quarta-feira, 2 de maio de 2018

Desculpem lá, José Manuel Fernandes & C.ª, mas nem pensar!


     O Observador da direitinha, até agora gratuito para todos os cibernautas, decidiu, nas palavras da sua direcção editorial, "lançar um programa de assinaturas". Por outras palavras, os direitinhas do Observador chegaram à conclusão de que manter um jornal gratuito online é um negócio ruinoso, pelo que decidiram começar a cobrar pelo "serviço".

"E qual é a surpresa, pá? Nós não criámos o Observador só para vos enganar... eeer...
perdão, para vos informar, nós criámo-lo sobretudo para facturar, pá!"

Não deixa de ser estranho que, sendo direitinhas, logo tendencialmente liberais no sentido económico e defensores da primazia dos mercados, os fundadores do Observador tenham demorado tanto tempo a dar-se conta da insustentabilidade da gratuitidade do seu jornal. E como eu sou um daqueles cépticos teimosos que não acredita na tese da incompetência dos portugueses, apenas na nossa corrupção e má-fé patológicas, não consigo deixar de pensar que a intenção da direcção do Observador nunca foi que o Observador fosse um jornal gratuito, mas sim um jornal para se pagar depois de um período gratuito destinado a atrair leitores.

Mas esta já clássica estratégia de marketing (eufemismo modernaço para aldrabice) nem é o maior dos meus problemas. O custo não é escandaloso: por ocasião do lançamento do programa de assinaturas, paga-se apenas 1 € nos primeiros dois meses (é espantoso como as coisas são sempre mais baratas quando são lançadas, não é?). Terminados esses dois meses, passa-se a pagar 7,9 € por cada bimestre adicional (3,95 € por mês). Também não fico particularmente incomodado pelo facto de o programa ter sido provicianament... eeer... perdão, elegantemente designado por "Premium", porque nestas coisas de vender o peixe aos totós é sempre melhor usar termos estrangeiros, ou não fosse o próprio José Manuel Fernandes o publisher (e não o editor) do Observador...






Não, o meu grande problema com esta coisa do "Observador Premium" é que o Observador não é um jornal de Direita, mas sim um jornal da direitinha, i.e. um jornal que só é de Direita no que respeita à economia e que é indistinguível da Esquerda noutras áreas que são tão ou mais importantes: cultura, tradição, identidade, património, demografia, etnicidade, civilização, ordenamento territorial, industrialização de Portugal, independência do país face ao exterior, etc.

E para aqueles que acharem que o que estou a dizer não é bem assim, aqui fica um exemplo dos contéudos "Premium" do Observador (clicar na imagem para aumentar o seu tamanho):


Ou seja, o Observador quer que nós passemos a pagar para ler as opiniões dos seus articulistas habituais! Mas porque havíamos nós de pagar para ler:
  • O Luís Aguiar-Conraria, que tem levado a cabo uma autêntica cruzada moral contra as diferenças salarias entre homens e mulheres, apesar de trabalhar numa universidade onde as mulheres são a maioria e do facto de essa diferença salarial ser um mito ideológico criado pela Esquerda? Que tem defendido que os imigrantes em Portugal são vítimas de racismo sem nunca ter apresentado uma única prova concreta de que assim seja?
  • A Maria João Marques, que acha devemos acreditar na palavra de toda e qualquer mulher que diga ter sido violada porque "as mulheres jamais mentiriam sobre uma coisa tão grave"? Que diz que o Milo Yiannopoulos "é um anti-intelectual" por ter a coragem de ir enfrentar os radicais de Esquerda às universidades, enquanto ela fala única e exclusivamente para audiências que pensam exactamente como ela? Que mistura constantemente as decisões condenáveis de um punhado de juízes misóginos portugueses com movimentos feministas, neomarxistas e pós-modernistas que nada têm a ver com o caso, como o #MeToo?
  • A Diana Soller, que não se coíbe em falar mal do Presidente Trump em praticamente todas as crónicas que escreve, sempre de forma desonesta e parcial como se tivesse transcrito tudo da CNN ou do Washington Post? Que condenou o Brexit e a recente vitória de Viktor Orbán na Hungria como "triunfos do populismo"? Que enaltece a União Europeia, que é dirigida de facto por um órgão constituído por canalhas não-eleitos (a Comissão Europeia) como o monumento mais genuíno à Democracia?
  • O Portocarrero de Almada, um relativista moral despudorado que parece encarar o Cristianismo como um mero livrinho de histórias, que concorda sempre com tudo aquilo que o escroque Bergoglio diz, desde a questão dos "refugiados" até à negação da doutrina fundamental da Igreja, passando pela própria interpretação revisionista e tendencialmente marxista dos evangelhos?
  • (Eu podia ficar aqui o resto do dia todo a fazer perguntas semelhantes em relação ao Rui Ramos, ao Alexandre Homem Cristo, à Ruth Manus, à Helena Garrido, à Rute Agulhas, ao José Milhazes, etc.) 

