sexta-feira, 23 de junho de 2017

Capitalismo selvagem: Altri e Navigator doam 1 M€ às vítimas de Pedrógão Grande


...no entanto, a plantação massiva de eucaliptos, que esteve na origem da tragédia, continuará a processar-se alegremente! Isto faz lembrar aqueles filmes de mafiosos em que um polícia é assassinado pela máfia e depois o padrinho ainda tem a lata de ir ao funeral depositar uma coroa de flores à frente da família enlutada!

«As duas empresas de papel Altri e Navigator anunciaram esta sexta-feira este Vernes que vão doar um milhão de euros para apoiar as vítimas dos incêndios que afectaram os concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra.


"A Navigator e a Altri decidiram contribuir com um milhão de euros, dos quais meio milhão de euros serão destinados ao fundo especial de apoio às organizações da sociedade civil da região de Pedrógão Grande, constituído pela Fundação Calouste Gulbenkian", lê-se no comunicado conjunto enviado por ambas as empresas.

As duas empresas florestais decidiram investir, adicionalmente, meio milhão de euros na recuperação de encostas, linhas de água e infraestruturas florestais, nas zonas afectadas pelos incêndios, conforme um plano técnico com 12 acções, disponibilizando ainda o apoio especializado das suas equipas, acrescentam.

O fogo que deflagrou no sábado em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pêra, fazendo 64 mortos e mais de 200 feridos. As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra, mas o fogo foi dado como dominado na quarta-feira Mércores à tarde.»

Caridadezinha para inglês ver! A única medida justa para com as vítimas seria garantir que esta tragédia não se voltará a repetir no futuro, substituindo os eucaliptos por árvores autóctones como o castanheiro, o carvalho e o sobreiro. E isso é precisamente a última coisa que tanto a Altri como a Navigator estão dispostas a fazer...

7 comentários:

Anónimo disse...

O pior é que a população tem medo de dizer publicamente o que estes grupos são: um grandessissimo conjunto de índividuos sem valores nenhuns, que se escondem atrás da capa do marketing do "humanismo sem fronteiras" e da "utilidade publica das corporações privadas" mas que no fundo a única coisa que querem é chegar ao fim do mês com o contabilista a reportar lucro de milhões. Não os censuro porque é mesmo para isso que as empresas servem, cabe depois ao Estado e á sociedade civil impedir que essas mesmas corporações coloquem a natureza e as pesssoas em perigo devido á falta de escrúpulos para alcançar o lucro, e é aí que entra o "medo": O medo dos políticos em bater o pé a essas grandes empresas, e depois lá se vai o empregozinho para o filho, e o tacho para eles próprios quando saírem da vida politica, e o medo do cidadão comum que também quer trabalhar nessas grandes empresas e não convém portanto criticar negativamente os potenciais ou presentes patrões.

Acaba por comer tudo da mesma gamela.

Ass: FdT

Raghnar disse...

E sempre dá para abater no IRC, é mais algum em caixa. Mais uma evidência da importância da preservação das culturas autóctones, aqui no seu sentido estrito, que no entanto não deixa de ser verdade. Mas os eucaliptos também têm direito à existência, "somos todos árvores" pá, não há motivo para discriminações.

Depois há toda uma euforia da chamada "economia social", que é para mim um termo perverso, que é simplesmente vomitiva. Muitos milhões a circular e, outra vez, muita gente a lucrar à má fé na sua "defesa dos pobres e oprimidos"...

Afonso de Portugal disse...

FdT disse...
«(...) cabe depois ao Estado e á sociedade civil impedir que essas mesmas corporações coloquem a natureza e as pessoas em perigo devido á falta de escrúpulos para alcançar o lucro, e é aí que entra o "medo": O medo dos políticos em bater o pé a essas grandes empresas»

Por isso mesmo é que é urgente separar a carreira político do mundo judicial e do mundo empresarial. Pessoas como o Prof. Paulo Morais, o José Gomes Ferreira e o Gustavo Sampaio andam a alertar para essa necessidade imperiosa há anos, aliás, décadas... mas o povo português insiste em não lhes dar ouvidos. Um ministro, um autarca ou um deputado não devia poder ser advogado e desempenhar funções políticas ao mesmo tempo! Muito menos poder "dar o salto" para uma empresa depois de terminarem os seus mandatos! Porquê? Porque sendo advogados e governantes ao mesmo tempo, legislarão inevitavelmente conforme os seus interesses. E se além disso ainda estiverem ligados ao mundo empresarial, legislarão também conforme os interesses dos capitalistas selvagens!

