segunda-feira, 2 de maio de 2016

Como fazer boa propaganda Nacionalista: um exemplo paradigmático vindo da Alemanha


     Numa tentativa ridícula de caracterizar os apoiantes do Alternativa para a Alemanha (AfD) como um bando de conservadores retrógrados, a revista Frankfurter Allgemeine (FA) criou a capa da revista que se pode ver em baixo à esquerda, com o fundo amarelo. O título "Wie die AfD leben möchte" significa "Como a AfD quer viver" ou, seja, a FA está a sugerir que a AfD parou no tempo e quer regressar aos anos 50 do séc. XX.

Só que a AfD teve uma resposta absolutamente brilhante que, quanto a mim, constitui a melhor forma de fazer propaganda nacionalista. Criou a capa da direita, com o fundo avermelhado, com o slogan "Wie die AfD Gengner leben möchten", isto é "Como os opositores da AfD querem viver"!


O brilhantismo da resposta reside no facto de a AfD ter pegado no "argumento" da FA, "a AfD quer o regresso ao passado" e tê-lo invertido completamente para "os nossos opositores querem um futuro sob o Islão". A inversão é brilhante por vários motivos:
  • Ao sentimento de "conservadorismo retrógrado" sugerido pela FA é contraposto o sentimento de perda efectiva da Alemanha para o Islão, muito mais grave para qualquer alemão que ame verdadeiramente o seu país do que um "regresso ao passado".
  • A família alemã, autóctone e constituída por pessoas fenotipicamente alemãs, foi substituída por uma família cujos membros apresentam características físicas tipicamente médio-orientais, realçando que não se trata apenas de submeter a Alemanha ao Islão, mas sobretudo de substituir os alemães por gente vinda de outras paragens.
  • A família muçulmana tem uma natalidade muito superior à família tradicional alemã, como se pode inferir pelo número de filhos em cada caso.
  • À mulher alemã, representada como a típica dona de casa "oprimida" pelo "patriarcado do homem branco", a AfD contrapôs a mulher muçulmana, definitivamente oprimida e enclausurada na sua burca claustrofóbica.
  • A família muçulmana não tem um cão, enfatizando o desprezo que os adeptos do credo do profeta pedófilo têm não apenas pelos cães (que o próprio "profeta" proibiu por serem "impuros"), mas pelos animais de uma forma geral.
  • Reparem como a miudinha da família muçulmana levanta o seu dedo indicador. Isto tem um significado muito próprio: a rejeição de todos os sistemas de governação à excepção do "único" (um dedo) sistema legítimo para os verdadeiros muçulmanos, que é a Lei Chária.
  • A capa criada pela FA mostra uma família com roupa multicolorida; a capa criada pela AfD mostra uma família com vestes a preto e branco. Afinal, onde é que está a verdadeira diversidade?
Resumindo e concluindo: a pessoa ou pessoas que criaram esta capa souberam como inverter os "argumentos" da FA ao contrapor não um, mas vários argumentos a favor da "contra-jihad" numa única capa. É assim que os nacionalistas devem rebater os seus adversários, respondendo à demagogia de campanhas como a da FA com a verdade dos factos.

8 comentários:

Sr. Hamsun disse...

Está magnífico, está. A diversidade que esses canalhas esquerdistas pretendem é a diversidade das utopias, em que o igualitarismo mais vulgar é regra. Há mais diversidade num cemitério do que ali. Já agora, o dedinho em riste remete para o conceito de tawhid, a unicidade. Não é por acaso que é um sinal de pertença ao EI. Já o grupo de Abu Musab al-Zarqawi sdava pelo nome de Tawhid al-Jihad, salvo erro (monoteísmo e guerra santa). Para esses sacanas tudo o que saia dessa concepção de monoteísmo é paganismo, por isso é que eles também não podem com os católicos, por causa da Santíssima Tindade, que para eles é politeísmo.

Afonso de Portugal disse...

