quinta-feira, 8 de junho de 2017

«Violência e Islão» por Arsénio Fermino de Pina


     Um muito obrigado! ao Bilder por me ter chamado a atenção para este livro e para este artigo da autoria de Arsénio Fermino de Pina, que vou reproduzir aqui:

«Não se encontra um único versículo no Alcorão que incite à reflexão ou sobre os benefícios ou as vantagens da razão ou do espírito criativo e criativo. Quando encontramos no Alcorão os termos reflectir, raciocinar, é no sentido de recordar os princípios já indicados no Alcorão com o fim da sua execução como vem estipulado. Vejamos alguns capítulos e versículos do Alcorão.
Alcorão, sura 3, versículo 4 (3:4): “Um castigo terrível é reservado aos que não crêem nos sinais de Deus (Alá). Deus é poderoso. Ele é o Mestre da vingança”. 3:85 – “O culto de outra religião não é aceitável”. 71:26 – “Não deixe sobre a Terra nenhum habitante que seja incrédulo”.
7:135, 44:16, 17:97, 17:21, 33:66,40:70-72 e outros capítulos e versículos do Alcorão tratam de punições as mais terríveis e incríveis. Presumo que a PIDE, a Gestapo e o KGB se tenham inspirado nesses versículos do Alcorão e nos processos persuasivos utilizados pela Santa Inquisição.


O segundo califa, padrasto de Maomé e seu companheiro, deu uma sova tamanha à filha do profeta, Fátima, que estava grávida, provocando-lhe aborto e morte. Todos aqueles que exerceram o poder, quer fossem os primeiros califas como os Omeyyades ou Abbassides, foram violentos. Face a tanta violência será necessário analisar essa visão do homem e do mundo muçulmano impregnado de violência e crueldade, o seu estudo psicanalítico. Como a História foi sacralizada para os árabes e muçulmanos, é impossível a um muçulmano estudar a pessoa de Maomé, como se faz com os outros profetas monoteístas. Tentar fazê-lo ou exprimir o desejo de o fazer, expõe à acusação de apostasia (abandono da religião) do muçulmano, o que é rudemente penalizado pela Lei islâmica. 

O Islão condena o ser humano a ser unicamente um seguidor, imitador, um ser escravo. Segundo esta lógica, em vez de libertar o homem, o Islão reforça o sentimento de servidão.

Chegamos assim à conclusão de que o pensamento islâmico tradicional foi sempre hostil à Filosofia. A reflexão filosófica não tem lugar na Revelação porque o profeta dos muçulmanos é o suprassumo dos profetas que disse as últimas palavras, portanto, tudo quanto podia e devia ser dito, e o homem mais nada tem a dizer ou a acrescentar. Podemos até concluir face a isso que Deus disse ao seu último profeta (Maomé) a sua última palavra, e o único Deus é o Deus do Islão, a que chamam Alá. Nenhum lugar para as outras crenças no seio da sociedade muçulmana. O mundo deve ser islamizado, sendo isto a missão do fundamentalismo e do Estado Islâmico.

O diálogo é recusado e a personalidade do homem, o seu demónio. A primeira mensagem do Islão consiste em matar esse demónio interior, esquecendo-se que Deus até dialogou com o Diabo. O Alcorão, que apareceu depois do Cristianismo, não soube adoptar a bondade de Jesus, preferindo o ódio do Apocalipse.

Todos aqueles que tentaram pensar ou introduzir uma ideia diferente na sociedade árabe, foram afastados, combatidos ou assassinados, como os místicos, os filósofos e os poetas. Não houve e nem há nenhum grande poeta, durante catorze séculos, nem nenhum filósofo, que tenha acreditado no Islão do poder ou no Islão da Lei. Na época clássica, os ulemas (sábios muçulmanos) e imãs (equivalentes a padres ou pastores) não reivindicavam o poder, distinguindo bem as funções de comando das funções religiosas. Actualmente, os intelectuais e livres-pensadores árabes, raramente se pronunciam sobre o monolitismo e a violência do Islão, com medo de serem assassinados.

Aos bons muçulmanos, os que seguem acriticamente todos os princípios divinos ou contribuem para o engrandecimento e expansão do Islão, são-lhes reservadas todas as delícias (exclusivamente materiais) no Paraíso, onde há rios de mel, milhares de virgens disponíveis, servidores e maravilhas diversas para gozo dos contemplados e dos mártires, esses jovens enganados que se imolam, explodindo, em nome de Alá. Relativamente às virgens celestes (ouris em francês) diz o Alcorão no 56:35-36: “Fomos nós, em verdade, que as criámos de uma maneira perfeita. Fizemo-las virgens”. O homem que ganha o Paraíso é contemplado com uma eternidade a beber (presumo que sumos, chá e água, por ser interdita a bebida alcoólica), a comer e a fornicar. Nenhuma referência à espiritualidade! 

