domingo, 6 de maio de 2018

Ainda sobre o Observador da direitinha "Premium"


      Não deixa de ser interessante passar os olhos por alguns comentários deixados pelos leitores do Observador da direitinha em relação à nova chulice.... eeer... perdão, ao novo "programa de assinaturas". Algumas das imagens que se seguem ficaram desfocadas por serem demasiado compridas em relação à sua largura mas, quem se sentir incomodado com isso, pode sempre clicar nelas para as ver no seu tamanho original.






O melhor comentário de todos, que foi deixando pelo leitor Alberto Freitas, merece mais do que uma simples captura de ecrã. Transcrevo-o aqui na íntegra:
«O projecto do Observador consiste em escrever direito por linhas tortas. Ou melhor: ser de esquerda com imagem de direita.

Onde deixa as preocupações de aplicar técnicas de desinformação é no internacional. Todo o noticiado reflecte as posições de esquerda. Dos USA, do Brasil, assim como a omissão do que se passa na Venezuela. Tal como do Foro de S. Paulo, organismo coordenador de toda a acção de um grande projecto de esquerda na América Latina; como se não importasse a acção dos milhares de milicianos cubanos, do apoio do Irão, ou o dinheiro (agora que a Venezuela faliu e o Brasil "secou") e estruturas das FARC.

Em África é como se nada se passasse na África do Sul; no Oriente a China é dada como capitalista e liberal. Na Europa todo o dirigente que pugne pelo direito à soberania do seu povo, é autoritário, quiçá: "fascista". No Médio Oriente temos num grande "palheiro" a "agulha" chamada Israel, culpada de todos os males da região.

Na informação doméstica é que existe o cuidado de criticar as acções e silenciar a essência. Quando os partidos marxistas fazem o que é próprio da sua "natureza"; em que objectivo principal após a conquista é a de manter o poder. E na perspectiva marxista (não esquecendo os ensinamentos de Lenine, Estaline e Gramsci), a dependência do povo em relação ao Estado é condição para se manter o poder.
Assim, com a crítica e denúncia do que é "marginal", salvaguarda-se o essencial.
Resumindo: as notícias, que para o leitor são os factos, reflectem as posições de esquerda (da LUSA, e que todos os jornais pespegam igual); enquanto as críticas à esquerda são opiniões pessoais.


Essa discrepância, ou contradição, entre os "factos" noticiados e a Opinião, é a estimulação contraditória, ou paradoxal, estudada por Pavlov. Cuja repetição provoca o desconforto que reduz o indivíduo a um estado de credulidade devota que quebra as defesas, levando-o a aceitar como boas as informações mais incongruentes. Ou, lembrando o filósofo italiano Benedetto Croce: "O erro fala com voz dupla; uma proclama o falso e a outra desmente".

Ser assinante permitirá continuar a denunciar a desinformação, mas irá contribuir para a sua continuidade... eis a questão.»

_____________
Ver também:


Desculpem lá, José Manuel Fernandes & C.ª, mas nem pensar!

11 comentários:

Lura do Grilo disse...

Muito bem!

Afonso de Portugal disse...

Uma das maiores perdas do Observador "Premium" vai ser precisamente a redução do número de comentários... já se nota esta semana, os artigos semanais do Alberto Gonçalves e da Helena Matos tiveram muito menos comentários do tem sido habitual. E como já vimos no caso do Al-Público, a redução de comentários tende a ser muito má, porque os comentários que tendem a permanecer são os dos globalistas e dos radicais de esquerda...

João José Horta Nobre disse...

Eles que metam o Premium no rabinho. Era só o que faltava era eu agora passar a pagar para ler uma estrumeira neoliberal como o Observador.

Afonso de Portugal disse...

É isso mesmo, caro JJHN. Pagar para se doutrinado, nem pensar! Já nos chega bem a aberração da taxa audivisual ou lá como se chama agora!!!

Ilo Stabet disse...

Acho que esta medida até vai ser benéfica a longo prazo. Tendo em conta que as notícias são todas iguais e que o que distinguia o Observador ainda seria a 'opinião' fará com que as pessoas deixem de prestar atenção a essas vozes e se virem mais para as alternativas na blogosfera. Mesmo o Alberto Gonçalves e a Helena Matos são do mais banal que existe, só que em comparação com o resto até parecem imaculados por repetirem o óbvio mais ululante, já que todos os outros fingem nem sequer reparar que esse óbvio existe.

Como já comentaram no post anterior sobre este assunto, é de facto curioso como o Observador sobreviveu até hoje e quem andava a injectar o dinheiro. Desconfio que, pelos comentários, se tenham apercebido que a linha editorial não agradava a muita gente, e que para os esquerdistas e liberais a quem agrada, os outros jornais já chegavam. Ou seja, o Observador não serve para nada. E tendo de ser pago, sobretudo para ver o conteúdo que era o que o distinguia, vai servir para ainda menos.