Não, desculpem lá, mas nem pensar! O Observador foi a melhor coisa que aconteceu no panorama jornalístico português nos últimos anos, mas ainda não chega. Decididamente, não chega! Portugal precisa de um jornalismo de Direita a sério, que seja capaz de compreender que o combate político não pode cingir-se ao plano económico, tem de ser travado sobretudo no plano sociocultural! Ora, os dois únicos escribas do Observador que fizeram isso foram a Helena Matos e o Alberto Gonçalves...  e mesmo assim, fizeram-no poucas vezes!

Portanto, desculpem lá, José Manuel Fernandes  & C.ª... mas nem pensar! Fiquem lá com o vosso "Premium" para vocês!

6 comentários:

Lura do Grilo disse...

Comigo o negócio está feito: 0 Euros por ano. Contrato vitalício.

João disse...

E mesmo o Gonçalves não dispensa o atestado de antifassismo. Numa das crónicas recentes referia-se a Salazar como sendo um "nacionalista rústico". Ser cosmopolita urbano é que é fixe. Vão a Londres, Paris e Nova Iorque, depois chamam piolheira a Portugal e ficam felizes.

Afonso de Portugal disse...

Lura do Grilo disse...
«Comigo o negócio está feito: 0 Euros por ano. Contrato vitalício.»

Eheheheh! O caro Lura do Grilo nunca me desilude! :) Estes imbecis do jornalixo ainda não perceberam que o povo já não precisa deles para nada! Hoje em dia, há tantas fontes de informação alternativa disponíveis na net -e bem mais fidedignas do que os nossos mé(r)dia- que a única utilidade que os jornais tradicionais ainda têm é servirem de barómetro do pensamento das nossas "elites"!


João disse...
«E mesmo o Gonçalves não dispensa o atestado de antifassismo. Numa das crónicas recentes referia-se a Salazar como sendo um "nacionalista rústico". Ser cosmopolita urbano é que é fixe. Vão a Londres, Paris e Nova Iorque, depois chamam piolheira a Portugal e ficam felizes.»

Bem lembrado! Eu li essa crónica na altura, mas já a tinha esquecido. É isso e a sua defesa intransigente do Passos Coelho, mesmo quando o ex-primeiro-ministro foi convidado para dar aulas no ISCSP! Como se o africanista de Massamá, sendo sempre preferível ao esquerdalho, fosse algum santo ou um exemplo acabado de competência...

João José Horta Nobre disse...

Nem gratuito eu já quero ler essa sucata do Observador. No início aquilo ainda tinha por lá umas coisas interessantes, mas de há um ano a esta parte, tornou-se mais do patente que o Observador não passa de mais um órgão de propaganda neoliberal e até mesmo já bastante infiltrado pelo Marxismo Cultural.

Viu-se bem recentemente o que se passou no caso da Síria. Aquilo foi um autêntico nojo. Toda a gente com dois palmos de testa sabe que o "ataque químico" foi uma operação de bandeira falsa, no entanto, o Observador literalmente repetiu a cassete da CNN e do "Jew" York Times, fazendo basicamente "copy paste" da narrativa do "sistema". Isto não é jornalismo. É propaganda. O Observador não passa de um órgão de propaganda da Nova Ordem Mundial.

Mais ainda. Quem é que financiou até agora o Observador? Já pensaram nisto? Onde é que esse jornal tem ido buscar o dinheiro para se manter vivo até agora? É óbvio que há uma "mão invisível" por detrás dessa operação de propaganda. É claro como água...