Sr. Hamsun disse...
«Já agora, o dedinho em riste remete para o conceito de tawhid, a unicidade.»

Sim, o artigo que eu "linkei" menciona a tawhid, mas eu preferi enfatizar o contexto jihadista mencionado no artigo: «Within the jihadi context, the raised index finger takes on political meaning as well, widely rejecting any form of government not under Shariah law.»


«Para esses sacanas tudo o que saia dessa concepção de monoteísmo é paganismo, por isso é que eles também não podem com os católicos, por causa da Santíssima Tindade, que para eles é politeísmo.»

E no entanto o Islão poderá ser derivado de uma seita pagã que venerava a Lua! Ehehe...

Os protestantes também têm essa tara com os santos... "ai, o Catolicismo tem muitos santos, portanto é deturpação do Cristianismo original". Enfim, quando se quer legitimar divisões, qualquer merdice serve!

João José Horta Nobre disse...

Trata-se verdadeiramente de uma jogada mestre ao nível da propaganda. Há muito que eu digo que os nacionalistas têm de passar ao ataque, pois já chega de andarmos a jogar à defesa.

A esquerda só pode ser combatida, com muita agressividade e inteligência ao nível da propaganda e da cultura e é exctamente aí que a batalha tem de ser travada e o caminho preparado para se poder chegar ao poder.

Leiam ao obras de Gramsci e da Escola de Frankfurt, depois invertam isso tudo e usem para combater a esquerda. No fundo, é combater fogo com fogo.

Afonso de Portugal disse...

João José Horta Nobre disse...
«A esquerda só pode ser combatida, com muita agressividade e inteligência ao nível da propaganda e da cultura e é exctamente aí que a batalha tem de ser travada e o caminho preparado para se poder chegar ao poder.»

Exactemente! E eu vou ainda um pouco mais longe: é preciso, dentro da "Direita", cortar com todas as pessoas que não compreendam esta realidade, sobretudo depois de lha explciarmos várias vezes.

Eu costumo utilizar a seguinte comparação: quando eu era adolescente, tinha aquilo que se chamam "amigos negativos". Tipos que até não eram más pessoas, mas que me puxavam constantemente para baixo. Por exemplo, sempre que eu deitava os olhos a uma garina bonita, logo aparecia uma "amigo negativo" a aconselhar-me: «nem penses, ela não é para o teu dente, vais fazer figura de parvo!» Evidentemente, perdi muitas oportunidades de ouro graças a estes palermas e só comecei a ter sucesso com as mulheres quando me livrei da sua influência.

Julgo que a nossa Direita, em especial o Nacionalismo, está cheiade "amigos negativos", i.e. pessoas que não percebem a realidade política e social em que vivem mas que não se cansam de nos dar conselhos. A Direita tem perdido terreno para a esquerda sobretudo na cultura. Quem não for capaz de perceber isto, não será capaz de fazer a diferença.


«Leiam ao obras de Gramsci e da Escola de Frankfurt, depois invertam isso tudo e usem para combater a esquerda. No fundo, é combater fogo com fogo.»

Eu até costumo dizer que é preciso imitar Gramsci, Marcuse, Adorno e todos os outros. Criar uma "Teoria Crítica" para a Direita, que reverta gradualmente (porque isto só pode ser feito gradualmente) o estrago provocado pela esquerda ao longo das últimas décadas.

João José Horta Nobre disse...

«Julgo que a nossa Direita, em especial o Nacionalismo, está cheiade "amigos negativos", i.e. pessoas que não percebem a realidade política e social em que vivem mas que não se cansam de nos dar conselhos. A Direita tem perdido terreno para a esquerda sobretudo na cultura. Quem não for capaz de perceber isto, não será capaz de fazer a diferença.»

Gente incompetente e incapaz há em todos os lados. Eu não acho que seja boa ideia cortar com essas pessoas ou expulsá-las de partidos nacionalistas, porque depois podemos virá-las contra nós e estamos a criar inimigos desnecessariamente.

