quarta-feira, 6 de junho de 2018

Douglas Murray entrevistado pelos cabrões dos sapos (4ª Parte)


     O livro "A Estranha Morte da Europa", de que vos falei um  pouco aqui e aqui, foi finalmente publicado em português abortês. Por ocasião do lançamento dessa versão "portuguesa", o Sr. Murray concedeu uma entrevista aos cabrões dos sapos que decidi reproduzir na íntegra aqui no TU, mas com os meus próprios comentários. Esta é a quarta parte da entrevista. Quem ainda não tiver lido as primeiras três partes, deve começar por ler Douglas Murray entrevistado pelos cabrões dos sapos 1ª Parte, 2ª Parte e 3ª Parte.
«Sapos: Isso é porque os ingleses são pedantes (snobs). Têm uma atitude de superioridade. Vão viver no sul de Espanha e não se misturam com os espanhóis. Vivem em condomínios fechados, beneficiam do bom tempo e votaram a favor do Brexit... Os franceses também não são pêra doce, sobretudo os parisienses. Mas não são pedantes no mesmo sentido. Acham que toda a gente que vai para França se deve tornar francês, falar francês.
Douglas Murray: Acho que há uma razão específica para os britânicos serem assim. Há os ingleses, os escoceses e os galeses – e os irlandeses. Provavelmente a maioria das pessoas percebe que não se pode ser britânico. Por isso é que temos intermináveis discussões há mais de vinte anos sobre o que é ser britânico. Ser britânico é já uma identidade multicultural entre quatro nações diferentes. Portanto, talvez um paquistanês possa tornar-se britânico mas não possa ser irlandês do Norte.»


Reparem bem na forma como é colocada a pergunta dos cabrões dos sapos: logo a abrir, uma generalização que jamais seria aceite se fosse feita com os africanos, os muçulmanos, os ciganos ou qualquer outra "minoria" étnica, a de que "os ingleses são pedantes". Mas ainda mais cretina do que essa generalização é a inclusão perfeitamente absurda do Brexit nesta conversa! Reparem bem, os ingleses "têm uma atitude de superioridade (...) votaram a favor do Brexit"! Estes jornalixistas nojentos sabem perfeitamente que os ingleses não escolheram o Brexit por se sentirem superiores, mas sim por se sentirem roubados, menorizados e desgovernados pela União Europeia! Tanta demagogia dá vómitos, senhores "jornalistas"!
«Sapos: Realmente, nessa perspectiva, não há uma unidade. Até os ingleses do Norte e do Sul são diferentes. 
Douglas Murray: Bem, e em todos os países há o problema das grandes cidades. A grande cidade é outra realidade, Londres é muito diferente do resto do Reino Unido.

Sapos: Então e o Brexit? É uma boa ou má ideia?

Douglas Murray: Eu fui a favor do Brexit, com uma certa relutância. Há uma situação a acontecer nesta altura que justificou a minha decisão. Pense-se o que se pensar, o facto é que a UE é tão monopolizadora quanto à questão da imigração de me levou a votar pelo Brexit.

Sapos: Mas o problema da imigração no Reino Unido não tem nada a ver com os refugiados na UE.

Douglas Murray: Pois não. Mas a UE – Merkel e Junker – não podiam ter tomado aquela decisão. O facto é que o Continente inteiro, contra a vontade dos estados membros, ficou refém da vontade deles, o que é mau. Mas entretanto há desenvolvimentos mais recentes. Pense-se o que se pensar do Brexit, nos dois anos desde que ocorreu fizemos muitas asneiras. Tem sido um caos.»

Como eu disse acima, a posição do Sr. Murray em relação ao Brexit prova que não foram os ingleses que tiveram a mania que eram superiores, mas sim a arrogância autoritária da (des)União Europeia e, em particular, a insistência prepotente da velhaca ex-Stasi Mer(d)kel e do seu lacaio bêbado Juncker (entre muitos outros) em "renovar demograficamente a Europa" com gente que não tem nada de europeia, nem étnica, nem culturalmente!!!

«Sapos: Por causa da incompetência do Governo de Theresa May?

Douglas Murray: E do David Cameron, que disse que ficava qualquer que fosse o resultado, e que depois saiu. A Theresa May está a fazer o que o Tratado diz que devia fazer. Não devia ter pedido eleições intercalares. A situação é que a Grã-Bretanha votou para sair da UE ao fim de anos de desconforto com as imposições de soberania que a UE nos impôs. No entanto, depois de votarmos para sair, punimos toda a classe política. O David Cameron não se devia ter demitido.

