domingo, 23 de abril de 2017

Recordar Maquiavel


   Esta interessante conversa que mantive com a Leitora fez-me recordar os ensinamentos imprescindíveis que nos foram deixados pelo colosso Nicolau Maquiavel (1469-1527), em particular aqueles perpetuados na sua magum opus, «O Príncipe» (1513).

Apreciar a inestimável herança de Maquiavel não é apenas uma questão de curiosidade histórica ou fetiche da arte da política. Pelo contrário, compreender a veracidade e o alcance dos seus escritos é uma necessidade da vida adulta e do exercício consequente da inteligência. Senão vejamos alguns exemplos da sua sabedoria, transcritos de «O Príncipe»:

«Aquele que adapta a sua forma de actuação aos tempos, prospera; de forma semelhante, aquele cuja política colide frontalmente com as exigências dos tempos, não prospera.»

«A maior parte da humanidade contenta-se com a aparência, como se ela fosse a realidade; as pessoas são mais influenciadas pelas coisas que parecem ser do que por aquelas que são.»

«A forma mais imediata de estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens de que se faz rodear.»

«A um príncipe, nunca faltarão razões legítimas para quebrar as suas promessas.»

«O ideal é ser amado e temido. Mas como é difícil ser amado e temido ao mesmo tempo, aquele que tiver de optar encontrará maior segurança em ser temido. O amor pode ser quebrado sempre que houver vantagem nisso; mas o medo é suportado pelo pavor à dor, que está sempre presente.»

«A diferença entre o modo como se deve viver e como se vive [de facto] é tão grande, que o homem que ignora o que é feito realmente e se orienta pelo que deve ser feito está a caminho da sua auto-destruição.»

E a minha favorita:

«Os homens esquecem mais depressa a morte dos seus pais do que a perda do seu património.»

Eu estou convencido que um dos principais problemas do Nacionalismo contemporâneo é a rejeição de muitos dos pricípios maquiavélicos. Não se pode combater o globalismo sem perceber primeiro como é que um globalista típico pensa. Julgo por isso que todo o bom nacionalista deve conhecer a obra de Maquiavel. E nem mesmo os mais preguiçosos que não gostam de ler livros têm desculpa, porque este documentário, que até já tem uns anitos, resume o essencial:

10 comentários:

Leitora disse...

Depois de ler esses trechos, agora tenho certeza que preciso muito ler esse livro !
É incrível, ele, em 1500, descreve toda a sociedade atual, e ainda dá dicas valiosas que a gente às vezes falha em aprender.
«A maior parte da humanidade contenta-se com a aparência, como se ela fosse a realidade; as pessoas são mais influenciadas pelas coisas que parecem ser do que por aquelas que são.»
Puxa vida, isso me fez pensar, as pessoas não mudaram nada de lá pra cá? Ou a sociedade atual regrediu até chegar "espiritualmente, intelectualmente e etc" em 1500? E infelizmente me deixou pessimista, pois parece que as pessoas jamais deixarão a cegueira que possuem para as coisas, e continuaram sendo manipuladas pelo sistema. : (
Só não compreendi o personagem do príncipe.. seria um príncipe literal ? Dada a época que foi escrito, pode ser que ele se referia a monarquia mesmo, mas o "príncipe" pode hoje representar alguém na atualidade ?

"«O ideal é ser amado e temido. Mas como é difícil ser amado e temido ao mesmo tempo, aquele que tiver de optar encontrará maior segurança em ser temido. O amor pode ser quebrado sempre que houver vantagem nisso; mas o medo é suportado pelo pavor à dor, que está sempre presente.»"
O medo de ser chamado de racista e nazista e homofóbico, é assim que estão nos controlando a todos. Só trocaram o temer pela pessoa, pelo temer ao sistema.

Estou encantada pela compreensão da realidade e do mundo que Maquiavel parecia ter, só de ler estes trechos.

"«Aquele que adapta a sua forma de actuação aos tempos, prospera; de forma semelhante, aquele cuja política colide frontalmente com as exigências dos tempos, não prospera.»"
Isso é algo que eu não tinha notado mesmo, mas é o que vc vinha dizendo, sobre se adaptar e ir tomando as instituições. Ganhar jogando o jogo deles.

Very good.

Leitora disse...