Lura do Grilo disse...

Até gosto do que Alberto Gonçalves escreve: esta está perdoada.

Afonso de Portugal disse...

João José Horta Nobre disse...
«Nem gratuito eu já quero ler essa sucata do Observador.»

LOL! EU compreendo-o perfeitamente, mas é essencial termos pelo menos uma noção do que se vai escrevendo nos "nossos" jornais, desde logo por uma questão de estarmos preparados para responder a certos não-argumentos que as nossas "elites" fazem por perpetuar.


«(...)o Observador não passa de mais um órgão de propaganda neoliberal e até mesmo já bastante infiltrado pelo Marxismo Cultural.»

Sim, é mesmo isso. Aliás, algumas horas depois de eu ter feito esta posta, o Impertinente (autor do blogue (im)Pertinências) denunciou uma tirada do Aguiar-Conraria que é marxismo clássico, nem sequer é cultural, é mesmo económico: «desde o Estado Novo que o capitalismo português é uma rede de interesses, em que política e negócios se misturam da pior maneira, e isso não mudou com a democracia (...) terão de ser os portugueses a mobilizarem-se com esse fim.»

https://impertinencias.blogspot.pt/2018/05/berloquismo-e-bem-pensancia-bacterias.html

Ora, esta valente porcaria que transcrevi acima é perfeitamente indistinguível do discurso de uma qualquer Mortágua, Catarina Martins ou Boaventura Sousa Santos. É uma interpretação estritamente ideológica da realidade, que termina com um apelo implícito à revolução (mesmo que o autor insista que se trata apenas de uma revolução de mentalidades). Muito grave, tendo em conta que o autor é professor universitário, devendo por isso primar pelo rigor científico!


«o Observador literalmente repetiu a cassete da CNN e do "Jew" York Times, fazendo basicamente "copy paste" da narrativa do "sistema". Isto não é jornalismo. É propaganda. O Observador não passa de um órgão de propaganda da Nova Ordem Mundial.»

100% de acordo. Aliás, desde o Brexit que se nota isso. O discurso está perfeitamente alinhado com o do Al-Público, ou o Diário de Noticiazinhas.


«Mais ainda. Quem é que financiou até agora o Observador? Já pensaram nisto? Onde é que esse jornal tem ido buscar o dinheiro para se manter vivo até agora? É óbvio que há uma "mão invisível" por detrás dessa operação de propaganda. É claro como água...»

Sem dúvida, quatro anos é muito tempo. E mesmo admitindo que os articulistas não são pagos (o que eu duvido que seja verdade para todos), tem de haver muita gente envolvida na edição e manutenção do sítio internáutico do Observador. Alguém fez aqui um grande investimento.


Lura do Grilo disse...
«Até gosto do que Alberto Gonçalves escreve: esta está perdoada.»

Eu regra geral também gosto do que ele escreve, mas acho que, de vez em quando, ele mete o pé na argola. Por exemplo, quando fez um excelente artigo a criticar a impunidade dos ciganos em Portugal -e a atitude condescendente para com eles do nosso poder político-, parece ter sentido a obrigação moral, logo na semana seguinte, de desancar no Nacionalismo. Foi como se se tivesse sentido arrependido de "dar lenha aos racistas". Há muitos outros casos como aquele que o João denunciou, em que o AG parece sofrer de um cosmopolitismo modernaço e de uma anti-portugalidade mal-assumida. Ninguém é perfeito, é verdade, mas também não é preciso andar sempre a dar uma no cravo e outra na ferradura.

Nesse capítulo, acho a Helena Matos superior. Ela não escreve tão bem como o AG (embora escreva ainda assim muito bem -muito melhor do que eu, por exemplo), mas ela é muito mais coerente na mensagem que defende e na forma como tem denunciado algumas das várias maleitas sociais e culturais dos nossos tempos. Por exemplo, a HM foi a única jornalista portuguesa que, até agora, identificou claramente a estratégia que a Esquerda usa para dividir o eleitorado em grupos de ressabiados que depois votam por vingança. Só não chamou essa estratégia pelo seu verdadeiro nome, que é Marxismo Cultural… mas se todos os jornalistas fizessem o que ela fez, o esquerdalho teria certamente bem menos poder!