quarta-feira, 30 de maio de 2018

Douglas Murray entrevistado pelos cabrões dos sapos (2ª Parte)


    O livro "A Estranha Morte da Europa", de que vos falei um  pouco aqui e aqui, foi finalmente publicado em português abortês. Por ocasião do lançamento dessa versão "portuguesa", o Sr. Murray concedeu uma entrevista aos cabrões dos sapos, que decidi reproduzir na íntegra aqui no TU, mas com os meus próprios comentários. Esta é a segunda parte da entrevista. Quem ainda não tiver lido a primeira parte, deve começar por aqui: Douglas Murray entrevistado pelos cabrões dos sapos (1ª Parte).
«Sapos: Está a referir-se aos políticos de algum partido em particular, ou à esquerda em geral? Porque a esquerda não tem essa força toda. Politicamente, considerando as eleições, a esquerda tem perdido muito terreno. O Partido Socialista francês quase que desapareceu, os partidos comunistas em toda a Europa volatilizaram-se e, em geral, as esquerdas estão muito enfraquecidas.

Douglas Murray: Há uma razão específica para essa situação, é que as esquerdas desistiram de representar a classe trabalhadora.»

Aqui o Sr. Murray tentou claramente evitar falar da direita, sendo esta uma das suas facetas que eu reprovo. Neste ponto em particular, os cabrões dos sapos têm toda a razão, ao contrário do que acontece com o resto da entrevista: a imigração tem sido a estratégia mais usada pela direita ocidental para tentar manter os salários dos trabalhadores em níveis baixos e, em simultâneo, abrir os mercados das nações ao mundo.

«Sapos: Bem, eu diria que é porque ninguém se identifica como “classe trabalhadora”. As pessoas continuam a trabalhar, evidentemente, mas aburguesaram-se, as suas ambições são ter um carro, uma casa, férias... Quando a esquerda fala na “classe trabalhadora”, no sentido do operário suado de fato de macaco, as pessoas não acham que lhes diga respeito.
Douglas Murray: Poderá haver outra razão, que é a quantidade de pessoas que a esquerda dantes queria representar mas que agora não gosta da postura dessas pessoas. Acha que são territoriais e mesquinhas. Não são nada disso, mas a esquerda acha que são. E os novos apoiantes da esquerda são a favor do multiculturalismo, dos interesses das minorias, e não chegam para fazer uma maioria eleitoral.»

Bem respondido! Os cabrões dos sapos tentaram sonsamente reduzir a classe trabalhadora a uma caricatura do operário fabril do início do século XX, desconhecedor dos seus direitos, excessivamente humilde e subserviente para com os seus patrões exploradores. Mas a verdade é que as pessoas, mesmo as mais humildes, sempre tiveram ambições. E desejar usufruir de prosperidade material não é aburguesar-se, é simplesmente acordar para a vida! Desde que, é claro, essa prosperidade material resulte do trabalho e acumulação de capital legítimos e não da chico-espertice corrupta ou do parasitismo via Estado Social.

E claro, o grande problema com a esquerda nem sequer são as aspirações materialistas do povo, como os cabrões dos sapos hipocritamente sugerem. O problema é que o povo não gosta de imigração massiva e a esquerda não só gosta como depende dela para triunfar porque, como eu já denunciei várias vezes aqui no TU, os imigrantes votam sobretudo na esquerda.
«Sapos: Acha? Porque há muitas contradições na esquerda, como no caso da Palestina. Agora é contra Israel, embora os judeus sempre tenham sido de esquerda.

Douglas Murray: Pois é, há um livro de Norman Podhoretz que se chama “Porque é que os judeus são liberais.”»

Mais uma vez, os cabrões dos sapos misturam alhos com bugalhos. Não há aqui qualquer contradição, a esquerda é perfeitamente coerente em relação aos judeus. O problema é que uma coisa são os judeus no Ocidente, outra coisa são os judeus em Israel. A esquerda apoia inequivocamente os judeus no Ocidente, defende a sua presença na Europa e na América do Norte e encoraja a perseguição activa a quem os critica e ataca... com a excepção do Islão. E porquê? Porque o Islão constitui uma força poderosa de erosão da moral, da lei e da própria hierarquia social do Ocidente.