A mulher é propriedade do homem. No Alcorão 4:3 temos: ”Casai como bem entenderes com duas, três ou quatro mulheres”, quando casar é entendido no sentido sexual de copular. O Islão não inventou nada, foi buscar isso ao Velho Testamento, embora neste esteja escrito que o homem deixa pai e mãe para seguir a mulher, tipo de frase impossível de se ler no Alcorão. A mulher no Islão é sinónimo de sexo, um instrumento para o desejo e o prazer do homem, facilmente descartável, quando bem entender. Uma sabura para os falocratas.

Histórica e religiosamente, o Islão encorajou sempre as conquistas e rapto de mulheres. Hoje em dia, em pleno século XXI, as mulheres reféns, apresentadas em gaiolas, são destinadas à venda. O Estado Islâmico fixa o preço. As mais novas valem mais. Verdadeiramente horrível, mulheres em gaiolas, trajadas de branco para se saber que são sunitas! O Estado Islâmico não é uma nova leitura do Islão ou a construção de uma nova cultura ou civilização. É antes a ignorância, o ódio do saber, do homem e da liberdade. Na época pré-islâmica, portanto, antes do Islão, a mulher era muito mais livre.

O Texto concede quatro mulheres ao homem. Todavia, o profeta Maomé, além das suas nove mulheres, tinha direito a um número ilimitado de concubinas, sem o Alcorão definir o número. O homem do Islão é um libertino. A religião concede-lhe a liberdade absoluta na posse da mulher, tanto na Terra como no Paraíso. O gozo masculino não conhece nenhum limite. Mesmo presentemente, a argelina, que foi um elemento chave na luta de libertação argelina, foi esquecida, bem como muitas outras heroínas, devido à mentalidade arcaica e retrógrada que continua a prevalecer no mundo árabe. O primeiro inimigo da mulher não é o homem. É a religião, sobretudo o Islão, que é religião e poder político. Nos países do Golfo, a mulher instruída não pode votar, mas um homem analfabeto goza desse direito. É o homem que interessa ao Islão por ter sido criado para ser muçulmano e servir o Islão, como se lê no Alcorão. Como entender o apoio da mulher ao Islão?! Somente por ignorância, por serem enganadas desde o berço.

[Infelizmente, o autor está enganado em relação ao último ponto, não é só ingorância, é sobretudo biologia...]

Um indivíduo que vive numa comunidade islâmica sofre de ausência de liberdade: nem liberdade de expressão, nem de crença, nem de escrita, nem liberdade entre homem e mulher. A sociedade civil e laica não existe. A noção de laicidade foi banida.

Como diz Adonis [o autor do livro mencionado acima], não existe um Islão moderado e outro extremista, um Islão verdadeiro e outro falso. Existe um único Islão. Nos nossos dias, o Islão encontra-se face a uma civilização que fez uma ruptura radical com o passado. Não soube dialogar com os progressos da civilização moderna. A esse título, a religião islâmica faz parte do passado. Portanto, historicamente, chegou ao fim. A esperança de muitos intelectuais árabes é que o Estado Islâmico seja o último estertor desse Islão. Felizmente há um movimento no mundo árabe que começa a reclamar a liberdade de não praticar nenhuma religião. Em Marrocos, houve jovens que se manifestaram para afirmar não quererem praticar o Ramadão. 

Adonis critica os governos ocidentais por apoiarem ditaduras no mundo árabe e o obscurantismo incarnado no Wahhabismo da Arábia Saudita. Lamenta que o Ocidente não procure a cultura, o esclarecimento, o futuro e o progresso; procura o dinheiro e assim vem apoiando o fundamentalismo. A crítica é pertinente porque o Ocidente tem uma grande dívida para com os árabes que introduziram o pensamento helénico (grego) na Idade Média, assunto que tratei noutro escrito.»

