sexta-feira, 22 de junho de 2018

Sobre as diferenças idiossincráticas entre o Sul e o Norte da Europa


     Um dos meus humoristas italianos favoritos é o grande Bruno Bozzetto. O Sr. Bozzetto não é de forma alguma um nacionalista, mas tem um talento notável para satirizar episódios e situações da vida social quotidiana e, mais interessante ainda, de criticar a forma de ser e de estar dos europeus e das diferentes culturas europeias.

Aqueles que seguem regularmente o TU sabem que uma das minhas convicções pessoais sobre as diferenças idiossincráticas entre o Sul e o Norte da Europa é que elas resultam não tanto das diferenças genéticas entre os povos nativos do Sul e do Norte da Europa -ao contrário do que defendem os puristas do arianismo- mas sobretudo do processo de romanização do Sul da Europa. A minha opinião é sustentada pelos escritos de vários autores gregos e romanos da Antiguidade, que já descreviam a corrupção, o nepotismo e o chico-espertismo generalizados um pouco por todo o Império Romano, muito antes de Portugal, Espanha, Itália, Roménia, etc. existirem sequer como nações.

E, para além desses textos antigos, há um paralelismo cultural manifesto entre todos os países do Sul da Europa: os vícios são os mesmos, a falta de educação, de organização e de respeito pela Lei e pelas regras também. Por exemplo, nos primeiros dois vídeos que se seguem, poderíamos perfeitamente trocar a Itália por Portugal. E a mensagem do terceiro vídeo aplica-se como uma luva a qualquer país do Sul da Europa...


1. Europa vs Itália




2. Itália vs. Alemanha




3. Sim & Não: um filme rodoviário deseducativo

10 comentários:

Anónimo disse...

A mim quer me parecer que a sátira Italia vs German(istão) tem que ser actualizado de modo a estar de acordo com os tempos modernos...por exemplo não me parece que 2 "alemães" fiquem indiferentes á passagem na via piblica de uma bela jovem mulher :p

Ass:FdT

Anónimo disse...

correcção: *via pública

Ass:FdT

Afonso de Portugal disse...

Ahahahahahahh bem visto, caro FdT! Alguém devia sugerir um update ao Sr. Bozzetto! Aliás, as próprias roupas da moça terão de ser actualizadas no futuro, para reflectir melhor a diversidade:

https://www.unilad.co.uk/wp-content/uploads/2016/10/58976UNILAD-imageoptim-Women_in_burqa_with_their_children_in_Herat_Afghanistan.jpg

Anónimo disse...

Acho que a Itália talvez seja o extremo máximo, em algumas coisas, isso nota-se por exemplo na corrupção:

http://i.imgur.com/97ZItva.jpg

E a Europa de leste ainda consegue ser pior. Mas em outras, como por exemplo a nível cultural, arquitectónico e histórico a Itália é mesmo o centro da Europa e a França também.

E outra coisa, os europeus são relativamente todos próximos por genes, são parentes, mas olha que o sul da europa não é um continuo genético, por exemplo, os espanhois e os portugueses são geneticamente mais parecidos aos austríacos e aos alemães que são dos gregos ou italianos do sul. Mas os vídeos são bons.

assinado
Fuas Roupinho


E já agora, vê esta nova Afonso:
Governo quer atrair todos os anos 75 mil imigrantes

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2018-06-22-Governo-quer-atrair-todos-os-anos-75-mil-imigrantes#gs.GLLKRUg

Ilo Stabet disse...

