segunda-feira, 28 de maio de 2018

Douglas Murray entrevistado pelos cabrões dos sapos (1ª Parte)


     O livro "A Estranha Morte da Europa", de que vos falei um  pouco aqui e aqui, foi finalmente publicado em português abortês. Por ocasião do lançamento dessa versão "portuguesa", o Sr. Murray concedeu uma entrevista aos cabrões dos sapos que, como não podia deixar de ser, foram extremamente parciais e condescendentes para com o Sr. Murray, distorcendo várias vezes o que ele disse e, inclusivamente, tentando colocar palavras na sua boca.



Decidi por isso reproduzir aqui a entrevista na íntegra, mas com os meus próprios comentários. Dada a sua extensão, optei por fazê-lo em várias partes, sendo esta a primeira. Um muito obrigado! ao Bilder, autor de vários blogues interessantes, por nos ter trazido aqui o link para a entrevista.
«Na radicalização acelerada do tempo em que vivemos, é costume ver os nacionalistas como tipos violentos, de cabelo rapado e botas cardadas, a dar pontapés nos imigrantes. Mas o estereótipo é apenas isso, um estereótipo. Há, na direita de qualquer país europeu, pessoas bem-intencionadas que falam suavemente e apresentam os seus argumentos com elegância. Douglas Murray é assim.»

É com este parágrafo sonso que os dois entrevistadores do sapo.pt abrem a peça, de uma forma que muitos ingénuos poderão considerar benevolente e até elogiosa. Pura ilusão! A menção aos "tipos violentos, de cabelo rapado e botas cardadas, a dar pontapés nos imigrantes" não é de todo inocente e tem como objectivo incutir, desde o primeiro momento, a ideia seguinte nas mentes dos leitores: "atenção que este tipo fala bem e até é simpático, mas cuidado, porque ele é tão-somente um nazi engravatado e polido, não deixando contudo de ser um nazi." E se dúvidas houvesse a respeito destas intenções dos "jornalistas", elas são dissipadas no parágrafo imediatamente a seguir:
«Defende a sua dama – branca, cristã e implicitamente britânica – com luvas de pelica, fazendo as afirmações quase sempre precedidas de uma abertura ao diálogo: “pense-se o que se pensar”, “há quem diga”, “não acha que?” e usa muito o modo condicional: “não deveríamos?”, “talvez pudéssemos”. As suas conclusões são colocadas como hipóteses, o que não as torna menos contundentes, mas mais palatáveis. É um tipo simpático, despretensioso – sem aquele sotaque elitista britânico que dá logo um tom de superioridade pedante.»

Ou seja, o nazi do Murray é educado e aprendeu a empatizar com as pessoas, não é um nazi bronco arrogante que se julga detentor da verdade... mas atenção, não deixa de ser um nazi e é preciso ver que as suas opiniões são apenas "hipóteses", hããã!
«Jornalista do [jornal] conservador “Spectator”, Murray escreveu um livro, A Estranha Morte da Europa, que tem sido um sucesso internacional, tão elogiado como contestado. Isto porque o que diz talvez seja o que muita gente gostaria de dizer mas não tem coragem – aliás, este é um dos seus argumentos. 
O livro acaba de ser editado em português pela Desassossego, o que nos deu uma oportunidade de falar com ele. Mais uma conversa do que uma entrevista. 
É de notar que, tal como no livro, Murray fala de europeus e de ingleses como se fossem a mesma coisa, embora a sua visão e o seu mundo sejam essencialmente britânicos. No fundo é o ponto de vista de que existe um grupo branco e cristão com tradições comuns – os europeus – e que os ingleses são uma estirpe mais refinada desse grupo, com problemas de identidade iguais a todos os europeus e mais alguns exclusivos da sua diferença. 
Como ele diria, “goste-se ou não se goste”, vale a pena considerar estes pontos de vista. Não serve de nada considerar os que têm opinião contrária como umas bestas. A situação da Europa é demasiado complexa para ser vista a preto e branco.»

Não é de todo verdade que "a sua visão e o seu mundo sejam essencialmente britânicos". As suas preocupações e reservas quanto à imigração massiva são partilhadas por milhões de europeus em todo o continente! Além de que, para efeitos de discutir a imigração e as suas consequências, os ingleses e o resto dos europeus são efectivamente todos o mesmo, porque lidam todos com o mesmo fanómeno, por muito que isso custe aos entrevistadores. O problema da imigração é efectivamente um problema de âmbito europeu e a especificidade geográfica, étnica e cultural do Reino Unido nesta matéria não impede que as conclusões de "A Estranha Morte da Europa" sejam válidas para o resto do continente europeu. 