A minha previsão é que deixe de existir nos próximos anos. Os liberais propriamente ditos voltam ao Insurgente e ao Blasfémias, os esquerdistas e 'liberais sociais' tipo 'Iniciativa Liberal' e 'Democracia não sei o quê' voltam ao DN e aos outros, e as pessoas que ainda têm cabeça e ainda não encontraram os blogs da verdadeira Direita hão-de encontrá-los.

Rick disse...

Devo estar enganado, mas desde o início fiquei convencido que o Observador é "os Verdes" da imprensa.
Havia um espaço à direita que era e é mal explorado e foi decidido ocupá-lo antes de alguém tomar a iniciativa. É claramente mais um órgão de desinformação.
O director escolhido para iniciar este projecto fantoche foi o Dinis, o que está no Público e basta ler o que escreve para ver como tresanda.
Colocaram três ou quatro redactores mais conservadores para dar credibilidade e é ver como muita gente engoliu a pílula.
Raramente leio e a pagar, está fora de questão.

Anónimo disse...

Mais uma noticia gira para a colecção meu caro:

https://www.dn.pt/mundo/interior/relacao-sexual-com-crianca-de-10-anos-nao-e-considerada-violacao-9311837.html?utm_source=dn.pt&utm_medium=recomendadas&utm_campaign=beforeArticle&_ga=2.158032895.496531218.1525687869-216499228.1525551449

"o homem é um migrante que pediu asilo ao país identificado como Juusuf Muhamed Abbudin"

Até fiquei admirado pelo jornalista do Diariozinho de Noticias nos ter dado esta informação!

Ass: FdT

Afonso de Portugal disse...

Ilo Stabet disse...
«Acho que esta medida até vai ser benéfica a longo prazo. Tendo em conta que as notícias são todas iguais e que o que distinguia o Observador ainda seria a 'opinião' fará com que as pessoas deixem de prestar atenção a essas vozes e se virem mais para as alternativas na blogosfera.»

Confesso que não estou tão optimista, caro Ilo Stabet. A blogosfera tem perdido muitos leitores nos últimos anos, em grande parte devido às redes sociais como o Facebook e o Twitter. Há uma mão-cheia de blogues que conseguiram escapar à razia e manter a sua audiência, mas não são nacionalistas, e.g. Porta da Loja, Estado Sentido, Blasfémias…

«Mesmo o Alberto Gonçalves e a Helena Matos são do mais banal que existe, só que em comparação com o resto até parecem imaculados por repetirem o óbvio mais ululante, já que todos os outros fingem nem sequer reparar que esse óbvio existe.»

Sim, é isso mesmo, eles são corriqueiros do ponto de vista reaccionário, mas radicais do ponto de vista da mundivisão da direitinha. Julgo no entanto que são muito úteis à nossa causa. Por exemplo, ainda ontem a HM denunciou o silêncio me(r)diático vergonhoso em relação a um caso de violação de uma menina de 10 anos na Finlândia. Se fossemos nós a denunciá-lo, a maioria das pessoas pensaria logo que se tratava de ‘fake news’. Mas tendo sido ela, há sempre alguns direitinhas que lhe darão ouvidos (ou olhos, uma vez que se trata de ler) e que deciderão investigar mais a fundo. São as tais ‘stepping-stones’ de que falámos em tempos…


«(…)Ou seja, o Observador não serve para nada. E tendo de ser pago, sobretudo para ver o conteúdo que era o que o distinguia, vai servir para ainda menos.»

O meu receio é que venha a ser substituído por outro projecto do mesmo género. Ou pior, um projecto que pareça ser ainda mais radical na sua fase inicial, mas depois vá gradualmente descambando para o mesmo politicamente correcto. A arte de fazer oposição controlada é isso mesmo, iludir a manada e conduzi-la gradualmente até onde se pretende. O Observador foi demasiado óbvio na parte da condução, pelo que é bem possível que a próxima tentativa seja mais discreta…


«A minha previsão é que deixe de existir nos próximos anos. Os liberais propriamente ditos voltam ao Insurgente e ao Blasfémias, os esquerdistas e 'liberais sociais' tipo 'Iniciativa Liberal' e 'Democracia não sei o quê' voltam ao DN e aos outros, e as pessoas que ainda têm cabeça e ainda não encontraram os blogs da verdadeira Direita hão-de encontrá-los.»