A separação de poderes entre o Estado e o mundo dos negócios é imprescindível devido ao inevitável compadrio que se gera entre os dois domínios quando não há separação. A desagregação entre o Estado e a justiça é igualmente indispensável, porque as leis não podem ser feitas pelas mesmas pessoas que tomam decisões administrativas e gerem o que é de todos, sob pena de gerirem o que é de todos em função dos seus interesses e ambições pessoais!


Raghnar disse…
«Mas os eucaliptos também têm direito à existência, "somos todos árvores" pá, não há motivo para discriminações.»

LOL! Já não sei onde vi, mas julgo que foi no blogue do A-24, que o eucalipto já é a árvore mais cultivada em Portugal. Não encontro o link exacto, mas este artigo diz basicamente o mesmo:

https://www.rtp.pt/noticias/incendios-2015/eucalipto-a-arvore-que-reina-sobre-a-floresta-nacional_es869927

É uma bela metáfora para o problema da iminvasão humana: uma espécie alógena chega a Portugal e prevalece sobre as nativas porque um grupo de interesseiros fomenta a sua proliferação em nume do lucro!


«Depois há toda uma euforia da chamada "economia social", que é para mim um termo perverso, que é simplesmente vomitiva. Muitos milhões a circular e, outra vez, muita gente a lucrar à má fé na sua "defesa dos pobres e oprimidos"...»

É aquilo a que eu chamo “caridadezinha”, que ocorre a seguir às tragédias (incêndios na Madeira, inundações em Águeda, incêndios em Pedrógão Grande,…) mas não só. O Ivan Baptista, um dos leitores mais ou menos assíduos deste blogue, já denunciou várias vezes que, na sua área de residência, há muitos “jovens” que se gabam de viver à pala do Estado e que até têm a lata de ir ao Banco Alimentar abastecer-se quando têm bom corpo e perfeita saúde para trabalhar!... >:(

Ivan Baptista disse...

Afonso, eu não disse que vivem á pala do estado, mas que teem apoios do estado, e disse que essas ajudas também nos ficava bem.
O que testemunhei foi uma conversa, nada demais, e a partir dai foi só juntar dois mais dois.
Acho injusto ver portugueses serem mal tratados e viverem na exclusão social, pobreza ou até terem que abandonar o seu país e emigrar, e em troca recebermos outras gentes. Para quê ? Qual é a razão para esta troca demográfica ?
E se há imigração preveniente de países mais ou menos habituais, bom, eu já ouvi falar em acordos com esses países, não me lembro das relações de Portugal com o Brasil nessa altura, mas embora se fale no mesmo idioma e se houve um boom de imigração do Brasil mais ou menos a partir de 2000, muito provavelmente foi mais por esse motivo. Já quanto á imigração de leste europeu, bom ai já não sei, não sei porque razão a comunidade de Leste escolheu o nosso país, mas a realidade de hoje é um pouco diferente, porque embora o país acolha, é o país que escolhe e não o contrario. Dai eu associar a razão porque temos mais imigração de origem y e não x a viverem por apoios no nosso país.

Afonso de Portugal disse...

«Afonso, eu não disse que vivem á pala do estado, mas que teem apoios do estado, e disse que essas ajudas também nos ficava bem.»

Eu posso estar a confundir o Ivan com outra pessoa, mas tinha idea de que o Ivan me tinha contado, para além dessa história recente, uma outra história mais antiga sobre umas negras que iam regularmente ao Banco Alimentar. Se não foi o Ivan que contou, peço desculpa, talvez tenha sido o G, o cigano ou outra pessoa da região de Lisboa...