Olha isso Afonso, lembrei de vc, Rsrs:
http://wakingtimesmedia.com/something-disturbing-realized-men-removed-photos/
Porque vc culpa as mulheres por tudo e tal.. mas veja bem a grande diferença que as mulheres fazem na realidade da administração dos países.

Leitora disse...

Se a gente for pegar exclusivamente a questão de homem x mulher, realmente fica parecendo que o problema são.. os homens no poder!

Afonso de Portugal disse...

Leitora disse...
«É incrível, ele, em 1500, descreve toda a sociedade atual, e ainda dá dicas valiosas que a gente às vezes falha em aprender.»

Sim, é realmente notável!... E a melhor parte é que, ainda hoje, há montanhas de pessoas supostamente instruídas que não entendem (ou não querem entender) que aquilo que ele o que está em causa na obra dele é a descrição da realidade tal como ela é… e a necessidade imperiosa de separar o que é real daquilo que é ideal.


«Puxa vida, isso me fez pensar, as pessoas não mudaram nada de lá pra cá? Ou a sociedade atual regrediu até chegar "espiritualmente, intelectualmente e etc" em 1500? E infelizmente me deixou pessimista, pois parece que as pessoas jamais deixarão a cegueira que possuem para as coisas, e continuaram sendo manipuladas pelo sistema. : (»

Na minha modesta opinião, as pessoas não mudaram grande coisa, não apenas nos últimos séculos mas até nos últimos dois milénios. Aliás, há outros autores europeus que apontam a da frivolidade da sociedade em que viveram bem antes de Maquiavel, embora nunca de forma tão contundente. Por exemplo, o cronista português Fernão Lopes (c. 1385-1460), na sua “Crónica de El-Rei D. João Primeiro I”, descreve a forma como um fidalgo falido, se apresenta à janela de sua casa: da sua cintura para cima, está vestido com as mais finas, caras e embelezadas roupas … mas da cinta para baixo está de ceroulas! :)

E, claro, temos o bem conhecido e muito anterior “pão e circo”, cunhado por Décimo Júnio Juvenal (c. 55 -127), que descrevia a forma como a elite romana apaziguava e mantia a plebe sob controlo recorrendo a comida q.b., festas e jogos circenses. Um bocado como hoje fazem as nossas elites com os salários mínimos, futebol e telenovelas!

Nós temos a presunção de que somos muito mais evoluídos do que os nossos antepassados, mas a verdade é que, não obstante o progresso científico e tecnológico de que desfrutamos, ainda somos essencialmente o mesmo que eles. A maioria da humanidade vive das emoções e da satisfação das suas necessidades imediatas. Parece-me até que, nalgumas coisas, como por exemplo, a compreensão da nossa verdadeira natureza selvagem e animalesca, somos inferiores a aos nossos ancestrais…


«Só não compreendi o personagem do príncipe.. seria um príncipe literal ? Dada a época que foi escrito, pode ser que ele se referia a monarquia mesmo, mas o "príncipe" pode hoje representar alguém na atualidade ?»

Maquiavel viveu num período em que a península Itálica estava dividida em cidades-estado ou micro-estados que eram ou principados ou pequenas repúblicas, como era o caso de Florença, a cidade perto da qual Maquiavel foi exilado. Esses principados eram mais independentes do que os principados existentes hoje na Europa (Andorra, Mónaco, Lietchenstein), na medida em que apenas estavam submetidos aos caprichos da Igreja. Num principado, a figura máxima de governo é o príncipe, uma espécie de monarca menor. E a esse príncipe, o senhor do principado, que o título da obra de Maquiavel se refere.

A maioria dos historiadores e cientistas políticos contemporâneos acredita que “O Príncipe” foi escrito por Maquiavel em 1513 como um manual de governação destinado a Juliano II de Médici (1479-1516), que era o senhor da República de Florença. Maquiavel quereria cair nas graças de Juliano e a sabedoria contida n’“O Príncipe” seria a sua forma de o conseguir. Infelizmente, Juliano não só não ligou nenhuma a Maquiavel como viria a morrer pouco depois, em 1516.

Seja como for, “O Príncipe” é um manual de governação verdadeiramente universal que pode ser usado tanto por governantes como por aspirantes à governação. Há até um general norte-americano que confessou usar os ensinamentos de “O Príncipe” durante a primeira guerra de golfo, para manter a população iraquiana sob controlo:

https://www.youtube.com/watch?v=fphTuyJXTcQ (a partir dos 41m24s)

Afonso de Portugal disse...