Olá Afonso,

Eu penso que essa diferença entre norte e sul (e sobretudo entre Norte e Sul na Europa Ocidental) é claríssima - embora muitos nazionalistas mediterrânicos queiram ser uma imitação dos nordicistas, o que é ridículo por várias razões, mas não seria tão rápido a desdenhar as diferenças genéticas, pelo menos em parte. Seja como for, o que queria dizer é que, apesar de fisicamente me dar melhor em climas frios, socialmente e pessoalmente tenho uma grande aversão à frieza e natureza mecânica dos povos do norte (embora, deva dizer, por exemplo os eslavos e os escoceses sejam diferentes nesse aspecto). Aquilo que mencionou como benefícios dos nórdicos em contraste com os malefícios dos sulistas ("a falta de educação, de organização e de respeito pela Lei e pelas regras") são, a meu ver, não necessariamente boas características. Como em tudo, o equilíbrio é necessário. Estas suas características são precisamente as que os transformaram nos cornos mansos do globalismo que são hoje, aceitando todo o relativismo feminista, globalista, sodomita, etc. Para bem ou para mal, já tive ao longo da vida e continuo a ter de lidar com vários povos diferentes, europeus e não-europeus, e são precisamente os nórdicos e europeus centrais (alemães, holandeses, etc) que são absolutamente desprezíveis, pessoas sem convicções e sem espinha, que vão com a corrente qualquer que seja a corrente e se vergam perante toda a parvoice moderna (e denunciam quem não se vergar). Penso que há virtude em ter um pouco de rebelião, de desorganização, de primitivismo, honestamente. Isso é mais uma coisa que penso estar gravemente errada na visão comum da Direita (tanto a moderada como a nossa), que é querer que sejamos mais organizados, mais modernos e eficientes (no sentido tecnológico e económico), mais cumpridores, etc. O chico-espertismo, o desenrasca, pode não ser a melhor característica, mas é a nossa, e acredite que, no mundo verdadeiro, no mundo desligado dos confortos falsos do modernismo, essas características são importantíssimas, salvíficas. Não só penso que essa conversão sulista à eficiència é impossível, como indesejável. Há mais na vida para além da eficiência. Como ilustrei no episódio do podcast sobre a Islândia - o país mais branco e eficiente da Europa - toda aquela eficiência é muito bonita em folhas de excel e estatísticas, mas na prática, é um inferno e um vazio moral.

Há uns tempos apanhei um uber e calhou ser um militar o motorista (a viagem ainda foi longa o suficiente para ter uma conversa, e descobri que era um homem conservador, com uma mulher que ficava em casa a tomar conta dos filhos e que ele fazia aquilo como complemento ao seu salário). Uma experiência que me deu algum alento, sinceramente. A certa altura ele disse-me isto: «Não confio num homem que não se sente ao almoço a beber um copo de vinho e a falar de mulheres». Eu concordei. Melhor descrição da 'disposição' sulista não podia haver. E melhor contraste com os nórdicos - para quem beber vinho ao almoço é um sacrilégio (e falar de mulheres também começa a ser) - também não podia haver - e tenho provas disto em primeira mão (em viagens de trabalho a países desses não consegui sequer beber uma cidra ao almoço, quanto mais vinho).

Enfim, tudo isto para dizer que gosto da forma como somos, sinto uma irmandade com espanhóis, italianos, sérvios, romenos e gregos, e não trocava por nada esta nossa natureza, e muito menos a trocava pelas virtudes dos nórdicos.

Um abraço
Ilo

Lura do Grilo disse...

Muito bom

Afonso de Portugal disse...

Fuas Roupinho disse…
«Acho que a Itália talvez seja o extremo máximo, em algumas coisas, isso nota-se por exemplo na corrupção»

Sim, mas nós também não somos propriamente europeus no que respeita à corrupção. Esse mapa é bem claro: partindo do Sul da Europa e seguindo para Norte, há uma tendência visível para as cores ficarem mais claras…


«E outra coisa, os europeus são relativamente todos próximos por genes, são parentes, mas olha que o sul da europa não é um continuo genético, por exemplo, os espanhois e os portugueses são geneticamente mais parecidos aos austríacos e aos alemães que são dos gregos ou italianos do sul.»

Por isso mesmo é que eu acho que a teoria dos genes é insuficiente para explicar o atraso do Sul da Europa. O factor cultural tem de ter um peso muito significativo…


«E já agora, vê esta nova Afonso:
Governo quer atrair todos os anos 75 mil imigrantes
»

Muito obrigado, caro FR! Por acaso o Raghnar e o G, o cigano já a tinha trazido, mas o FR reforça a necessidade de eu fazer uma posta sobre o assunto.


Ilo Stabet disse…
«Aquilo que mencionou como benefícios dos nórdicos em contraste com os malefícios dos sulistas ("a falta de educação, de organização e de respeito pela Lei e pelas regras") são, a meu ver, não necessariamente boas características. Como em tudo, o equilíbrio é necessário. Estas suas características são precisamente as que os transformaram nos cornos mansos do globalismo que são hoje, aceitando todo o relativismo feminista, globalista, sodomita, etc.»

Eu até acho essa teoria interessante, mas o que verifico, na prática, é que a nossa suposta rebeldia e não-conformidade não impediu que essas coisas chegassem cá à mesma. Os países do Norte foram pioneiros nessas aberrações, mas os do Sul acabaram por abraçá-las igualmente. Eu até vou mais longe: temos praticamente todos os vícios e defeitos do Norte, mas nenhuma das suas virtudes.