Este último ponto também não é inteiramente verdade: o mito de que os árabes foram os únicos que preservaram os escritos dos gregos da antiguidade é só isso, um mito. Como nos explica Sylvain Gougheneim, no seu livro "Aristóteles no Monte de São Miguel", houve outros centros de tradução e preservação de textos antigos na Europa:
«A Europa latina nunca perdeu de vista o universo da Grécia, cultura com a qual manteve sempre uma ligação que se foi aprofundado com o passar do tempo. Se os ocidentais importaram, voluntária e autonomamente, textos científicos, filosóficos ou médicos, nem por isso se contentaram em retomá-los a partir das traduções árabes feitas pelos cristãos siríacos nos séculos VII-IX. Com efeito, a par das traduções árabes latinas elaboradas em Espanha nos anos 1150-1190, há pelo menos outros dois pólos de tradução de obras gregas, feita directamente do grego para o latim na primeira metade do século XII. Um deles situava-se na Itália do Sul, na Sicília; o outro, ainda menos conhecido, mas muito mais importante no domínio da filosofia e das ciências naturais, ficava situado em França, no Monte de São Miguel.»
Isto para alertar os leitores de que o mito de que preservação da literatura clássica europeia foi um exclusivo dos maometanos é apenas isso, um mito!

12 comentários:

João José Horta Nobre disse...

É apenas um livro cheio de verdades sobre o credo do profeta pedófilo.

Afonso de Portugal disse...

Por acaso gostava de lhe deitar as mãos, mas 15,50 € é um bocado carote..

João disse...

É um bom livro, comprei-o quando saiu e vale a pena por ser revelador do que é o islão. Ainda para mais vindo de quem cresceu entre o islamismo. Já agora, pouco depois saiu também um livro de poemas, muito bom, do Adonis. Naturalmente, o primeiro passou ao lado dos nossos maravilhosos críticos.

João disse...

Já agora, um conselho: além dos livros mais velhos que se lá arranjam a bom preço, vale a pena espreitar por estes novos no OLX. Encontram-se lá frequentemente livros novos, acabados de sair, mais baratos do que nas livrarias. Calculo que sejam de críticos ou pessoal que trabalha em jornais e os recebe à borla das editoras, vendendo-os depois ali.

Afonso de Portugal disse...

João disse...
«Naturalmente, o primeiro passou ao lado dos nossos maravilhosos críticos.»

LOL, antigamente ainda se faziam críticas destrutivas, mas agora os bem-pensantes já perceberam que toda a publicadidade é boa! :P


«vale a pena espreitar por estes novos no OLX. Encontram-se lá frequentemente livros novos, acabados de sair, mais baratos do que nas livrarias.»

Não sabia! Muito obrigado pela dica! :)

Leitora disse...

"Histórica e religiosamente, o Islão encorajou sempre as conquistas e rapto de mulheres. Hoje em dia, em pleno século XXI, as mulheres reféns, apresentadas em gaiolas, são destinadas à venda. "
E vc sabia que as mulheres brancas, de olhos claros, valem mais que a s outras ?
Pelo menos li isso em artigo/notícia que não sei se é verdade, certa vez.
Quanto mais "jovens" devem valer menos

Leitora disse...

Mas eles não são racistas, não. Imagina

Afonso de Portugal disse...

Leitora disse...
«E vc sabia que as mulheres brancas, de olhos claros, valem mais que a s outras ?»

Sim, sim... aliás, o fetiche supremo de todo o mouro é ter uma branca loira de olhos azuis como sua escrava sexual! Quando a pequena Maddie McCann desapareceu, em 2003, no Algarve, uma das teorias mais circuladas na internet é que a criança, uma loira inglesa de olhos azuis que nem 4 anos tinha, teria sido raptada por redes de tráfico muçulmanas para ser "educada" como escrava sexual.

O filme "Taken", com o Liam Neeson, explora esse conceito mas de uma forma algo irrealista: a filha do protagonista já tem 18 anos e estas redes não costumam raptar moças tão "velhas". Ainda assim, o filmes é bastante realista na sua caracterização das redes de tráfico sexual islâmicas, sobretudo o fetiche doentio que os muçulmanos têm pelas mulheres virgens ocidentais...


«Mas eles não são racistas, não. Imagina»

Claro que não! O racismo é um privilégio exclusivo dos brancos, lembra? ;)

Raghnar disse...

Há que reconhecer que o Espesso deu protagonismo à visita de Adonis a Portugal, com uma boa entrevista, penso que na altura que o livro foi editado:

http://expresso.sapo.pt/cultura/2016-11-05-Adonis-O-monoteismo-colonizou-o-nosso-cerebro


Ainda não li, estou à procura de uma versão gratuita em PDF, suporte de leitura que não apreciava mas que começo a me habituar; se conseguir uma versão em conta, talvez largue alguns euros. Excelente entrevista, que ilustra bem as suas ideias se bem que o jornalismo é o de sempre, induzir respostas no entrevistado em vez de investigar o seu pensamento genuíno.

