terça-feira, 4 de julho de 2017

"A geração mais bem preparada de sempre" (2)


«O secretário de Estado da Educação, João Costa, afirmou esta terça-feira este Martes que as escolas que aprovam a passagem de ano de alunos com várias negativas fazem-no com base em "decisões bem ponderadas" sobre os benefícios para os estudantes.

O jornal i avança na edição de terça-feira Martes que há escolas que estão a passar de ano alunos do básico com mais de quatro negativas e que há escolas no secundário que estão a fazer pressão junto dos professores para que subam as notas negativas dos alunos para que se possam inscrever no ano seguinte, sem deixarem disciplinas em atraso.»

"Tive quatro negas, mas passei! Eu fiz a escola toda!!!"
(Nota: eu escolhi esta imagem para ilustrar a realidade de que qualquer um pode fazer a escola nas actuais circunstâncias, mesmo aqueles que manifestamente não têm capacidade para tal. Não é um ataque aos portadores de trissomia 21, é um ataque ao sistema de ensino!)

«Questionado pela agência Lusa sobre esta situação, o secretário de Estado da Educação afirmou que o que interessa não é se os alunos "passam mais ou se passam menos", mas sim "a qualidade das aprendizagens".

"É tão má a escola que reprova sem saber, como é má a escola que passa sem saber. Aquilo que nós queremos que a escola garanta é aprendizagens de qualidade para todos", disse à Lusa João Costa, à margem do 21.º encontro da rede de especialistas em Educação de Infância da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Por isso, sustentou João Costa, "quando confiamos nos professores confiamos que as escolas sabem tomar as melhores decisões. Sabemos que a retenção é preditora de retenção. Portanto, certamente que as escolas não estão a fazer isso em prejuízo dos alunos. Estão a fazer isso em função de decisões bem ponderadas sobre as vantagens e benefícios de ter um aluno a repetir disciplinas em que tem sucesso, a não acompanhar o seu grupo", frisou.

João Costa reiterou que o preocupa "tanto o aluno que passa com negativas como o aluno que reprova com negativas", sublinhando que "o problema é o aluno não ter aprendido, não é a consequência dessa não aprendizagem". Segundo o jornal i, a decisão de passar alunos com quatro e cinco negativas resulta de orientações dadas pelo Ministério da Educação e do que está previsto na lei desenhada pelo gabinete de Tiago Brandão Rodrigues, indicando que o chumbo deve ser aplicado de forma "excepcional".

A situação foi denunciada ao jornal por vários professores e directores de escolas de norte a sul do país. Nestas escolas, "independentemente do número de negativas dos alunos", o conselho de turma - órgão máximo de avaliação dos alunos - "decide pela transição considerando que o aluno pode recuperar os conhecimentos e as competências não desenvolvidas em anos futuros", disse ao i um professor.

No ano passado, de forma menos generalizada, já houve escolas onde os alunos transitaram de ano escolar com sete notas negativas, como é o caso do agrupamento Poeta Joaquim Serra, no Montijo. Também no ano lectivo 2008/2009, durante a tutela de Maria de Lurdes Rodrigues, ministra do PS, foram noticiados vários casos de alunos que passaram de ano com nove notas negativas.» 

Mas porque é que as crianças ainda vão à escola, afinal?! Para as passarem de ano com nove negativas, mais vale admitirmos desde já que a escola é uma fantochada completa e que não serve para nada!... Ah, esperem lá, já me esquecia... há sempre a parte de lavar o cérebro às crianças com marxismo cultural, politicamente correcto, culpa irremissível e ditadura da tolerância, pois claro!

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Ver também:


A geração mais bem preparada de sempre

10 comentários:

Dr. No disse...

Não gosto da fotografia: trata-se de um rapaz mongolóide ou com síndrome de Down, ou seja, não tem culpa de ter nascido com uma doença que lhe causa, entre outras coisas, menor inteligência.
Já os que passam com mais de 4 negativas ou têm problemas de inteligência (como os mongolóides) e precisam de ajuda especial ou são preguiçosos e não estudam porque não querem, não se esforçam e porque sabem que há facilitismo.
Por favor, retire a foto de um doente e substitua-a por uma de um grunho, tipo o mini da (des)educação.
Obrigado.

Afonso de Portugal disse...

Eu até compreendo a crítica do Dr. No e considero-a inteiramente legítima. No entanto, eu escolhi precisamente esta imagem para ilustrar a realidade de que qualquer um pode fazer a escola nas actuais circunstâncias, mesmo aqueles que manifestamente não têm capacidade para tal. Não é um ataque aos portadores de trissomia 21, é um ataque ao sistema de ensino!

