quinta-feira, 28 de junho de 2018

Ainda sobre a religiosidade dos portugueses (e dos oeste-europeus)


      Em complemento a este gráfico que divulguei aqui no TU há alguns dias, deixo agora também esta tabela, elaborada pelo prestigiado Pew Research Center há pouco mais de um ano. Nela podem ver-se vários números, que correspondem, em cada linha da tabela, à percentagem de população não-muçulmana no país listado correspondente, que respondeu afirmativamente a cada uma das quatro questões elencadas no cabeçalho da tabela:
1. Acredita em Deus com certeza absoluta?
2. Acredita em Deus com bastante certeza?
3. Acredita em Deus mas sem certeza?
4. Não acredita em Deus?


Pode ver-se que Portugal é o país da Europa Ocidental em que mais não-muçulmanos acreditam em Deus com certeza absoluta (44%). Portugal é também o país da Europa Ocidental em que menos pessoas afirmam não acreditar em Deus (13%).

Comparativamente ao gráfico que publiquei há uns dias atrás, esta tabela contém vários resultados interessantes:
  1. Se os caros leitores bem se recordam, o gráfico mostrava que os países mais religiosos da Europa eram a Croácia, a Moldávia, a Geórgia e Portugal; mas como esta tabela apenas inclui os países da Europa Ocidental, a liderança de Portugal não é surpreendente.
  2. No entanto, os países menos religiosos do gráfico eram o Reino Unido, a Suíça, a Áustria e a Alemanha; mas agora aparece a França como um dos países menos religiosos! O que mudou? É simples: a tabela só contabiliza não-muçulmanos; isto confirma mais uma vez que, contrariamente ao que nos dizem os globalistas, a presença do Islão em França é significativa.
  3. Mais escandalosas ainda são as percentagens de ateus (última coluna) na Holanda (53%), na Bélgica (54%) e na Suécia (60%); o gráfico mostrava que, na Holanda cerca de 20% de pessoas rezam todos os dias; mas agora a tabela mostra que 53% dos holandeses não-muçulmanos são ateus!!!
  4. Olhando para os dados inscritos nesta tabela e também para os pontos do gráfico, parece haver uma tendência para os países católicos serem mais religiosos do que os não-católicos. No entanto, há uma excepção curiosa na tabela, a da Finlândia! 
  5. Contrariamente ao que muitos julgam, os países nórdicos não são aqueles que têm menos crentes fervorosos. Têm de facto mais ateus, em termos percentuais, mas também têm mais crentes convictos do que países como a Alemanha, A França, o Reino Unido ou a Suíça.

7 comentários:

Ilo Stabet disse...

Olá Afonso,

eu acho que as estatísticas contam em geral uma história muito enviesada quando se trata de assuntos não facilmente quantificáveis. por exemplo, se estatísticas criminais por raça são absolutamente certeiras, estas deixam muito a desejar e requerem muita interpretação.

por isso gostava de salientar dois pontos:

1) toda a gente é religiosa, só depende que religião praticam. os alienados que gritam e sofrem com o Benfica não são religiosos? os alienados que ficam em filas para comprar o novo Iphone não são religiosos? os alienados que acampam à entrada dos auditórios para concertos não são religiosos? eu diria que o são claramente. e estes são os casos de maior devoção. na realidade, toda a gente reza perante um deus qualquer e pratica uma qualquer religião. como dizia o Chesterton, quando se deixa de acreditar em Deus, é fácil passar a acreditar em qualquer coisa.

2) o Demónio também acredita em Deus. Piamente. Mas isso nada quer dizer. A crença não é suficiente, nem o é ir à missa ou rezar, se depois quando saiem da Igreja ou quando acabam de rezar vão contrariar, na mente, no coração e na prática, tudo aquilo em que supostamente acreditam. Como já disse num texto, quem se diz Cristão e apoia a invasão alógena está, na melhor das hipóteses, profundamente ignorante sobre o assunto (e como tal, por humildade, não se devia pronunciar), mas muito mais provavelmente, é simplesmente um falso Cristão, que proclama a fé mas não a pratica. Pelo contrário, será mais Cristão aquele que até tenha algumas dúvidas sobre questões de fé e não a proclame abertamente, mas que a pratique.

Para ilustrar que se reconhece isto há muito tempo como verdadeiro (e que como tal estas estatísticas não contam a história verdadeira do Cristianismo entre os nossos compatriotas), cito da Carta de S. Tiago, 2:

14De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? 15Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, 16e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? 17Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta.

18Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé. 19Tu crês que há um só Deus? Fazes bem. Também o crêem os demónios, mas enchem-se de terror.»