É por isso que tenho admiração pela Sra. May; pelo menos ela aguentou os cavalos. O Ministro das Finanças também se demitiu. Ele e Cameron saíram do Parlamento. O Partido trabalhista esfacelou-se. O eleitor foi chamado a votar para dar ao novo Governo uma maioria maior e puniu todos os partidos. Puniu os conservadores por causa da Theresa May e puniu os trabalhistas, e ninguém teve maioria. Foi o que o povo teve a dizer à classe política.

Agora, compare esta situação com o que aconteceu na UE desde o referendo. A UE perdeu o segundo maior contribuinte e, pense-se o que se pensar, foi o acto mais significativo que aconteceu desde a fundação da UE. Ninguém se demitiu, nem se moveu – ninguém, ao nível da UE. Todavia, em qualquer instituição normal – uma empresa que perde um dos seus accionistas mais importantes, por exemplo – levaria a que a administração, ou pelo menos o administrador executivo se demitisse. Uma mudança, um reconhecimento, porque é que aconteceu, o que perdemos?»

Este é um dos momentos mais brilhantes e pertinentes da entrevista. A pergunta que o Sr. Murray faz em relação à demissão dos líderes da UE é uma pergunta que praticamente mais ninguém na Europa fez. E, no entanto, é uma das perguntas mais importantes que já se fizeram a propósito do Brexit! Ora, porque é que quase ninguém fez esta pergunta e ainda menos gente respondeu? É simples: porque os líderes da UE -a Comissão Europeia- não têm que prestar contas a ninguém (a não ser aos seus próprios donos, que nem sequer dão a cara em público)! Esta é uma das facetas mais sinistras e intoleráveis da UE! Só esta realidade, só por si, já justifica em pleno o Brexit: a UE é apresentada como uma das entidades mais democráticas de todo o mundo mas, na prática, todas as decisões são tomadas por uma classe de sabujos não-eleitos!!!
«Sapos: Eles não vêem as coisas assim. Não se demitiram porque consideraram, correctamente, que tinham sido eleitos pelos seus cidadãos e esses cidadãos não mostraram querer que eles se demitissem.

Douglas Murray: O meu argumento é de que a não resposta de Bruxelas ao Brexit é uma demonstração de porque é que tínhamos de sair. Não é assim que um corpo responsável reagiria a um choque brutal ao sistema. O que eles fizeram foi avançar ainda mais depressa.»

"Correctamente", cabrões dos sapos?! "Correctamente"?!?!?!? É mentira que eles tenham sido eleitos pelos seus cidadãos! É absolutamente MENTIRA!!!! Os comissários europeus não são eleitos, são nomeados! E como a Comissão Europeia é o único órgão da UE que pode propor nova legislação, isso significa que, na prática, os líderes da UE nunca, repito NUNCA são eleitos de facto!!! Isto já foi explicado tantas vezes pelos críticos da UE que é assombroso que ainda haja tanta gente que insiste em repetir a mentira!

Entendam uma coisa de uma vez por todas: o Parlamento Europeu é o único órgão da UE constituído por pessoas eleitas, mas o PE só tem poder para aprovar ou rejeitar a legislação proposta pela CE, mais nada! E pior do que isso, a CE nem sequer é obrigada a aceitar essa rejeição, porque o PE não é um órgão vinculativo, apenas consultivo!!! Ninguém tem desculpa para não saber disto nesta altura do campeonato!!! São os comissários europeus -e só os comissários europeus- que mandam efectivamente na UE, mais ninguém!!!
«Sapos: Sentiram-se mais insultados do que outra coisa qualquer.

Douglas Murray: Pois eu, senti-me traído. Um reacção de fúria é uma reação legítima, mas é necessário algum tipo de auto questionamento.»

"Sentiram-se insultados", diagnosticam os cabrões dos sapos! Pois eu também me sinto insultado com os cabrões dos sapos e com a forma vergonhosa como eles conduziram esta entrevista ao Sr. Murray! Se os tiranos da UE se sentiram insultados, o problema foi deles e só deles! Essa atitude birrenta, indigna de alguém que governa toda a Europa só demonstra que, de facto, estamos na presença de totalitaristas, não de democratas!!!

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Ver também:

«A Europa está a cometer suicídio»
«Os europeus perderam o "sentido trágico da vida
Douglas Murray sobre as diferenças idiossincráticas entre o Oeste e o Leste da Europa
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