«(….)são precisamente os nórdicos e europeus centrais (alemães, holandeses, etc) que são absolutamente desprezíveis, pessoas sem convicções e sem espinha, que vão com a corrente qualquer que seja a corrente e se vergam perante toda a parvoice moderna (e denunciam quem não se vergar).»

Não tenho essa experiência, mas também não conheço muitos alemães e holandeses para poder falar, pelo que vou respeitar a opinião do caro Ilo.

Afonso de Portugal disse...

Ilo Stabet disse...
«Penso que há virtude em ter um pouco de rebelião, de desorganização, de primitivismo, honestamente. Isso é mais uma coisa que penso estar gravemente errada na visão comum da Direita (tanto a moderada como a nossa), que é querer que sejamos mais organizados, mais modernos e eficientes (no sentido tecnológico e económico), mais cumpridores, etc.»

Depende. Uma coisa é ter “rebelião”, “desorganização” e “primitivismo” de forma consciente e consequente, outra coisa é pura e simplesmente não ter educação e não respeitar os outros. Vou dar dois exemplos, para tentar ser mais claro: (1) deitar beatas para o chão ou não apanhar as fezes do animal de estimação quando o passeamos na rua não é um acto de rebeldia, é um acto de desrespeito pela comunidade e de usurpação daquilo que é de todos; como é que eu sei? Porque as pessoas não deitam as beatas para o chão de suas casas nem deixam o cocó do seu cão ou gato espalhado pela sua habitação; logo, essas pessoas têm critérios diferentes para o que é seu e para o que é de todos, pelo que não são rebeldes nenhumas, são apenas porcas e chico-espertas; (2) fazer ruído a altas horas da madrugada e não deixar dormir os vizinhos também é um acto de falta de educação e até de uma certa psicopatia: não é por acaso que a lei estipula que não se pode fazer ruído entre as 22h e as 7h da manhã, a lei existe porque as pessoas precisam de dormir para poderem recuperar forças para irem trabalhar no dia seguinte e serem produtivas; nesse sentido, aqueles que, de forma deliberada e reiterada, não deixam os vizinhos dormir, estão a privá-los dos seus direitos, a prejudicar a sua saúde e comprometer toda a sociedade, porque a falta de sono generalizada tem implicações sobre os níveis de produtividade.


«O chico-espertismo, o desenrasca, pode não ser a melhor característica, mas é a nossa, e acredite que, no mundo verdadeiro, no mundo desligado dos confortos falsos do modernismo, essas características são importantíssimas, salvíficas.»

Eu concordo em parte, mas acho que tudo depende do contexto. Seria realmente muito útil que o cidadão comum pudesse ser independente em relação às modas e a certas regras instituídas mas, mais uma vez, não é isso que eu vejo nos portugueses. Pelo contrário, nós seguimos todas as modinhas e regrazinhas ridículas que nos são impostas a partir de cima, só não seguimos as regras de convivência e de respeito pelos outros portugueses. Ou seja, na prática somos uns provincianos covardes que só violam as regras para com o seu semelhante, raramente violando as regras em relação a quem manda, aos empresários, ao poder político e judicial, aos “intelectuais” de pacotilha que infestam os nossos mé(r)dia e universidades e, sobretudo, em relação às normais culturais vigentes.

Outra consequência nefasta da generalização do chico-espertismo é que ela começa nos estratos baixos da sociedade mas acaba sempre nas instituições, porque a cultura institucional é o reflexo da cultura popular. E é aqui que eu não consigo concordar inteiramente com o caro Ilo, porque entendo que a permissividade em relação ao compadrio e ao nepotismo começa exactamente nos pequenos episódios de chico-espertismo e desenrasca que ocorrem nos estratos baixos da sociedade.

Afonso de Portugal disse...

Por exemplo, quando alguém, de forma repetida, passa à frente das pessoas numa fila e ninguém diz nada, o que é que isso diz sobre a nossa sociedade? Eu respondo: diz que não há consequências para não cumprir as regras. E é por isso que depois, quando passamos para as instituições, temos constantemente perdões do Estado a quem não paga os seus impostos ou as suas contribuições para a Segurança Social a horas. No meio disto, os que pagam a hora é que são parvos, tal como os caramelos que estavam na fila e não protestaram! Ou seja, gera-se um círculo vicioso que faz desmotivar os cumpridores e recompensa aqueles que tentam passar a perna aos outros!

Tudo isto para sublinhar o seguinte: eu não importaria nada com o chico-espertismo do nosso povo se ele se traduzisse numa resistência de facto ao poder instituído. Mas não é isso que vejo em Portugal e no resto do Sul da Europa, o que vejo é precisamente o contrário: uma cambada de cornos mansos que só desrespeitam e tratam mal os outros cornos mansos, mas que depois se sujeitam a todos os abusos dos seus pulhíticos, seguindo fielmente todas as modinhas imbecis e politicamente correctas que vêem nos mé(r)dia.