De resto, escrever que o Sr. Murray considera no seu livro que "os ingleses são uma estirpe mais refinada dos europeus" é um exagero. Eu também li o livro e o que ele diz é que os ingleses, por serem o país da Magna Carta, têm uma tradição mais enraizada de respeito pela liberdade individual do que o resto da Europa. Ou melhor, tinham, como bem ilustra a prisão recente do Tommy Robinson. Seja como for, escrever que o Sr. Murray acha "os ingleses são uma estirpe mais refinada dos europeus" é usar linguagem imprecisa e tendenciosa, sendo que, muito provavelmente, tem como objectivo fazer com que os leitores o encarem como mais um "bife" snobe e arrogante, coisa que ele definitivamente não é!

Passemos então à entrevista propriamente dita:
«Sapos: A primeira frase do seu livro é “A Europa está a suicidar-se”. A maioria das pessoas, mesmo aquelas que são a favor da inclusão dos imigrantes, concordaria com esta afirmação. Há um ambiente de que estamos no fim da nossa civilização. Contudo, em várias passagens, você diz que os governos têm tomado estas decisões (a favor da entrada e inclusão dos imigrantes) contra a vontade dos povos; mas os inquéritos de opinião mostram que a maioria das pessoas aceita a inclusão. E os governos foram eleitos com programas que defendem a inclusão – todos eles, excepto na Hungria, Áustria e na Polónia. Acha que as pessoas estão conscientes da questão, ou acha que não se interessam?

Douglas Murray
: Um dos pontos do livro é tentar explicar em que situação estamos. Pode gostar-se ou não, mas é essa a situação. Uma coisa que tentei, talvez subconscientemente, é dizer coisas que muita gente pensa mas não diz, sobre a inclusão e sobre outras coisas. Acho que isto é o pior: já não se pode pensar em voz alta
Sapos: Porque não é politicamente correcto?
Douglas Murray: Exactamente. O medo das acusações... Disse recentemente que costumávamos escrever, pensar e falar para garantir que um político desonesto não pudesse falsificar o que pensamos. Agora temos uma situação nova: temos de escrever e falar porque somos representados por políticos desonestos. Pessoas que não se interessam pelos nossos interesses, que não querem que apresentemos as nossas ideias, que querem mentir sobre o que pensamos e dizemos. Não podemos fazê-lo, mesmo tendo uma voz pública; é ainda pior para as pessoas que não a têm.»

Da mesma forma que a introdução à entrevista começou logo de uma forma proditória, também a primeira pergunta da própria entrevista é manifestamente desonesta, por misturar, de forma deliberada, alhos com bugalhos: é verdade que as sondagens indicam que os europeus aceitam a inclusão ou integração dos imigrantes, mas isso é muito diferente de aceitar a imigração massiva, de estar de acordo com a entrada de milhões e milhões de imigrantes na Europa, muito menos muçulmanos! A maioria dos europeus entende que a imigração pode ser positiva se feita em doses moderadas e se os imigrantes se integrarem na sociedade, i.e. se subscreverem os valores europeus de liberdade e respeito pelos direitos humanos, o que é totalmente diferente de estar de acordo com toda e qualquer forma de imigração, muito menos a imigração de fronteiras escancaradas!!! Ao não fazer qualquer distinção entre as duas situações, os cabrões dos sapos dão a entender que os europeus concordam com tudo o que tem sido feito na Europa em matéria de imigração, o que é pura e simplesmente FALSO! 

E também não é verdade que "os governos foram eleitos com programas que defendem a inclusão"! Desde quando é que os partidos políticos especificam claramente nos seus programas políticos quantos imigrantes pretendem importar se forem eleitos? Nenhum partido político na Europa faz isso! Veja-se o caso do lambedor de velhas Macron: durante a campanha eleitoral, evitou ao máximo falar sobre imigração mas, recentemente, advogou implicitamente a entrada de 200 milhões de africanos na Europa durante as próximas três décadas!!! Os cabrões dos sapos acham mesmo que ele foi honesto para com o seu eleitorado?! Os cabrões dos sapos acham mesmo que o povo francês teria votado nele à mesma se ele tivesse mencionado os tais 200 milhões no seu debate com Marine Le Pen?!?!?

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Ver também:

4 comentários:

Bilder disse...

Todos os "pulhiticos traidores" seguem isto https://planetadosprimatas.blogs.sapo.pt/a-armadilha-do-progresso-2254

Afonso de Portugal disse...

O caro Bilder já leu o livro que é mencionado nesse artigo? Valerá a pena comprá-lo?

Bilder disse...

Presumo que se refira ao José Pedro Fernandes,não li ainda mas vale concerteza a pena,ele tem outros interessantes(no link do wook).

Afonso de Portugal disse...

Sim, referia-me ao JPF. Ultimamente tenho sacado muitos livros na net, pelo que só estou disposto a gastar dinheiro com aqueles que valem realmente a pena!