20Queres tu saber, ó homem insensato, como é que a fé sem obras é estéril? 21Não foi porventura pelas obras que Abraão, nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaac? 22Repara que a fé cooperava com as suas obras e que, pelas obras, a sua fé se tornou perfeita. 23E assim se cumpriu a Escritura que diz: Abraão acreditou em Deus e isso foi-lhe contado como justiça, e foi chamado amigo de Deus.

24Vedes, pois, como o homem fica justificado pelas obras e não somente pela fé.»

Pequena Marilu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

https://observador.pt/opiniao/tem-mesmo-a-certeza-que-querem-receber-mais-imigrantes/

Estou de boca aberta.

G, o Cigano

Anónimo disse...

Bom dia Afonso ,

Acreditar em Deus e sobretudo uma questao de sabedoria, recionalidade e bom senso,. Recomendo a conferencia do Professor Jhon Lennox sobre esta questao, para quem estiver interessado.

Cumprimentos e obrigada pelo seu trabalho.

Afonso de Portugal disse...

Ilo Stabet disse…
«toda a gente é religiosa, só depende que religião praticam. os alienados que gritam e sofrem com o Benfica não são religiosos? os alienados que ficam em filas para comprar o novo Iphone não são religiosos? os alienados que acampam à entrada dos auditórios para concertos não são religiosos? eu diria que o são claramente»

Eu até entendo o que o caro Ilo quer dizer mas, tanto quanto eu entendo a religião, ela prende-se com a crença no divino na vida para além da morte. É por isso que eu não consigo incluir nem os adeptos do futebol, nem os seguidores de modas acéfalas na categoria de religiosos, porque considero que essas pessoas são sobretudo pessoas básicas, incapazes de lidar com as suas emoções e instintos primários.


«como dizia o Chesterton, quando se deixa de acreditar em Deus, é fácil passar a acreditar em qualquer coisa.»

Concordo, mas isso é outra história, e também aqui temos um ponto de discórdia: eu vejo muitos cristãos, muçulmanos e ateus que são fanáticos por futebol, fãs de música rasca e seguidores de modas acéfalas. Ou seja, ser religioso não implica necessariamente conseguir resistir às tentações terrenas. A isto o caro Ilo contraporá que esses não são verdadeiros religiosos, mas eu receio que a coisa não seja assim tão simples. A maioria dos cristãos não parece ser capaz de se divorciar das coisas materiais, daquilo que é terreno, mesmo quando é devota em relação à espiritualidade. O problema é que há a religião e depois há a vida que todos temos que viver. E é aí, no plano do viver de facto, que tudo se complica…


«A crença não é suficiente, nem o é ir à missa ou rezar, se depois quando saiem da Igreja ou quando acabam de rezar vão contrariar, na mente, no coração e na prática, tudo aquilo em que supostamente acreditam.»

O problema é que a religião, para a maioria dos crentes, é uma espécie de rotina ou de obrigação que é preciso seguir. Poucos são aqueles que vivem a religião de facto. Não sei como é que isso se pode contrariar, porque eu próprio já perdi a fé.


«Como já disse num texto, quem se diz Cristão e apoia a invasão alógena está, na melhor das hipóteses, profundamente ignorante sobre o assunto (e como tal, por humildade, não se devia pronunciar), mas muito mais provavelmente, é simplesmente um falso Cristão, que proclama a fé mas não a pratica. Pelo contrário, será mais Cristão aquele que até tenha algumas dúvidas sobre questões de fé e não a proclame abertamente, mas que a pratique.»

Eu gostava muito de concordar com isso, mas o que eu tenho visto, na prática, é que os clérigos religiosos são maioritariamente favoráveis à imigração… e o rebanho vai atrás sem protestar ou fazer ondas, mesmo quando não concorda. Quando um padre diz que “acolher os imigrantes é o nosso dever moral”, por exemplo, a maioria dos cristãos não tem defesas, amocha e resigna-se.


«Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará?»

Mas, caro Ilo, é precisamente este tipo de passagens que tem sido usada pelos clérigos cristãos para defender a imigração. Eles dizem que o irmão e a irmã que estão nus sãos os imigrantes e que os europeus “egoístas” que não os ajudam não são cristãos de verdade. Basta relembrarmos o comentário do canalha Bergolgio sobre o Presidente Trump: «ele não é um verdadeiro cristão, porque ele quer fazer muros, enquanto os cristãos fazem pontes»…

Afonso de Portugal disse...

Anónimo disse…
«Este comentário foi removido pelo autor.»

