segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Reflexões sobre as Presidenciais de 2016


1. Quanto ao vencedor, Marcelo Rebelo de Sousa: 
  • Ganhou o candidato que teve a mais longa campanha eleitoral. Foram mais de 15 anos na televisão, entre a TVI e a RTP. Antes disso, já tinha tido um programa de rádio na TSF e sido director do jornal Expresso entre 1980 e 1983. São mais de três décadas de ribalta me(r)diática! 
  • Ganhou o candidato da “direitinha do sistema”. Tal como o seu predecessor, MRS acredita na “construção europeia”, no sistema financeiro internacional, na “estabilidade política” e no “cumprimento dos compromissos assumidos”. Podemos, portanto, esperar mais do mesmo.
  • Ganhou um candidato que se diz nacionalista e de direita, mas que também diz isto: 



Ou seja, MRS subscreve literalmente todas as falácias e mentiras da esquerda mundialista. E agora é, para o melhor e para o pior, o novo presidente de Portugal.


2. Quanto à queda do PCP e às celebrações imbecis da "direitinha":  
  • Não percebo, muito sinceramente, o porquê da alegria manifestada pela direita. De que serve o PCP ter perdido tantos votos quando o Bloco de Esquerda está a ficar cada vez mais forte?
  • A transferência de votos do PCP para o Bloco só mostra comunismo está a ficar mais polido e dissimulado… e isto não é uma boa notícia, isto torna o comunismo mais perigoso do que nunca! 
  • Enfim, é mais uma demonstração tácita da falta de visão estratégica da "direitinha" cá do burgo (N.B.: o Sr. Hamsun teve uma reflexão muito semelhante no seu "O Regresso da Primavera", até usou um dos mesmos adjectivos, 'dissimulado';  que fique bem claro que eu não o plagiei. O que se passa é que as mentes brilhantes tendem a pensar da mesma forma, sobretudo quando compreendem a realidade do Marxismo Cultural!)
Por outras palavras, um comuna não deixa de ser um comuna só por se sentar num lugar diferente. Antes pelo contrário, é muito mais perigoso um comuna bem sentado do que um comuna esfomeado...


3. Quanto ao resultado obtido pelos candidatos do PS:
  • Nódoa…eeer…. perdão, Nóvoa perdeu bem. 
  • Ninguém…eeer…. perdão, Belém foi pura e simplesmente cilindrada! 
  • Mas contrariamente ao que se anda a dizer na comunicação sucial, isto não é nenhuma derrota para o monhé Costa, isto é precisamente o que o monhé Costa mais queria! Porquê? É simples, nos próximos anos, a economia portuguesa vai voltar a afundar. Quando isso acontecer (e vai acontecer), será sempre mais fácil ter um falso adversário como Marcelo no poleiro, porque não obstante algumas diferenças ideológicas pontuais, Costa e Marcelo concordam no essencial. Nóvoa piscava o olho à extrema-esquerda e parecia ter demasiadas ideias próprias… era demasiado imprevisível. Posto de outra forma, entre um rosa avermelhado (Nóvoa) e um laranja “arrosado” (Sousa), o Costa ficaria sempre mais bem servido com o de Celorico.

 
Tudo corre conforme esperado! Obrigado, "tugas"! 


4. Quanto ao magnífico resultado alcançado pelo Tino das Rãs… eeer perdão, de Rans:
  • O Big Brother é o programa mais visto da história da televisão portuguesa. 
  • As telenovelas são o género de programa mais visto da história da televisão portuguesa. 
  • Logo, um indivíduo como o Vitorino, que personifica as duas coisas, só podia ter sucesso! 

5. Quanto à derrota do Dr. Paulo Morais:
  • É quanto a mim, o facto mais gravoso dos resultados do sufrágio. 
  • A corrupção é o maior problema de Portugal neste momento. O combate à corrupção e a criminalização da gestão danosa deviam por isso ser a prioridade máxima dos eleitores portugueses.
  • Mas pelo visto, a prioridade máxima dos eleitores portugueses é “encontrar consensos”, “ser moderado” e deixar estar tudo como está, ou seja, na bandalheira, na corrupção generalizada e no compadrio abrilino que nos trouxe até aqui. 
  • É evidente que ninguém estava à espera que o homem ganhasse. Mas ficar atrás do Tino e da Maria é mau demais tendo em conta a importância daquilo a que ele se propunha.
  • Ficou demonstrado, uma vez mais, que o povo português ainda não tem noção das suas prioridades. Continua, em termos democráticos, a comportar-se como um adolescente desmiolado e cheio de hormonas que vota sempre no artista mais popularucho. 

6. Quanto à abstenção, elevada, mas ainda assim normal em eleições presidenciais (≈51%):
  • É outro sintoma evidente da confrangedora falta de maturidade democrática do povo português. Quem não vota, consente. Não votar é votar por omissão. É entregar de mão-beijada o poder e a glória ao vencedor do sufrágio. Quem vir um ladrão a roubar e não fizer nada, encolhendo apenas os ombros e seguindo o seu caminho, não pode queixar-se quando for a sua vez de ser roubado. Da mesma forma, quem percebe que a classe política portuguesa é dominada por interesses económicos supranacionais e, mesmo assim, se recusa a ir votar, não pode queixar-se de ter o seu país cada vez mais entregue à bicharada. A abstenção é, nesse sentido, o maior tiro nos pés que o eleitorado pode dar em si próprio.

