as pessoas com quem se tem sexo e, sobretudo, minimizar o número de parceiros(as) sexuais que se tem ao longo da vida.

«A mesma fonte apela ainda a que pessoas sexualmente activas e grávidas façam testes regulares para prevenção de infecções.
Na maioria dos casos da clamídia – entre 70 a 80% – os sintomas de infecção não são manifestados. A clamídia é geralmente detectada uma a três semanas após a exposição à bactéria causadora da doença. Nas mulheres, os sintomas mais comuns são o sangramento espontâneo durante a relação sexual, dor ao urinar e durante a relação sexual. Nos homens, os sintomas de infecção desta DST são ardor ao urinar, corrimento na uretra com presença de pus e dor nos testículos.»

Soa divertido, não soa?...

«No caso da gonorreia, os sintomas podem também passar despercebidos numa fase inicial. Nos homens, a gonorreia manifesta-se através de ardor ao urinar, secreção de pus pela uretra e dor/inchaço num dos testículos. Nas mulheres, os sintomas desta infecção são o aumento do corrimento vaginal, dor e ardor ao urinar, sangramento fora do ciclo menstrual, dores abdominais e pélvicas.
A gonorreia pode ainda manifestar-se noutras partes do corpo. Pode dar-se secreção ou sangramento no ânus, dor nos olhos, infecções na garganta e ainda inchaço nas articulações.»

Como vos tinha prometido: colorido, diverso e vibrante! Ainda me lembro a primeira vez que entrei num dermatologista, quando ainda era miúdo. E vi, para minha grande surpresa, aquilo que parecia ser uma cadeira de ginecologista. "Mas que diabo está aquilo a fazer aqui?", pensei. "Terei entrado no consultório errado?"... Só mais tarde percebi a realidade das DST e as suas graves implicações.

Mas as pessoas que pregam a castidade e a fidelidade sexual é que são umas atrasadas, hãã! Moderno e vanguardista é ter múltiplos parceiros, ser polimoroso(a), participar regularmente em orgias e em festas sexuais... e depois pagar a factura em despesas médicas, ou pior do que isso. Além de que o casamento é uma instituição antiquada, patriarcal e misógina, pá! E a fidelidade é ainda pior do que isso, a fidelidade é pura submissão! Os seres genuinamente livres encornam os seus parceiros! Não é trair, é amar com liberdade!!!

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