domingo, 24 de março de 2019

Helena Matos sobre a diferença de tratamento dado pelos mé(r)dia aos diferentes terroristas


     A Helena Matos é uma das poucas escribas que ainda se aproveitam no cada vez mais abominável Observador da direitinha. Uma das razões para que assim seja é que ela tem uma capacidade notável de, em apenas alguns parágrafos, pôr em evidência a hipocrisia escandalosa dos donos disto tudo:
«Após uma leitura aturada dos jornais desta semana venho propor uma nova classificação para o terrorismo/terroristas. A saber:

1. O terrorista anti-islâmico que como o nome indica ataca mesquitas e muçulmanos. Na Nova Zelândia tivemos um caso claro deste tipo de terrorismo. Vimos o rosto e soubemos o nome deste terrorista. Não houve dúvidas sobre as suas intenções.

2. O terrorista. Apresentado unicamente como terrorista opera geralmente em África e na Ásia. Tem os cristãos como alvos. Mas nunca é apresentado como anti-cristão ou anti o quer que seja. É terrorista apenas ou preferencialmente “membro de grupo armado”. Não tem nome nem rosto. As suas vítimas são igualmente desprovidas de qualquer elemento que as identifique.
3. O terrorista sem motivação. Trata-se de um endemismo europeu: alguém que age como terrorista, faz atentados, fere e mata. Mas uma vez detido as autoridades têm dificuldade em detectar-lhe motivações terroristas mesmo que o terrorista dito sem motivações confesse, grite e reivindique o seu ódio aos cristãos e ao Ocidente. Numa evolução recente o terrorista sem motivação transformou-se no perturbado [ou como nós dizemos aqui no TU, "maluquinho"] que pratica actos que parecem terrorismo mas não são terrorismo. Ou só são admitidos como tal quando o atentado já desapareceu das notícias. Por exemplo, no atentado que teve lugar esta semana  em Utrech o terrorista até fez questão de redigir uma carta a dar conta das suas motivações mas mesmo assim  ainda não está claro que ele estivesse mesmo motivado.

O tipo da esquerda é um "terrorista anti-islâmico". O tipo da direita é apenas um "maluquinho".

4. O terrorista invisível autor de atentados não referidos. Em Itália um homem sequestrou esta semana um autocarro, com 51 crianças lá dentro. Amarrou-as e, em seguida, incendiou o autocarro. Anunciou-lhes que iam morrer porque ele queria protestar desse modo contra as mortes de imigrantes no Mediterrâneo. Após uma perseguição policial as crianças foram retiradas do autocarro em chamas e o homem em questão, um cidadão nascido no Senegal, foi detido e as crianças libertas. Graças ao efeito terrorista-invisível este atentado pouco foi noticiado. O terrorista invisível, autor de atentados ainda mais invisíveis é a versão mais moderna do terrorista sem motivação.

Actualização: o Ilo Stabet trouxe-nos aqui este link com o caso referido pela Helena no ponto 4. Muito obrigado, caro Ilo!

8 comentários:

  1. Olá Afonso,

    Uma história que não vai aparecer nos nossos jornais ou televisões, e se aparecer, vai ter o título mais genérico - para que só seja possível entender quem é e as motivações lendo os parágrafos mais abaixo.

    https://www.telegraph.co.uk/news/2019/03/20/bus-full-children-set-alight-angry-driver-retaliation-migrant/

    Mais um maluqinho sem motivação - a não ser aquela que abertamente declarou antes e durante o acto.

    Enfim, uma nova tendência? Terrorismo subsariano em terras europeias? Só falta mesmo...

    Ilo

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    1. Olá Ilo,

      Obrigado pelo link, que corresponde ao caso referido no ponto 4 do artigo da Helena Matos. Vou acrescentá-lo à posta. Não sei se é uma nova tendência, mas é definitivamente uma tendência, porque a Itália tem tido muitos casos envolvendo "jovens" nos últimos anos. O caro Ilo lembra-se certamente daquela moça que foi esquartejada em Milão...

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  2. Não cheguei a abrir o artigo no Observador, por isso não sabia que ela o havia mencionado. Merece de facto um aplauso apenas por mencioná-lo, até isso já vai sendo escasso.

    Entretanto, off topic, mas vi este video e penso que o Afonso vai gostar. É longo mas vale a pena. Se quiser saltar a introdução e ir directo para a parte de interesse sobre factos históricos, pode passar para os 14 minutos e meio.

    https://www.youtube.com/watch?v=eOM2fT6tBFE

    Um abraço,
    Ilo

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    1. OK, prometo vê-lo mais logo e depois dizer qualquer coisa! Obrigado!

      Um abraço,
      AdP

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  3. eles invadem o med em bote a ue vai pegar na libia eles ainda acham pouco é muita cuckice ocidental

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    1. Sim, os botes ainda são demasiado opressivos. "Humano" mesmo seria ir lá buscá-los de avião...

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  4. o curioso é que do lado diverso do med podem ter mercados de zanj a vontade mas do lado do oeste basta a ue não mandar mais barcos ainda pegar botes invasores

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