  • Acho realmente assombroso que haja tanta gente que julga poder resolver os problemas de Portugal não indo votar. A abstenção não representa nem legitima nada e, por conseguinte, não resolve nada. Não se pode argumentar –como fazem alguns estúpidos e outros tantos desonestos– que uma abstenção elevada legitima a revolta, muito menos a revolução. Não votar é apenas isso, não votar. Não é tomar nenhum partido e, concomitantemente, não é apoiar ou deixar de apoiar ninguém. O valor da abstenção e dos votos brancos/nulos não tem qualquer efeito prático sobre a validade e a legitimidade do sufrágio. A constituição da República Portuguesa assim o determina! Até porque mesmo que a abstenção chegasse hipoteticamente aos 90% -o que não vai acontecer tão cedo- a eleição continuaria a ser inteiramente válida e o governo ou, neste caso, presidente eleito, seria perfeitamente legítimo! 
Enquanto o povo português não perceber isto, não vamos lá….

4 comentários:

Anónimo disse...

Sobre a elevada abstenção nas presidenciais.

"O PNR, não acreditando em nenhuma das candidaturas, antes pelo contrário, aconselha todos os verdadeiros Patriotas a não apoiarem nenhuma delas."

http://www.pnr.pt/pnr-pela-abstencao-nas-presidenciais-2016/

João.

Anónimo disse...

Sejamos honestos, eu não me revejo na maioria das coisas que cá dizes, e para tu veres o desalinhamento ideológico entre nós posso te dizer que votei no Sampaio da Nóvoa precisamente porque o MRS representa a direitinha em que não me revejo. Prefiro na atual situação um político de esquerda que se preocupe com as medidas sociais e aumentar o poder de compra dos portugueses mesmo que pressionado pelo Bloco e pelos Comunistas que um neoliberal aos comandos da finança internacional e dos interesses externos. E em assuntos de imigração de facto é indiferente ter uma direitinha no poder ou ter a esquerda. Veja-se que quem aceitou, e até se ofereceu a aceitar mais refugiados foi o PPC.
Quanto a este post... bem, a principal razão pela qual de tempos a tempos continuo a visitar o teu blog é pela qualidade da tua escrita e a inteligencia que demonstras nos posts, e mesmo que não concorde com o conteúdo dos mesmos tenho que admitir que deixam um bocadinho a pensar.
Agora fiquei curioso em relação a quem votaste nas presidenciais, será que foi no Henrique Neto pelo que disse acerca da imigração e dos refugiados? Ou neste tal de Morais?

G, o cigano

Afonso de Portugal disse...

João disse...
«O PNR, não acreditando em nenhuma das candidaturas, antes pelo contrário, aconselha todos os verdadeiros Patriotas a não apoiarem nenhuma delas.»

Eu não sou militante do PNR. Eu apoio o PNR em quase tudo, mas não posso apoiá-lo nesta questão. A abstenção não é uma forma legítima de protesto e não deve ser encorajada, seja em que circunstância for. É uma oportuniadde perdida, seja qual for o caso

E pior do que isso, cria no eleitorado o péssimo hábito de ficar alapado no sofá em vez de ir votar. E quem adquire este hábito quando o PNR não está no boletim de voto, tende a mantê-lo quando o PNR passa a estar.

Até porque, em qualquer acto eleitoral, há sempre diferenças entre candidatos, por mais maus que sejam. Compete por isso às pessoas escolherem entre o menos mau.

Afonso de Portugal disse...

G, o cigano disse...
«Prefiro na atual situação um político de esquerda que se preocupe com as medidas sociais e aumentar o poder de compra dos portugueses mesmo que pressionado pelo Bloco e pelos Comunistas que um neoliberal aos comandos da finança internacional e dos interesses externos.»

O problema é que os políticos de esquerda não se preocupam com nada disso. Viu-se no caso do Sócrates e já se começa a ver no caso do Costa com a quebra da promessa de devolver a sobretaxa do IRS.

Além disso, tu não explicas é de onde é que viria o dinheiro para as "medidas sociais" e para "aumentar o poder de compra dos portugueses". O Nóvoa e o Costa também nunca explicaram. E, sem isso, ficamos ao nível do Tsipras e do Varoufakis.


«Agora fiquei curioso em relação a quem votaste nas presidenciais, será que foi no Henrique Neto pelo que disse acerca da imigração e dos refugiados? Ou neste tal de Morais?»

Foi no Dr. Paulo Morais. A corrupção é mesmo a minha prioridade máxima. A imigração é uma consequência indirecta da corrupção e da ganância desmedida da superclasse que se apoderou de Portugal, não é um fenómeno isolado.