Leitora disse...
«O medo de ser chamado de racista e nazista e homofóbico, é assim que estão nos controlando a todos. Só trocaram o temer pela pessoa, pelo temer ao sistema.»

Bem visto! Não tinha pensado nisso, mas é verdade! Hoje em dia, já não é preciso torturar as pessoas como antigamente, porque a ameaça de desprestígio social é tão ou mais eficaz a dissuadir a dissidência!


«Isso é algo que eu não tinha notado mesmo, mas é o que vc vinha dizendo, sobre se adaptar e ir tomando as instituições. Ganhar jogando o jogo deles.»

Exactamente! Eu vejo a evolução do jogo político como a evolução tecnologia… e acredito convictamente que Maquiavel também via. Quando a tecnologia avança, quem não se adapta fica para trás, acabando por perder o jogo. Por exemplo, você não pode ganhar uma luta de revólveres com espadas. Foi por isso que os índios americanos foram massacrados pelos europeus, o diferencial tecnológico era insuperável.

Ora, na política sucede exactamente a mesma coisa, por muito que os românticos e os idealistas não queiram. E é aqui, precisamente aqui, que a minha forma de ver o mundo diverge radicalmente daquela que é subscrita pela esmagadora maioria dos nacionalistas/racialistas clássicos. Eu acredito que a partir do momento em que um grupo de pessoas se apodera de quase todas as formas de influenciar o eleitorado, é irrealista pensar que se pode contrariar essa fortíssima influência recorrendo apenas a ideais e a valores morais.

Veja este texto , por exemplo, publicado há apenas alguns minutos num dos blogues da minha coluna “blogosfera relevante”. Eu não consigo compreender a lógica do seu autor. Ele congratula-se –estupidamente– com a sua pretensa superioridade moral na derrota porque, alegadamente, a sua consciência fica tranquila com a sua autoproclamada coerência. Mas como pode a nossa consciência ficar tranquila perante a morte do nosso povo, dos nossos pais, irmãos e filhos?! De que serve sermos íntegros e justos quando tudo à nossa volta se desmorona? Pior do que isso, o autor admite que luta sozinho e que não tem esperança… arre porra, isso não é nenhuma virtude, isso é autismo!!!

Mas ele ainda não é o pior caso… há nacionalistas que têm esperança e são ainda piores do que o Alfredo Pimenta, porque têm esperança num regresso ao passado! É por isso que eu fico arrepiado –não estou exagerando, fico mesmo arrepiado, com pele de galinha e os pêlos de pé!– quando vejo nacionalistas tentando convencer o povo recorrendo a propaganda nacional-socialista dos anos 30. Isso me diz imediatamente que esses nacionalistas não compreendem a situação actual, não compreendem as pessoas que querem cativar e, piro de tudo, não compreendem a força esmagadora dos recursos da superclasse. Se compreendessem, saberiam que a maioria das pessoas tem pavor à suástica e à imagem de Hitler, porque a televisão, os jornais, os filmes, os livros, a escola, etc. condicionou os ocidentais a verem o nazismo como o mal supremo!

É preciso ser mais muito subtil do que isso. É preciso influenciar as pessoas de outra forma, por um lado, centrando o discurso em temas e notícias que contrariam a narrativa vigente (exemplo, se a imigração é boa, porque é que os muçulmanos cometem tantos crimes?); e por outro lado, é absolutamente imprescindível reverter a “grande marcha pelas instituições” para que a superclasse perca o poder de continuar a influenciar as gerações futuras.

Afonso de Portugal disse...

«Porque vc culpa as mulheres por tudo e tal.. mas veja bem a grande diferença que as mulheres fazem na realidade da administração dos países.»

LOL! Agora você está sendo bastante injusta! Ou talvez eu me tenha explicado mal das outras vezes… a ver se me faço entender melhor agora:

1. Eu não acho que as mulheres sejam a causa fundamental do que aconteceu ao Ocidente;
2. O que eu acho é que as mulheres do passado e também demasiadas mulheres do presente se deixaram manipular pela propaganda neomarxista, em particular pelo feminismo;
3. Em consequência dessa manipulação, elas votaram e continuam a votar mais na esquerda;
4. Mas a culpa dessa manipulação não foi das mulheres que foram manipuladas, foi da Direita conservadora que não soube, ou melhor, não quis contrariar a propaganda neomarxista.
5.Desse ponto de vista, é urgente promover uma contracultura, um “tradicionalismo cultural” que sirva de contrapeso ao marxismo cultural; e denunciar a “direitinha” como inimiga do Ocidente.