Olha, arrependeu-se! :P


G, o cigano disse…
«Estou de boca aberta»

De facto, o JMF tem feito vários artigos sobre a imigração recentemente, mas nesse foi mais longe do que tinha ido em qualquer um dos anteriores! É mais um sinal de que as elites estão a ficar aflitas, começam a perceber o enorme potencial que a imigração tem de mudar a ordem das coisas...


Anónima disse…
«Bom dia Afonso»

Bom dia, anónima. Eu aqui no TU só interajo com pessoas que assinem os seus comentários. Repare nos comentários anteriores: aparecem as alcunhas ‘Ilo Stabet’ e ‘G, o cigano’. Sugiro que crie uma assinatura semelhante nos seus comentários futuros.

Ilo Stabet disse...

Olá Afonso,


«Eu até entendo o que o caro Ilo quer dizer mas, tanto quanto eu entendo a religião, ela prende-se com a crença no divino na vida para além da morte. É por isso que eu não consigo incluir nem os adeptos do futebol, nem os seguidores de modas acéfalas na categoria de religiosos, porque considero que essas pessoas são sobretudo pessoas básicas, incapazes de lidar com as suas emoções e instintos primários.»

Considero essa definição demasiado restricta, porque através dela nem sequer o Budismo ou algumas formas de Paganismo são religião. Pessoas básicas e emocionalmente instável sempre houve - o que mudou foi a religião que seguem: antes o Cristianismo, hoje todas essas outras coisas que mencionei (incluindo os Cristãos).

«Concordo, mas isso é outra história, e também aqui temos um ponto de discórdia: eu vejo muitos cristãos, muçulmanos e ateus que são fanáticos por futebol, fãs de música rasca e seguidores de modas acéfalas. Ou seja, ser religioso não implica necessariamente conseguir resistir às tentações terrenas. A isto o caro Ilo contraporá que esses não são verdadeiros religiosos, mas eu receio que a coisa não seja assim tão simples. A maioria dos cristãos não parece ser capaz de se divorciar das coisas materiais, daquilo que é terreno, mesmo quando é devota em relação à espiritualidade. O problema é que há a religião e depois há a vida que todos temos que viver. E é aí, no plano do viver de facto, que tudo se complica…»

Quase ninguém se consegue desligar totalmente, aliás, nem Cristo quer isso de nós (apenas de uma pequena minoria, os ascetas). O que escrevi acima aplica-se aqui: o que mudou foi a religião que as pessoas seguem. Os portugueses sempre gostaram de comer, beber e festejar, mas não faziam em geral dos seus prazeres terrenos uma religião em si mesma. Agora, maioritariamente, fazem. Por alguma razão o Primeiro Mandamento (que os Católilcos Romanos alteraram...) é que não se tenha outros deuses para além Dele. A maioria dos Cristãos quebram-no constantemente, e nem se apercebem ou não querem saber.


«O problema é que a religião, para a maioria dos crentes, é uma espécie de rotina ou de obrigação que é preciso seguir. Poucos são aqueles que vivem a religião de facto. Não sei como é que isso se pode contrariar, porque eu próprio já perdi a fé.»

A fé vem da obediência. Os desobedientes podem dizer que têm fé mas, como disse acima, desobedecem até ao Primeiro Mandamento. Contraria-se facilmente, é simplesmente preciso tomar consciência de que estamos errados e corrigir as nossas acções.


«Eu gostava muito de concordar com isso, mas o que eu tenho visto, na prática, é que os clérigos religiosos são maioritariamente favoráveis à imigração… e o rebanho vai atrás sem protestar ou fazer ondas, mesmo quando não concorda. Quando um padre diz que “acolher os imigrantes é o nosso dever moral”, por exemplo, a maioria dos cristãos não tem defesas, amocha e resigna-se (...) é precisamente este tipo de passagens que tem sido usada pelos clérigos cristãos para defender a imigração. Eles dizem que o irmão e a irmã que estão nus sãos os imigrantes e que os europeus “egoístas” que não os ajudam não são cristãos de verdade. Basta relembrarmos o comentário do canalha Bergolgio sobre o Presidente Trump: «ele não é um verdadeiro cristão, porque ele quer fazer muros, enquanto os cristãos fazem pontes»…»


Essa visão é absolutamente errada de um ponto de vista Bíblico e antagónica ao princípio básico do Cristianismo. Expliquei isso neste texto: https://portugalintegral.wordpress.com/2018/05/30/o-problema-da-fundacao/ (saltar para o parágrafo que lida com os identitários e como estão errados sobre o Cristianismo - em que explico porque a maioria dos Cristãos também estão enganados - ou propositadamente mentem sobre o assunto, como a liderança Católica Romana).

um abraço
Ilo