quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Um exemplo prático de aplicação da Teoria Crítica


     Já reparei que, para muitas pessoas que se dizem de direita, o conceito mais difícil de perceber no Marxismo Cultural é a Teoria Crítica.  A Teoria Crítica (TC) é uma disciplina e uma estratégia de actuação. Enquanto disciplina, i.e. área de conhecimento, ela é uma pseudociência: a TC reúne todos os ensaios, teorias mal-amanhadas e "provas" do carácter opressivo da Civilização Ocidental. Enquanto estratégia de actuação, a TC tem como objectivo minar os pilares socioculturais estruturantes da civilização ocidental, em particular aqueles que servem de sustentação à família tradicional. Exemplos clássicos:
  • Argumentar que não existem diferenças de monta entre o sexo feminino e masculino e que as diferenças no comportamento dos homens e das mulheres se devem exclusivamente à educação e à cultura, ignorando deliberadamente que essas diferenças de comportamento ocorrem noutras espécies de animais;
  • Afirmar que a civilização ocidental só se tornou superior às restantes devido à escravatura e ao colonialismo, ignorando deliberadamente que quase todas as civilizações conquistaram e escravizaram;
  • Afirmar que a religião cristã é opressora, mas ficar em silêncio dem relação aos abusos das outras religiões, em particular do Islão.
  • Afirmar que a família tradicional é patriarcal e opressora das mulheres, mas ao mesmo tempo permitir que os alógenos mantenham sistemas familiares muito mais restritivos para as mulheres.
O denominador comum é sempre o mesmo: ataca-se o que existe no Ocidente -e só o que existe no Ocidente-, mas sem nunca apresentar alternativas.

 Um exemplo simplicíssimo de Teoria Crítica aplicada na prática: a partir do momento 
em que o branco demonstra uma auto-estima saudável, é preciso cair-lhe em cima!

Hoje tivemos um exemplo de TC vindo directamente dos EUA. Diz aqui que 51 Prémios Nobel assinaram uma petição contra a interdição imposta pelo Presidente Donald Trump aos imigrantes oriundos do Iraque, Irão, Iémen, Líbia, Somália, Sudão e Síria. A certa altura, um dos signatários explica:

«A decisão foi rápida e fácil. A política do Presidente Trump é uma desgraça. É a resposta de uma pessoa preguiçosa a um problema complexo. Foi mal concebida, revista de forma desadequada, é discriminatória, contraproducente e fundamentalmente anti-americana"»

Ora, qual é o problema com esta argumentação e porque é que ela é um claro exemplo de TC? Porque pretende-se atacar a ordem executiva do Presidente Trump sem explicar adequadamente onde é que está o problema e  sem apresentar alternativas! Ataca-se o "Presidente nazi", sem explicar porque é que a sua medida não vai funcionar e sem especificar o que funcionaria! O douto professor emprega uma série de adjectivos pomposos (mal concebida, revista de forma desadequada, discriminatória, contraproducente e fundamentalmente anti-americana) mas não há qualquer vestígio de argumentação científica our rigorosa nas suas palavras. É tudo opinião e ideologia, zero fundamentação!

4 comentários:

Leitora disse...

Falando nisso, vc já leu um conto do George Orwell chamado "O Abate do Elefante" ? Se não, eu recomendo que você leia, é muito legal. Eu li esses dias, ele filosofa sobre imperialismo e sobre ser um homem branco.. mas não demoniza como se vê hoje em dia.

Dr. No disse...

Afonso, vou meter nojo.

O que você escreveu no último parágrafo (ex. "não há qualquer vestígio de argumentação científica ou rigorosa"), do princípio ao fim, é a explicação de um "Argumentum ad hominem".

Trata-se de uma falácia que ocorre quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo. É uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas.

Pode saber mais pesquisando pela internet. Eu aprendi neste site: https://espectivas.wordpress.com/ onde o autor, às vezes, coloca links para um dicionário de Filosofia mas não consigo encontrar o dicionário.

Portanto, o Afonso explicou e exemplificou um termo filosófico, só não pôs o nome erudito. ;)

Bilder disse...

E além dessa dita teoria crítica temos a dissonância cognitiva a afectar a cabecinhas do mundo pós-moderno em geral,desde a esquerda(nas suas várias caras)à malta que se diz de direita e que anda a fomentar as políticas neomarxistas e internacionalistas(daí que a única disputa entre eles hoje em dia se resume a questões de economia e afins).

Afonso de Portugal disse...

Leitora disse...
«Falando nisso, vc já leu um conto do George Orwell chamado "O Abate do Elefante"?»

Infelizmente, não! De Orwell só li "A Revolução dos Bichos" e o "1984"; o segundo teve um impacto fortíssimo em mim. Estava no final da minha adolescência e abandonando os dogmas marxistas com que tinha sido doutrinado. O livro foi a estocada final! :)

«Se não, eu recomendo que você leia, é muito legal.

Obrigado! Vou ver se encontro na net :)


Dr. No disse...
«O que você escreveu no último parágrafo (ex. "não há qualquer vestígio de argumentação científica ou rigorosa"), do princípio ao fim, é a explicação de um "Argumentum ad hominem".»

É a isto que o Dr. No chama "meter nojo"? Quem me dera que os meus leitores me metessem nojo assim mais vezes! :)

Sim, é verdade. Na prática, a Teoria Crítica é uma variação do argumentum ad hominem em que, em vez de se atacar o homem ("ao homem") se atacam todos os homens ocidentais e a sua cultura. Ou seja, uma espécie de "argumentum ad homini et occidentalis culturam".


«Eu aprendi neste site: https://espectivas.wordpress.com/ onde o autor, às vezes, coloca links para um dicionário de Filosofia mas não consigo encontrar o dicionário.»

O autor desse blogue (que é a mesma pessoa que mantém também o Algol Mínima) é muito bom em matéria de análise lógico-dedutiva, o que não surpreende, uma vez que ele é um filósofo da velha guarda. Só pela sua denúncia erudita das falácias argumentativas do esquerdalho, já vale a pena lê-lo!


Bilder disse...
«E além dessa dita teoria crítica temos a dissonância cognitiva a afectar a cabecinhas do mundo pós-moderno em geral, desde a esquerda (...) à malta que se diz de direita e que anda a fomentar as políticas neomarxistas e internacionalistas (daí que a única disputa entre eles hoje em dia se resume a questões de economia e afins).»

Bingo, caro Bilder! É precisamente por isso que eu hoje estou convencido que a "direitinha" é muito mais nociva para as nações do que a Esquerda. A malta da "direitinha" não consegue compreender que o sistema capitalista que defende não surgiu do vazio, foi o resultado da organização sociocultural do Ocidente. Esta falta de compreensão grosseira do processo de emergência da economia a partir da sociedade e da sua cultura leva a que os "direitinhas" julguem que podem alterar a sociedade à vontade sem que isso acarrete consequências de maior para a organização económica, o que é um erro crasso.

Um exemplo paradigmático sem entrar sequer na economia: a Maria João Marques, que escreve n'O Insurgente e no Observador, já criticou várias vezes a misoginia islâmica e a falta de liberdade das mulheres no mundo árabe. Mas agora ela opõe-se veementemente ao Presidente Trump e à sua política de interdição de terroristas! Isto é uma contradição gritante: da mesma forma que “não se pode ter o sol na eira e a chuva no nabal”, também não se pode ter muçulmanos e não ter misoginia islâmica!