Sinceramente, preferia não retirar a imagem. Mas como o Dr. No é um leitor assíduo e participativo, poderei abrir uma excepção caso o Dr. No tenha um familiar ou conhecido com síndrome de Down...

Dr. No disse...

Afonso,
obrigado por responder educadamente à minha crítica.

Não tenho familiar ou conhecido com síndrome de Down nem é uma realidade com a qual tenha muito contacto, passado ou presente. Mas sei que existem uns "progressistas-humanistas-modernaços-esquerdopatas" que apoiam o aborto de crianças com Down para limpar a sociedade (ex. na Islândia já não nascem crianças com Down): se isto não é eugenia, então o que é? E depois os nazis é que são os únicos maus da fita.

Eu percebo a explicação do Afonso mas mesmo assim acho que lhe sai o tiro pela culatra, podendo ser muito mal interpretado. Se quer atacar o sistema de ensino mostrando que "qualquer um pode fazer a escola nas actuais circunstâncias, mesmo aqueles que manifestamente não têm capacidade para tal" ponha a foto de um burro, já que "os animais são iguais às pessoas".

Há muitos doentes com Down que estudam, esforçam-se e têm vidas mais ou menos autónomas. Por isso, este sistema de ensino com passagens administrativas a grunhos com 9 negativas, é insultuoso para todos os que estudam a sério, incluindo os doentes com Down.

Mas eu aqui sou visita e o Afonso é que sabe.
Paz e Bem.

Dr. No disse...

Talvez pode mudar a legenda da foto ou fazer um esclarecimento no post.

Afonso de Portugal disse...

O argumento do aborto é bastante convincente, caro Dr. No. E o do "tiro pela culatra" também. Quanto ao resto, eu só posso mesmo reponder-lhe de forma educada, uma vez que o Dr. No nunca me faltou ao respeito. Antes pelo contrário, o Dr. No é das poucas pessoas que tem contribuído para este canal de uma forma positiva, trazendo aqui vários links de conteúdo pertinente. E mesmo agora, que discordamos, o Dr. No fez uma série de críticas construtivas, enquanto outros que passaram por aqui ao longo dos anos se limitaram apenas a destruir.

Vou optar por uma solução interméda: não vou substituir a fotografia desta posta, mas também não vou voltar a utilizar fotografias de deficientes em postas futuras. Obrigado pelo seu feedback, Dr. No!

Dr. No disse...

E hoje a notícia que os alunos da "primária" vão ter mais 30 min. de recreio por dia mas essa meia hora é retirada às aulas, ou seja, são menos 30 min. de aulas. Numa semana são menos 2h30m de aulas!
Os professores passam a dar mais meia hora de aulas por dia. A quem? A ninguém: o recreio dos alunos passou a ser contabilizado como tempo lectivo para os professores.
Bué da fish, meu!!!

Dr. No disse...

Eu levantei a questão da educação porque quando 2 pessoas estão de acordo, é tudo maravilhas. Quando discordam, vai tudo abaixo. Visito outros sites onde leio cada comentário e fico impressionado com a falta de educação, a rudeza, a intolerância, a agressividade e a estupidez demonstrada. Se isto é a geração mais bem preparada de sempre, só se for para a III Guerra Mundial: só se insultam e ofendem; são incapazes de discutir trocando ideias e opiniões, de modo construtivo, argumentando. Por isso, é importante elogiar quem nos respeita porque é algo raro actualmente e muito mais raro na internet.

Afonso de Portugal disse...

A ideia de mudar a legnda é boa, vou fazê-lo! :)

Quanto ao civismo na internet, eu próprio já perdi a cabeça algumas vezes, primeiro com os nazionaliztaz e depois com o Lá Lá Cardo. Mas só costumo partir para a agressão verbal depois de ter sido agredido.

Julgo que o problema está na "cultura do macho latino" que, infelizmente, ainda impera no nosso país. Ser macho é uma coisa boa, mas não quando se quer ter razão a qualquer custo. Julgo que é essse o problema de muitos dos nossos comentadores internauticos, encaram a discordância como um ataque à sua maculinidade. E depois claro, acaba tudo aos insultos e aos palavrões!

Leitora disse...

É que, com o crescente número de "jovens" nas escolas pelo mundo branco, é preciso relaxar um pouco as regras, senão não saem do Jardim de Infância.

Afonso de Portugal disse...

"Um pouco"... a Leitora e os seus eufemismos! :)