quarta-feira, 29 de março de 2017

Vasco Pulido Valente sobre Jorge Sampaio


      Os meus leitores poderão ficar surpreendidos, mas o pulhítico português que eu mais detesto não é Mário Soares, nem Cavaco Silva, nem Manuel Alegre, nem mesmo José Sócrates! Sim, odeio apaixonadamente todos esses pulhíticos abrilinos, mas toda a gente sabe o que eles são, eles não conseguem disfarçar. 

O político português que eu mais detesto é muito mais discreto e dá pelo nome de Jorge Sampaio. Há cerca de quinze anos atrás (mais trimestre, menos trimestre), tive a ocasião de ouvir um discurso que ele proferiu durante a  campanha eleitoral para a sua segunda presidência da república. O fulano passou meia hora a tentar convencer a plateia de que não existe classe pulhítica e que a ideia de que os políticos se servem do seu poder para exercerem tráfico de influências é "um mito populista" (sim, já havia quem enchesse a boca com a palava "populismo" naqueles tempos).  Já naquela altura achei as suas palavras e atitude de um cinismo intolerável.


Não sendo tão nitidamente nocivo para o país como os pulhíticos mencionados na minha primeira frase, Sampaio acaba por ser muito pior, porque representa um tipo de dirigente mais discreto, mais habilidoso nos bastidores, que consegue perpetuar-se no jogo do tráfico de influências pulhíticas que conduziu Portugal ao seu estado presente. Foi por isso com grande agrado que li estas palavras do Vasco Pulido Valente:

«Conheço este antigo Presidente por dentro e por fora desde os vinte anos. Mas nunca o julguei capaz de descer tão baixo. O segundo volume das memórias desta medíocre criatura, que tem todos os privilégios da praxe (uma grande pensão, gabinete de quatro ou cinco pessoas, escritório, automóvel e motorista), foi para meu espanto e até escândalo financiado pelas seguintes entidades: BPI, Fundação Oriente, Fundação Luso-Americana, Grupo Visabeira (ou seja, um grupo económico privado), Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova, PT e Mota-Engil. Esta indignidade de um homem em quem milhões votaram é um insulto para o país. E ainda há quem fique perplexo com a corrupção do PS. Previno já que vou ler e escrever sobre as ditas memórias com a maior repugnância.»

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