quarta-feira, 13 de junho de 2018

Religiosidade vs. PIB (paridade do poder de compra)


      Aqui fica um gráfico bastante curioso que pretende comparar o nível ou grau de religiosidade dos habitantes das nações com o seu PIB per capita expresso em termos de paridade do poder de compra. Os dados sobre religião foram recolhidos pela Pew Research entre 2017 e 2018, enquanto os dados do PIBppc, relativos ao ano de 2015, foram retirados das bases de dados do FMI.

No eixo vertical do gráfico (0-100%) temos o grau de religiosidade, expresso pela percentagem de pessoas que, em cada país, afirma rezar todos os dias. Já o PIBppc é expresso em dezenas de milhares de dólares americanos, no eixo horizontal do gráfico (0-70 k$ ou milhares de dólares):


Há vários resultados interessantes:
  1. A primeira observação que salta imediatamente à vista ao olhar para o gráfico é que os EUA são o único país com um PIBppc elevado (≥ 35 k$) em que mais de 50% da população reza todos os dias;
  2. Os países mais religiosos da Europa são a Moldávia, a Croácia, a Geórgia e Portugal (há um ponto "europeu" acima da Croácia, mas não está identificado, pelo que não sabemos a que país corresponde);
  3. Os países menos religiosos da Europa são o Reino Unido, a Suíça, a Áustria e a Alemanha (mesmo com todos os iminvasores que receberam!);
  4. O país mais religioso de todos é o Afeganistão e o menos religioso de todos é a China.
  5. Em termos de religiosidade, a maioria dos países da Europa Ocidental não passa dos 20% de pessoas que rezam todos os dias;
  6. Não surpreendentemente, os países mais religiosos tendem a ser os de fé muçulmana, embora também haja muitos países cristãos entre aqueles cujos habitantes mais rezam.
  7. A percentagem média de pessoas que rezam todos os dias no conjunto de todos os países é de 49%. Isto significa que todos os países europeus ficaram abaixo da média, exceptuando a Moldávia.
  8. Não tenho a certeza, porque não li o documento de onde foi retirado este gráfico, mas a curva que se vê no gráfico parece ser uma regressão para estimar o grau de religiosidade em função de cada nível de PIBppc.
  9. Em Israel, o estado que muitos descrevem como habitado por judeus sionistas fanáticos, menos de 30% de pessoas rezam todos os dias; comparativamente, Portugal é um país de católicos fanáticos.
Deixo as conclusões disto tudo ao critério de cada um, mas uma coisa é certa: com a excepção notória dos EUA, a Europa e a América do Norte são muito menos religiosas do que o resto do mundo...

8 comentários:

Anónimo disse...

Continuo a achar que a coisa está mais relacionada com a genetica que com a religiao embora uma coisa possa estar mais ou menos relacionada com a outra...a evoluçao dos brancos afastou-os das crenças religiosas.

Ass:FdT

Afonso de Portugal disse...

Sim, eu também acho que a genética desempenhou e continua a desempenhar um papel preponderante no declínio generalizado da fé no Ocidente. No entanto, pergunto-me se estaríamos nesta situação se não tivéssemos tido o Iluminismo e o Protestantismo. Repare-se que os países europeus com mais pessoas que rezam todos os dias são precisamente os que professam o catolicismo romano e os ortodoxos. Quanto mais caminhamos para o Norte da Europa, mais a crença religiosa parece esmorecer, apesar das hordas de "refugiados" e "pobres coitadinhos" afins que esses países receberam.

Os racialistas simplistas dizem logo que isto é porque os nórdicos são intelectualmente superiores aos povos do Mediterrâneo, mas eu acredito que a romanização do Sul da Europa é a chave para compreender este fenómeno: quer queiramos quer não, a cultura de Portugal é mais próxima da cultura de Espanha e da Itália do que da cultura da Alemanha ou da Grã-Bretanha. E era ainda mais próxima há 500 anos atrás! É por isso natural que a distribuição da fé siga mais ou menos a distribuição da cultura e dos sistemas de poder milenares do Sul da Europa, não deixando contudo de ser influenciados pelos pensadores do Norte.

A fundação de Portugal, por exemplo, é indissociável da ICAR, porque Portugal nasce da luta contra os mouros, sendo legitimado nessa luta e finalmente reconhecido como nação pelo Papa. Estes acontecimentos tiveram certamente um impacto psicológico muito profundo nos portugueses dessa época, que viram na Igreja não apenas a autoridade divina mas também a legítima jurisdição terrena, austera nas questões da fé mas suficientemente benigna para os reconhecer como povo e como país independente. Estes vínculos políticos, militares, religiosos e afectivos não se quebram facilmente, por muito que os ateus de esquerda achem que é tudo uma questão de racionalidade (acham o tanas, porque senão também aplicavam a “racionalidade” ao Islão!)

Anónimo disse...

Sim de facto a ICAR está quase que diretamente relacionada com o nascimento do nosso país algo que não acontece com os países mais a norte, e é fácil esquecermo-nos desse pormenor.

Ass:FdT

Afonso de Portugal disse...

É isso, há uma presença muito forte da ICAR no nosso imaginário colectivo, não apenas no plano religioso mas no própria mundivisão das pessoas. Isso foi bom nalgumas coisas, mas mau noutras, sendo que nos últimos anos apenas parece ter ficado o mau...

Anónimo disse...

No entanto, pergunto-me se estaríamos nesta situação se não tivéssemos tido o Iluminismo e o Protestantismo.

ainda estariam no medievo infelizmente os saltos vieram com os problemas basta colocar num simulador

Anónimo disse...

Blogger Afonso de Portugal disse...
Sim, eu também acho que a genética desempenhou e continua a desempenhar um papel preponderante no declínio generalizado da fé no Ocidente.

a genetica gerou salto tecnico economico social com a cultura associada anterior estavel e isso resultou no resto do que adianta esses países atrasados dominando a fé a replicação o mundo só vai piorar não pela fé em si mas pela falsa fé de ethos menos elevada pela genetica com outros padrões

Anónimo disse...

não assinei por que não quero ser publicado apenas interagir com o dono do blog alem palco pois isso ta tudo monitorado ilegalmente não ha liberdade real no ocidente

Afonso de Portugal disse...

Pois, mas se não assinares não há forma de eu interagir contigo! Não é por assumires uma alcunha que vais passar a ser perseguido, se isso funcionasse assim eu já estaria na prisão há muito tempo! Eu até sei quem tu és, mas não é justo eu permitir que tu escrevas sem assinar enquanto outros leitores têm de o fazer. Lamento, sabes que eu até tenho uma grande simpatia por ti, és dos poucos nazionaliztaz que se aproveitam, mas não posso fazer cendências neste capítulo.