Já em relação a essas fotografias sem homens, é preciso perceber:

1. Elas representam o que se passa realmente em todos os centros de poder do Ocidente? Ou será que foram escolhidas de forma desonesta? Exemplos: as universidades ocidentais são dominadas por mulheres e alguns jornais também, como é o caso do Washington Post ; sabemos ainda que as mulheres são aquelas que mais ajuda prestam aos “refugiados”)
2. Quem elegeu os homens que estão no poder: foram sobretudo outros homens, ou foram sobretudo as mulheres?
3. De que serviria ter elegido mulheres, casos fossem elas a maioria dos parlamentares, se (quase) todos os políticos -homens ou mulheres- obedecem a donos e a poderes invisíveis?

Essas campanhas para colocar mais mulheres no poder têm um único objectivo: fazer as mulheres votar ainda mais nos partidos feministas e afins. A raça branca não ficará melhor só por ser governada por mulheres. Angela Merkel, Margaret Tacther, Theresa May, Cristina Kircnher, Dilma Roussef e tantas outras já nos mostraram isso. A raça branca só ficará melhor no dia em que os brancos rejeitarem o globalismo, coisa quem nem homens nem mulheres parecem dispostos a fazer.

Leitora disse...

3. De que serviria ter elegido mulheres, casos fossem elas a maioria dos parlamentares, se (quase) todos os políticos -homens ou mulheres- obedecem a donos e a poderes invisíveis?
Pois é, exatamente o que penso. Eu nunca comprei essa ideia de mulheres x homens, por achar improdutiva e esquerdista. É claro que eu não sou idiota e reconheço a importância de muitos homens brancos pela história, as invenções, as descobertas e etc.
Assim como houve também muitos que fizeram mais mal do que bem. Mas em um âmbito geral, é inegável a evolução causada pelo homem branco.
Mas é claro que é preciso haver um equilíbrio na sociedade, e haver nela homens e mulheres. Apesar que é claro que tem aquelas aberrações, como diz a Bíblia, que prefeririam uma sociedade só com homens; e a bem da verdade, eu sou a favor mesmo era de dividir a sociedade em grupos de pessoas, onde cada um pode ir morar com quem quiser. Ex.: quem quer viver só com homens, haveria um lugar assim. Quem quisesse viver só com pessoas de sua raça, haveria um lugar assim. Quem quisesse viver num inferno multicultural, poderia ir também. Quem quisesse viver a Sharia Law, e etc. Isso sim seria legal se ocorresse, assim agradaria a todos.

Leitora disse...

". Se compreendessem, saberiam que a maioria das pessoas tem pavor à suástica e à imagem de Hitler, porque a televisão, os jornais, os filmes, os livros, a escola, etc. condicionou os ocidentais a verem o nazismo como o mal supremo!"
É, pode ser que a maioria pense assim. Mas sabe que as vezes eu me surpreendo, quando vejo no foicebuk postagens sobre Hitler e, várias pessoas aparecem o defendendo. Até que nem todo mundo é tão estúpido assim! Já vi até afrobrasileiros o defendendo, pelo menos os que o fizeram subiram um pouco no meu conceito. Mas variados tipos de pessoas. Em vídeo do youtube e no foicebuk, também já vi árabes falando coisas como "Hitler was my hero."
Mas enfim, é díficil mesmo que a maioria da população busque ter uma visão realista de alguma coisa, acho que se recusam a pensar em completo, aceitando passivamente tdo que a televisão, os filmes, dizem a eles. Acho que todo mundo já teve um momento assim. Felizmente alguns conseguem sair da "matrix".

Leitora disse...

EU não sei, acho que a história do Hitler é poderosa. É interessante que haja algumas pessoas espalhando o outro lado da história por aí. Afinal trata-se de nossos inimigos maiores. O nazismo foi proibido com o único intuito de proteger a elite. Caso alguém se preocupasse com a público, teriam proibido o comunismo. Mas enfim, sim, é preciso ter outras estratégias e atacar por outros lados.
Mas é interessante mostrar como falsificam a história, e como doutrinam através do sistema. Isso fica claro para as pessoas com a história do Nazismo, e pode fazer as pessoas pensarem mais se o que estão vendo na Televisão é mesmo real, se a narrativa não está sendo manipulada.