Como disse acima, eu aqui estou bem mais pessimista do que o caro Ilo Stabet. Uma das coisas que mais me tem preocupado nos últimos tempos é que os nacionalistas e a Direita tradicionalista em geral, que até estavam bastante activas no Blogger no virar do século, não têm conseguido ter um impacto visível nas redes sociais. Tome-se o YouTube como exemplo, a maioria dos nacionalistas não passa sequer dos 200 subscritores e nem mesmo o PNR conseguiu chegar aos 1000! Isto é muito pouco!!! Há miúdos no YouTube com dezenas, aliás, centenas de milhares de subscritores e só dizem asneiras e falam sobre banalidades!

Ou encontramos formas eficazes de seduzir os ossos potenciais eleitores ou estamos condenados a continuar a falar para meia-dúzia de pessoas que já pensam como nós. Isto é um problema muito sério, a que poucos no movimento nacionalista têm dado atenção. É preciso aprendermos a vender o nosso peixe, ou continuaremos a perder as batalhas e, no final, a guerra!

Afonso de Portugal disse...

Rick disse...
«Havia um espaço à direita que era e é mal explorado e foi decidido ocupá-lo antes de alguém tomar a iniciativa. É claramente mais um órgão de desinformação.»

Sim, é isso mesmo. Oposição controlada, como lhe chamam alguns no nosso meio. E não é preciso ir muito longe para o demonstrarmos, basta ver que o Correio da Manhã causou muitos mais danos à imagem do Pinto de Sousa do que o Observador, apesar de o Observador ser supostamente o jornal do PSD e do CDS.


«O director escolhido para iniciar este projecto fantoche foi o Dinis, o que está no Público e basta ler o que escreve para ver como tresanda.»

Sim, o DQA aka “o egípcio”, como o FdT bem observou num momento de inspiração, um marxista cultural do mais desonesto e descarado que existe no panorama jornalístico "tuga"!


«Colocaram três ou quatro redactores mais conservadores para dar credibilidade e é ver como muita gente engoliu a pílula.»

Lá está, isso aconteceu -e poderá voltar a acontecer- porque os eleitores continuam a encarar a política como uma simples luta esquerda vs. direita. Só que o combate político realmente relevante na actualidade é nacionalismo vs. globalismo ou, na pior das hipóteses, tradicionalismo vs. cosmopolitismo. Enquanto as pessoas não perceberem isto, continuarão a ser presas fáceis para o jornalismo de fachada à la Observador da direitinha.


FdT disse…
«Mais uma noticia gira para a colecção meu caro»

Muito obrigado, caro FdT! Por acaso a Helena Matos mencionou esse caso ontem no seu artigo semanal no Observador da direitinha, mas é sempre bom ficar com o link!


«Até fiquei admirado pelo jornalista do Diariozinho de Noticias nos ter dado esta informação!»

Coitado, deve ser apenas um estagiário que ainda não aprendeu a ser “rigoroso e imparcial”! É lixado, os jovens jornalistas saem das universidades a pensar que o jornalismo é contar a história conforme ela aconteceu, pá! Felizmente, os jornalistas a sério encarregam-se de os colocar no seu devido lugar e de lhes ensinar que há uma narrativa de fundo que é preciso respeitar!... ;)

Ilo Stabet disse...

Olá Afonso,

concordo em parte com as suas conclusões em relação ao número de leitores, mas talvez por uma questão de discordância sobre método ou estratégia, tendo a ser optimista.

algo que já falámos também, eu não concordo que se possa instruir as massas. as massas, por definição, são insusceptíveis de instrução. são, isso sim, seguidoras. pelo que penso ser mais importante ter poucos, mas bons, que formem algo construtivo (ideologica e praticamente) à margem e sirvam de exemplo. quando o exemplo estiver dado, e quando o colapso (e vai haver algum, seja guerra civil ou simplesmente uma grande depressão económica), as pessoas vão ser forçadas a procurar alternativas fora do sistema (ver a Alemanha de Weimar e a hiperinflação).

pelo que me interessa pouco atrair miúdos parvos das redes sociais, ou a direitinha que ainda vai lendo o observador. interessa-me mais atrair alguns dos comentadores do Observador que vão mostrando que não andam a dormir e que podem ser puxados mais para a Direita por pessoas como nós.

Ilo

Anónimo disse...

"É lixado, os jovens jornalistas saem das universidades a pensar que o jornalismo é contar a história conforme ela aconteceu..."

Duvido! como o caro Blogueiro sabe as Universidades, sobretudo as das "ciências humanas" são os quartéis do "marxismo cultural" eles já saem de lá com a lição bem estudada...depois nos "me(r)dia de confiança" recebem alguns workshops para actualização de conhecimentos ;)

Ass: FdT