É também por esse motivo que a esquerda critica Israel e aspira à sua destruição, não se trata de simpatia pelo povo palestiniano, embora seja esse o argumento mais frequentemente invocado pelos esquerdistas, mas sim de perpetuar uma determinada narrativa: "Israel é um país colonialista e o colonialismo é um crime contra a humanidade". A esquerda não quer que os países capitalistas tenham qualquer influência fora do Ocidente, porque isso implica quase sempre a perda de influência do pensamento marxista no mundo. Israel é por isso um pesadelo para esquerda, não só é um país capitalista, como ainda por cima nem sequer faz parte do Ocidente em termos geográficos!
«Sapos: Surpreendeu-me que não citasse certos autores. Fala no Stefan Zweig, mas não diz nada sobre Spengler ou Toynbee, precisamente os pensadores que previram a morte da Europa.

Douglas Murray: Acho que houve uma razão, inconsciente mas deliberada. Não quis escrever uma versão actualizada do “Declínio do Ocidente” de Spengler, porque acho que não é por aí. No final do livro digo que quando acabar este século a China ainda terá a sua identidade, a Índia também, mas a Europa será uma estranha mistura, uma espécie de... quem sabe, será apenas um ponto de encontro esquisito das Nações Unidas.»

Muito bem respondido, mais uma vez! Spengler e Toynbee previram a perda de influência do Ocidente, mas não a destruição do próprio Ocidente! Ou seja, a situação em que estamos é muito pior do que aquela que eles previram porque, entre a iminvasão massiva e a perda da sua própria identidade, o Ocidente arrisca-se a ficar irreconhecível, parecido ao terceiro-mundo!
«Sapo: A sua tese é que os brancos não se misturam, não é? Diz que um branco a viver na China será sempre um branco, mas que os europeus acham que um chinês que venha para cá deve transformar-se num europeu.

Douglas Murray: Essa é uma das situações que toda a gente sabe que existe mas ninguém quer falar nisso. Se eu for viver para a China, serei sempre o tipo inglês, o “bife”. E se tiver filhos na China, é expectável ['espectável' é outra coisa, ó sapos!] que comam comida chinesa e falem chinês, mas nunca ninguém dirá “olha aqueles miúdos chineses”. Serão sempre miúdos brancos, ingleses. Isso é um ponto aceite. Mas há mais; se eu tentar ser chinês e começar a vestir-me e a comportar-me como eles, sou acusado de apropriação cultural! Como se fosse um preconceituoso.  
Então, eu acho que os europeus estão cercados. Não podem sair da Europa e ser outra coisa qualquer. Mesmo que fôssemos viver para os Estados Unidos ou para a Austrália, seríamos sempre vistos como europeus. Digo isto porque não compreendo como é que agora uma pessoa de qualquer parte do mundo pode vir para a Europa e declarar-se europeu. É uma aspiração que é uma mentira, uma mentira branca, porque devemos acreditar nisso? Um chinês ou um asiático pode vir para a Europa e continua chinês ou asiático, mas nós fazemos de conta que eles podem ser como nós.
«Sapos: Os chineses, nem tanto.

Douglas Murray: Pois, os chineses não, mas os asiáticos sim. E este é o âmago de uma das confusões... uma tristeza que pensemos assim. Estamos cercados por sermos como somos, e contudo dizemos que o mundo pode vir para cá e ser como nós.»

A grande questão é saber porquê. Porque é que apenas os ocidentais têm de integrar os alógenos, enquanto os alógenos não têm de integrar os ocidentais? É aqui que reside a chave para se compreender o que aconteceu ao Ocidente no último meio século. E a resposta é muito simples, por mais que alguns papagaios da nossa praça a queiram tornar complicada: os ocidentais estão a ser pressionados a misturar-se com os invasores e a autodestruir-se porque a eliminação física dos povos do Ocidente resultará na destruição da própria Civilização Ocidental, que é o grande objetivo dos promotores da imigração, tanto à esquerda, como à direita políticas, líderes religiosos incluídos!

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Ver também:

2 comentários:

Ricardo Amaral disse...

"Não há aqui qualquer contradição, a esquerda é perfeitamente coerente em relação aos judeus. O problema é que uma coisa são os judeus no Ocidente, outra coisa são os judeus em Israel. A esquerda apoia inequivocamente os judeus no Ocidente, defende a sua presença na Europa e na América do Norte e encoraja a perseguição activa a quem os critica e ataca... com a excepção do Islão. E porquê? Porque o Islão constitui uma força poderosa de erosão da moral, da lei e da própria hierarquia social do Ocidente."----------------------------------Completamente na mouche!

Afonso de Portugal disse...

Estes dois entrevistadores do sapo.pt são uns veradeiros cretinos, caro Ricardo Amaral! Tive de ler esta entrevista às prestações, porque tive várias vezes vontade de esmurrar o monitor!