2. O que eu acho é que as mulheres do passado e também demasiadas mulheres do presente se deixaram manipular pela propaganda neomarxista, em particular pelo feminismo;

Ora, os homens que viraram afeminados também. Porém acho que nem tudo se resume a direita x esquerda. Pensar assim, também pode ser um erro.
Esse tal de feminismo é completamente contraditório. Vc viu como as """seres humanas""" feministas foram protestar contra a Marine Le Pen, em favor do candidato Rotshchild? Ora, foram protestar contra a única candidata mulher que tinha, deveriam era ser chamadas de machistas (usando a falácia deles, contra eles), e a favor do banqueiro "capitalista" (será que elas sabem que estão obedecendo o Rothschild? Ou pelo menos sabiam instintivamente que o Macron tinha um 'patrão' comunista rico?)

3. Em consequência dessa manipulação, elas votaram e continuam a votar mais na esquerda;
hmm, eu não sei o que o Afonso acha das mulheres, mas penso que não as conhece muito bem.
Ou talvez seja meu círculo de amigos e conhecidos, que contenha 80% de pessoas de direita, incluindo mulheres.
As únicas mulheres q eu conheci e que iriam votar na Dilma, por exemplo, era uma antiga amiga negra, por motivos óbvios (queria mais cotas e privilégios), e algumas funcionárias públicas, por motivos óbvios. (Estado Maior, mais vagas. Mas no caso delas não era só isso. A profissão delas tinha DIRETAMENTE a ver com Estado social).

Obrigada pela explicação sobre o Príncipe.
Interessante a história do General.

Anónimo disse...

Veja este texto , por exemplo, publicado há apenas alguns minutos num dos blogues da minha coluna “blogosfera relevante”. Eu não consigo compreender a lógica do seu autor. Ele congratula-se –estupidamente– com a sua pretensa superioridade moral na derrota porque, alegadamente, a sua consciência fica tranquila com a sua autoproclamada coerência. Mas como pode a nossa consciência ficar tranquila perante a morte do nosso povo, dos nossos pais, irmãos e filhos?! De que serve sermos íntegros e justos quando tudo à nossa volta se desmorona? Pior do que isso, o autor admite que luta sozinho e que não tem esperança… arre porra, isso não é nenhuma virtude, isso é autismo!!!

Mas ele ainda não é o pior caso… há nacionalistas que têm esperança e são ainda piores do que o Alfredo Pimenta, porque têm esperança num regresso ao passado

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Concordo a 100% com o escreves, mas acho que isso está intrinsecamente relacionado com o povo português para o bem e para o mal, esse fatalismo, essa minoria que quer vergar o mundo e que prefere ficar "orgulhosamente só" a cair com a enchurrada rumo ao abismo. Isto no plano apenas emocional/ideal é suicídio no mundo que vivemos e não racional como referes e muito bem. Mas apesar de tudo acho que na nossa história também se encontra bastante a habilidade dos nossos egrégios em vez de marrar em tudo o que mexe.

Mas tem muito a ver com o nosso povo, olha o que famoso Victor Hugo (francês) dizia sobre os portugueses é certeiro e já o era em séculos passados;

»Although sometimes festive and cheerful, portuguese are in fact deeply melancholy, suffering, even having a collective suicidal tendency .... a serene, closed, misty sadness like the Atlantic«

O Miguel Unamuno (espanhol) descrevia algo parecido, no seu livro: "Portugal povo de suicidas" E nem vamos mais longe,, é só ouvir as músicas que marcaram ou que nos tocam a alma e sentir que esse fatalismo faz parte de nós.

https://www.youtube.com/watch?v=Rz-4ejzALy0

esse suposto fatalismo em casos históricos tende a levar aos portugueses e de forma cíclica, ao nacionalismo "extremo", como se que esse fatalismo, 'choro' e revolta, se acumulem e rebentem, mas temos que saber distinguir os dois mundos. Por vezes é preciso jogar o jogo (que muitos consideram corrompido), para defender um bem maior, neste caso a nossa identidade nacional.