«Enfim, tudo isto para dizer que gosto da forma como somos, sinto uma irmandade com espanhóis, italianos, sérvios, romenos e gregos, e não trocava por nada esta nossa natureza, e muito menos a trocava pelas virtudes dos nórdicos.»

Essa irmandade é inegável, até porque os nórdicos –aliás, nem é preciso subir tanto no mapa da Europa, basta olhar para os convencidos dos franceses– padecem de um pedantismo e de uma condescendência insuportáveis para connosco. E também acho que somos um pouco mais viris do que eles, eles foram muito mais castrados pelo feminismo do que nós, regra geral, é claro. Eu jamais quereria ser nórdico, porque entendo que as suas sociedades são atomizadas e depressivas, demenciais até. Mas julgo que há requisitos mínimos que eles cumprem e nós não. Não se admite, por exemplo, que até a degenerada da Suécia tenha a Volvo e Portugal não tenha conseguido produzir uma única marca automóvel. A AutoEuropa não conta, não fomos nós que a criámos, nem somos nós que a mantemos. Somos um povo muito pouco empreendedor e eu estou convencido que isso se deve em grande parte à nossa propensão para a chico-espertice. O empresário médio “tuga” pensa assim: “vou tentar abrir uma empresa, deixa ver se há apoios do Estado”; se houver, o empresário “tuga” avança, mas atenção, aquilo é não é para levar muito a sério, é mais uma aventura por tentativa e erro, se correr bem, fixe, factura-se, se correr mal, paciência, declara-se falência e tenta-se outra vez! Não tenho nada contra o fracasso empresarial, mas tenho tudo contra o fracasso empresarial pago com o dinheiro dos outros, porque o que não sai do bolso das pessoas não lhes dói!

Abraço!


Lura do Grilo disse...
«Muito bom»

O Sr. Bozzetto costuma ser! ;)

Ilo Stabet disse...

eu não vejo a ausência do espírito empreendedor como separado da natureza e cultura desses povos. penso que a nossa disposição, não tendo sido afectada pelo protestantismo, e logo pelo puritanismo, leva a isso. e não vejo isso necessariamente como mau. uma coisa que aprendi ao lidar com nórdicos e europeus do centro é que são semíticos, não têm grande generosidade, e isso nota-se em coisas tão simples como ir a uma festa a casa deles e terem os croquetes contados para cada convidado (true story). mas continuo a preferir ser pobre materialmente do que pobre espiritualmente, e pela minha experiência, os europeus do Norte e Centro Ocidental são os povos mais espiritualmente na bancarrota que já conheci (talvez a par com os Japoneses e Sul Coreanos, com quem também já convivi, embora estes seja mais difícil de descobrir).

a cultura de dependência do estado entre os empresários é terrível, de facto, mas aí só há mesmo uma solução: retirar os incentivos que tornam essa estratégia possível. muito difícil de fazer, mas se as minhas previsões estão correctas, será inevitável.

há muita falta de civilidade, de facto, mas não penso que isso esteja desligado da cultura terrível que nos foi impingida e da invasão alógena também. vejo miúdos brancos todos os dias a copiarem os alógenos (que por sua vez são influenciados pelo rap e a merda que é promovida por aí), e obviamente que depois se transforma em coisas aberrantes.

por fim diria apenas que pelo menos entre homens portugueses normais (não-académicos, não-cosmopolitas) ainda se pode fazer piadas homofóbicas, sexistas e racistas sem causar desmaios de ofensa - coisa que entre nórdicos e norte-europeus é duvidoso.

claro que caminhamos a passos largos para o que o Afonso disse, que é incorporar as partes más dos outros e perder as nossas boas. mas de vez em quando falo com pessoas comuns (como o condutor da uber que mencionei), mesmo da minha idade, de ambos os sexos, e ganho alguma esperança de que o senso comum e a natureza do nosso povo ainda não está perdida. por exemplo, ainda ontem estava a falar com uma rapariga portuguesa da minha idade que vem do alentejo, e que sem surpresa vem de uma família tradicionalmente PCP, e a quem consegui convencer que a parte socialmente liberal e de imigração da agenda esquerdista moderna é antagónica aos objectivos de garantir estabilidade financeira e justiça económica para os portugueses, e que pelo contrário, são os grandes capitalistas que promovem estas coisas.

um abraço
Ilo