domingo, 13 de setembro de 2015

Sobre a forma de pensar da "direitinha" portuguesa...


Um dos grandes dramas da nossa "direita" política é o facto de ela apenas ser direita no que toca às questões económicas. Porque no que respeita às questões sociais, ela é tão ou mais de esquerda do que a própria esquerda, como se pode depreender facilmente após leitura deste texto, que encontrei no blogue "O Detergente".... eeerr.... perdão, eu quis dizer "O Insurgente":

«A Alemanha vai-se transformar e ser muito mais que a potência económica que é actualmente.


O renascimento alemão

Em 1699, com a assinatura do tratado de Karlowitz, os Otomanos entregaram grande parte da Hungria ao Sacro Império Romano-Germânico. Se tivesse acontecido com Portugal, perceberíamos melhor a reacção dos húngaros à chegada dos refugiados sírios.

A Alemanha, viveu no século XX, dois dos maiores horrores da humanidade: o nazismo e o comunismo. Conhece na pele a guerra, a destruição, a separação e a miséria. Aqueles alemães que aplaudem a chegada dos refugiados a Munique, que os vão buscar de carro para os levar para a Alemanha, mostram-nos que o tempo não fez esquecer as feridas.

A Alemanha tornou-se numa potência europeia durante o século XIX. O motor desta transformação não foi Bismarck, mas a evolução demográfica que tornou a Alemanha num país mais populoso que a França, ultrapassando este país em força e influência. Um dos maiores desafios que a Alemanha atravessa neste início de século XXI é precisamente a queda demográfica: não se alterando a tendência, a França ultrapassará a Alemanha no final deste século.

A chegada dos refugiados à Alemanha é uma lufada de ar fresco. Traz-lhe pessoas dispostas a trabalhar e a integrar-se. O que está a suceder é uma revolução: a Alemanha estanca a quebra da sua população e diversifica-se abrindo-se a outras culturas que integra. Angela Merkel, a única política europeia com visão, percebeu isto e aceita-o de bom grado. Compreender este fenómeno, interpretá-lo com base no que a história nos conta, é ir além dos julgamentos sumários tão característicos nestas alturas.»

 Os novos "alemães"!

Há desde logo dois pressupostos nesta "análise" que não são verdadeiros:

(1) todas as populações humanas são fundamentalmente iguais;
(2) os "refugiados" estão dispostos a trabalhar e a integrar-se.

O primeiro pressuposto leva a que o autor compare a população alemã do séc. XIX, uma massa humana que era cultural, religiosa e biologicamente homogénea, à actual onda de "refugiados", constiuída por pessoas de várias etnias vindas de inúmeros países em três continentes (África, Ásia e Europa), com diferentes culturas, valores e religões.

O segundo pressuposto leva o autor a concluir que a actual "crise migratória" só poderá ser positiva para a Alemanha, ignorando o que tem acontecido em várias cidades europeias, sobretudo aquelas em que a população muçulmana  é significativa. Ignora também que praticamente todos os "refugiados" querem ir para os países cujo Estado Social é mais genoroso para com os imigrantes: a Alemanha, o Reino Unido e a Suécia. Não querem a França, nem a Itália, nem a Polónia, muito menos Portugal. Querem precisamente os países onde, como diz o povo, "há mama"!

De resto, o exercício feito pelo autor deste artigo é bastante surpreendente por parte de um "Insurgente", na medida em que obedece à mesma lógica da "ciência" comunista: os comunistas acreditam convictamente que a redistribuição da riqueza levará à prosperidade global, embora não haja quaisquer evidências irrefutáveis nesse sentido. Já o André Amaral está convencido que a imigração, venha de onde vier e em que circunstâncias, criará sempre crescimento económico.

Isto não é ciência, senhores. Isto é wihsful thinking. E escusam de mencionar "o que a História nos conta", porque nunca houve em toda a História da Europa uma situação como esta.

É por estas e por outras que a "direitinha" do PSD/CDS não serve os portugueses. É por estas e por outras que só mesmo o Nacionalismo é solução!

3 comentários:

Anónimo disse...

http://www.dailytelegraph.com.au/news/aylan-kurdi-drowned-boys-father-accused-of-being-people-smuggler-in-charge-of-boat-that-crashed-denies-claims/story-fni0cx4q-1227523270638

Anónimo disse...

O Insurgente só vê as coisas em termos económicos. É ainda devedor do pensamento marxista ao colocar a economia no centro de tudo. Esta gente não reconhece o poder da religião e de outras criações culturais. Depois faz as análises que faz, vê a realidade como quer ver. Não são, essencialmente, diferentes dos comunistas. -srhamsun.

Afonso de Portugal disse...

Anónimo das 00:59, agreço o link interessante. Mas peço-te que assines os teus comentários futuros. Basta uma coisa simples, como ABC.


Sr. Hamsun disse...
«O Insurgente só vê as coisas em termos económicos. É ainda devedor do pensamento marxista ao colocar a economia no centro de tudo. Esta gente não reconhece o poder da religião e de outras criações culturais. Depois faz as análises que faz, vê a realidade como quer ver. Não são, essencialmente, diferentes dos comunistas.»

Exactamente! Até porque no que respeita à imigração, o interesse é o mesmo. Ambos marxistas e "liberais" querem que venham tantos imigrantes quanto logisticamente for possível! E de preferência analfabrutos que, para os marxistas, constituirão a nova vanguarda "proletária"... e para os "liberais", a nova mão-de-obra escrav... eeer, perdão, barata.