Apenas em casos extremos, como é o caso dos neonazis, é que essa gente deve ser corrida, tal como Marine Le Pen fez na Frente Nacional, dando o exemplo.

Os outros, aqueles que não sejam uma ameaça tão agressiva como os neonazis, podem e devem de ser tolerados e devemos de ter a paciência de lhes ir sempre explicando as coisas. Estou certo de que a maioria das pessoas, se ouvir a nossa mensagem, vai compreender-nos, mas nada de loucuras extremas porque isso assusta as pessoas e depois a oposição usa isso contra nós.

Afonso de Portugal disse...

«Eu não acho que seja boa ideia cortar com essas pessoas ou expulsá-las de partidos nacionalistas, porque depois podemos virá-las contra nós e estamos a criar inimigos desnecessariamente.»

Eu não estava a querer afirmar que devemos cortar relações totalmente. Apenas que a influência dessas pessoas deve ser minimizada nos processos de decisão. Se o caro JJHN observar o que é que os partidos nacionalistas mais bem-sucedidos da Europa têm em comum, uma das características transversais à FN, ao PVV, aos DS, ao UKIP (embora este não seja nacionalista) e, mais recentemente, à AfD, é precisamente a compreensão da importância de aparecer nos mé(r)dia, de ter slogans e chavões "que fiquem no ouvido" e, sobretudo, de saber como unificar as massas. O Donald Trump também é exímio nesta arte, a de saber cativar.

No que respeita à caça ao voto -e não tenhamos ilusões, é disso que o processo político se trata, não é de ter razão ou de "estar certo"- é perciso ser o mais eficaz possível.


«Apenas em casos extremos, como é o caso dos neonazis, é que essa gente deve ser corrida, tal como Marine Le Pen fez na Frente Nacional, dando o exemplo.»

Os neonazis são realmente o caso mais flagrante, mas há outros: separatistas, conspiracionistas, fanáticos religiosos (não necessariamente cristãos), anti-democratas, capitalistas selvagens, minho-timoristas, luso-tropicalistas, alguns monárquicos, etc.

Eu estou disposto a cooperar com quase toda a gente e a ceder nalgumas das minhas convicções... desde que os outros também estejam dispostos a ceder nos seus delírios! O que não posso aceitar é a insitencia em dogmas e em "estratégias" que, comprovadamente, falharam repetidamente no passado. É preciso ter uma visão de muito longo prazo se queremos aspirar a chegar ao poder. E é preciso, por muito que custe aos "iluminados", dizer o que o povo quer ouvir! Pelo menos, em parte.

João José Horta Nobre disse...

«Eu estou disposto a cooperar com quase toda a gente e a ceder nalgumas das minhas convicções... desde que os outros também estejam dispostos a ceder nos seus delírios! O que não posso aceitar é a insistência em dogmas e em "estratégias" que, comprovadamente, falharam repetidamente no passado.»

Os partidos nacionalistas devem de ter processos democráticos a nível interno, ou seja, as opiniões devem de ser todas ouvidas e todos devem de ter o direito a fazer propostas, por mais loucas que nos pareçam. No fim, vota-se e a proposta que tiver a maioria dos votos, vence.

Se as coisas não forem conduzidas assim, os partidos nacionalistas irão resvalar para o Caudilhismo que, por norma, acaba sempre mal e não é nada saudável para os partidos.

Afonso de Portugal disse...

Sim, quanto ao processo democrático, concordo. E, quanto a isso, parece-me que o PNR está no bom caminho, mas só terei a certeza quando for militante, o que irá acontecer em breve.

No entanto, se eu vir que as pessoas do PNR não compreendem a necessidade de atacar o plano cultural mesmo depois de eu e outros termos insistido, salto fora do barco. Para perder tempo, mais vale perdê-lo em coisas úteis.

Apesar de tudo estou optimista: as pessoas do PNR têm aprendido as lições dos outros partidos europeus, em especial as da FN.