«Acho injusto ver portugueses serem mal tratados e viverem na exclusão social, pobreza ou até terem que abandonar o seu país e emigrar, e em troca recebermos outras gentes. Para quê ? Qual é a razão para esta troca demográfica?»

Globalismo: ao trocar os autóctones por gente de outras paragens, acelera-se o processo de mundialização. A destruição das culturas e das soberanias nacionais abre as portas dos mercados de todo o mundo!


«Dai eu associar a razão porque temos mais imigração de origem y e não x a viverem por apoios no nosso país.»

Contrariamente a outros nacionalistas, eu sou da opinião de que nenhuma imigração é positiva, nem mesmo a imigração europeia. Li há tempos na revista Visão que há, no Alentejo, uma pequena localidade de alemães com cerca de 400 habitantes. Sabe o que é que esses alemães fizeram, caro Ivan? Juntarem dinheiro para construir um centro de acolhimento de "refugiados" no Alentejo... mas atenção: o centro localiza-se a quese 100 km da localidade onde estão esse alemães! >:(

É evidente que é preferível receber europeus a africanos ou a orientais... mas o ideal mesmo era que os portugueses ficassem por cá e os europeus nos seus respectivos países!

Ivan Baptista disse...

Pessoalmente não tenho nada contra a emigração, e se eu for bem acolhido num outro país, não terei nenhuma razão para me vitimizar por causa dos clichés do costume, racismo e xenofobia de sempre.
Aliás, até há portugueses nos USA, França e outros países, que votam em figuras mais populistas ou "extremistas". Parece impossível! Mas há Portugueses que simpatizam com a LePen, Trump e outros "fachos".
Aliás para mim, nos dias que correm os verdadeiros fachos são os "tolerantes" que lutam pelos direitos dos oprimidos e etc.. mas no fim as suas ações são mais intolerantes do que aquilo que supostamente defendem.
Basta por exemplo olhar para os movimentos de defesa dos LGBT´s. Pá, os verdadeiros gays, os verdadeiros cidadãos gays normais, não se sentem lá muito bem representados por essas campanhas provocatórias. É que nenhum gay teem a necessidade de incriminar qualquer hétero de homofóbico. Isso é FASCISMO! E as elites usam e abusam destes movimentos, para se porem todos uns contra os outros.
Pois só com a ditadura das "minorias" o mundo fica mais "tolerante" ( Neste momento estou com a mão na testa a murmurar baixinho o meu habitual - fouuudasse)!

Raghnar disse...

No comentário anterior utilizei a definição de cultura do Terry Eagleton em A ideia de cultura, que é uma pastilha por ser maçudo e de leitura "difícil" mas que recomendo a quem aprecia uma ocasional "pastilha literária" em modo de ensaio. Basicamente dá três definições, no sentido "estrito" (o cultivo da terra), no "lato" (toda a actividade humana) e a cultura enquanto "fine arts". Apenas pontuei porque acho que no meu comentário anterior não ficou bem definido e na minha opinião aplica-se perfeitamente à defesa das culturas autóctones. E isto é importante, porque aceita evolução já que qualquer cultura está em permanente construção, mas recusa a ideia de engenharias para promover a sua mudança induzida.

Vem isto a propósito da "defesa" da imigração, que aceito desde que venha satisfazer necessidades prementes, de modo muito restringido e com avaliações sistematizadas contínuas. Pegando no exemplo dos cidadãos de leste acima referido, confesso que me fazia imensa confusão ver médicos que nem sabiam assentar um tijolo ou dar uma martelada a desempenhar funções de ajudante de pedreiro, num país com falta de médicos. Sempre opinei ter sido mão-de-obra especializada desperdiçada para satisfazer interesses contrários ao da maioria dos portugueses, e não me teria provocado qualquer choque a sua inclusão no SNS, nem que fosse apenas para alfinetar a Ordem dos Médicos.

Eu já tive uma consulta com um clínico que deve ter sido dos poucos a ficar desse tempo e está a exercer no país. Devo dizer que comparado com o seu colega nacional, foi profissionalmente impecável e terá sempre a minha confiança, além de ter acertado o diagnóstico...