"Digo violento porque, em geral, as pessoas que criticam o Islão distinguem um “bom Islão” e um “mau Islão”. Mas a sua crítica é mais radical. Considera que se trata de uma civilização que fracassou. Diz mesmo que a decadência árabe começou em 1258, com a queda de Bagdade.
É preciso fazer algumas distinções nessa matéria. Há dois estratos no Islão, como aliás em todas as religiões, como no cristianismo na Idade Média. Há um Islão interpretado do ponto de vista do poder, ou seja, um Islão politizado, e há o Islão dos indivíduos, dos muçulmanos, que não tem nada que ver com o Islão enquanto religião institucionalizada. Eu falo do Islão institucional destes últimos 15 séculos. Mas não falo dos indivíduos."

O homem é da "hiper-ultra-mega-extrema-direita", só pode, porque é o que me chamam quando digo basicamente o mesmo. Aqui eu também substituía o "todas as religiões" pelos 3 grandes monoteísmos, que considero inerentemente intolerantes porque pregam verdades universais. E quem as prega, lida mal com o contraditório, por muita "tolerância" que pregue aos quatro ventos...

Afonso de Portugal disse...

Realmente fabulosa, essa entrevista! Estou até surpreendido pelo Espesso a ter publicado! Muito obrigado, caro Raghnar, vou usá-la para fazer uma posta! :)


«Excelente entrevista, que ilustra bem as suas ideias se bem que o jornalismo é o de sempre, induzir respostas no entrevistado em vez de investigar o seu pensamento genuíno.»

Chega a meter nojo a forma como o entrevistador vai puxando constantemente a conversa para a universalidade da violência em todas as religiões abraâmicas, como se a discussão não fosse sobre o Islão especificamente e, mais importante, como se a contemporaneidade da violência não fosse quase exclusiva do Islão!


Esta parte da entrevista marcou-me bastante:

«(...) os países ditos laicos apoiam a Turquia contra Atatürk, contra o laicismo. É inacreditável. Portanto, não podemos compreender a situação no mundo árabe se nos abstrairmos do Ocidente.»

É muito triste que tenha de ser um sírio a denunciar isto! No que respeita ao Islão, o Ocidente não só abdicou de lutar pelo secularismo, como está a contribuir para a expansão do Islão, ou com a sua indiferença ou legitimando os governos islamistas. Mesmo entre os críticos do Islão a Ocidente, há demasiados que têm evitado falar sobre o que se está a passar na Turquia. E isso, a meu ver, é bastante preocupante: como o Adonis observa, a situação no mundo árabe e a situação no mundo ocidental estão interligadas!


«O homem é da "hiper-ultra-mega-extrema-direita", só pode, porque é o que me chamam quando digo basicamente o mesmo.»

Eheheeh... o caro Raghnar tem de apanhar mais sol e ficar mais castanhinho! É a única forma de confundir os "bem-pensantes"!


«Aqui eu também substituía o "todas as religiões" pelos 3 grandes monoteísmos, que considero inerentemente intolerantes porque pregam verdades universais. E quem as prega, lida mal com o contraditório, por muita "tolerância" que pregue aos quatro ventos...»

O mais curioso é que eu tenho constatado que muitos dos cristãos mais intolerantes e dogmáticos são precisamente aqueles que mais admiram o papa Chico! É um contra-senso, mas é verdade. Fica-se até com a sensação que eles não percebem aquilo que a sua Igreja é realmente!

Bilder disse...

"É muito triste que tenha de ser um sírio a denunciar isto! No que respeita ao Islão, o Ocidente não só abdicou de lutar pelo secularismo, como está a contribuir para a expansão do Islão, ou com a sua indiferença ou legitimando os governos islamistas. Mesmo entre os críticos do Islão a Ocidente, há demasiados que têm evitado falar sobre o que se está a passar na Turquia. E isso, a meu ver, é bastante preocupante: como o Adonis observa, a situação no mundo árabe e a situação no mundo ocidental estão interligadas!"-------------------Sugiro(mais uma vez pois já é um post com algum tempo)a leitura do meu post "guerras contra a Europa"(baseado no livro com o mesmo nome do Del Valle)para vermos o "filme" mais completo no que toca ao papel do Ocidente(uma parte dele a bem dizer)no ressurgimento do islão.

Afonso de Portugal disse...

O caro Bilder está a referir-se a esta posta?

http://senhoresdomundo.blogspot.pt/2012/04/guerras-contra-europa.html