terça-feira, 10 de maio de 2016

A valente merda que é a nossa "direita"

  
    O Sr. Hamsun tem feito vários postais excelentes no seu magnífico "O Século das Nuvens" a denunciar a falsa "direita" política que temos em Portugal. É o caso deste aqui e destoutro aqui. É com grande agrado que eu constato que há alguns nacionalistas que estão a acordar para a realidade de que a nossa "direita" (PSD e CDS) apenas se preocupa com as questões do foro económico, quando é precisamente nas questões morais e socioculturais que o Ocidente está a perder o combate pela sua sobrevivência.

Pois bem, hoje dei de caras com esta valente merda de crónica (tenho mesmo que usar esta linguagem, por ser a mais adequada) assinada pelo Paulo Rangel, o betinho da "direitinha" que andava há uns meses muito preocupado com "a ascensão do populismo na Europa e nos EUA". Escrevi "Paulo Rangel" e não "dr. Paulo Rangel", porque é assim que o fulano quer ser tratado. Não estou a brincar, o título da crónica que ele assina hoje é, literalmente, «Uma causa socialmente fracturante: abolir o tratamento por “dr.”». Parece o título de um texto escrito pelo Francisco Louçã, mas não, é mesmo uma crónica escrita por um indivíduo que diz ser de direita.

 É preciso acabar com os "doutores" e com os "engenheiros", pá!!!!

O Paulinho "argumenta" que tratar as pessoas por “senhora doutora”, “senhor engenheiro” ou “senhor arquitecto” é antidemocrático! E esclarece, «Esta norma social e até administrativa tem uma conotação claramente aristocrática e oligárquica, a fazer lem­brar uma so­ciedade or­ganizada em torno de uma novel “no­breza de toga”» e também «Esta norma social é sintoma de um mal mais profundo: Portugal é ainda uma sociedade aristocrática, com grande resistência à mobilidade social e com altos níveis de reprodução social das elites», revoltando-se em seguida: «Como pode um país que se diz democrático, que leva já mais de 40 anos de democracia, continuar a viver com esta discriminação dos seus cidadãos em razão da formação universitária?»

Não sei o que é mais ridículo, ver um fulano de "direita" a exercer as funções de engenheiro social de Esquerda, ou constatar que esse mesmo fulano de "direita" não compreende a enorme diferença entre aristocracia e meritocracia, condição sine qua non para se ser realmente de Direita.

Nos dias que correm, qualquer pessoa pode tirar um curso superior. Só não o tira quem não quer, ou não se esforça, ou não tem, manifestamente, a capacidade intelectual para o fazer, o que hoje em dia me parece praticamente impossível, dado o enorme facilitismo que impera nas nossas universidades e institutos politécnicos. Portanto, isto dos títulos académicos não é uma questão de igualdade, muito menos de democracia. É uma questão de ter vontade de o fazer, o que é totalmente diferente.

Os títulos de doutor, mestre, engenheiro, arquitecto, etc. destinam-se a reconhecer o mérito, o trabalho e o esforço de quem os conquistou. Provavelmente, a Licenciatura em Direito que o Paulinho tirou na Católica não lhe custou a tirar, não sei. Mas, se foi esse o caso, nem toda a gente tem a mesma sorte. Alguns de nós tivemos mesmo de nos esforçar para conseguirmos o canudo. 

A Democracia estabelece a igualdade de oportunidades, não de resultados. O erro clamoroso do Paulinho é o mesmo dos "pensadores" de Esquerda que acham que a sociedade só será justa quando todos tivermos os mesmos salários e modo de vida. Isto é a antítese da Direita. Porque na mundivisão da  Direita, as pessoas só têm direito àquilo que merecem e que conquistam com o seu trabalho. E tudo aquilo que se conquista através do trabalho, é inteira e merecidamente nosso. É por isso que não gostamos da intervenção do Estado, porque sabemos como o Estado pode ser injusto e extremamente tendencioso quando mete o bedelho na vida das pessoas, tirando a uns para dar a outros.

10 comentários:

Sr. Hamsun disse...

Isto, de facto, mostra bem o espírito desta direitinha triste. A grade questão fracturante é a abolição de títulos. Que lindo. Entretanto, a propósito da questão das escolas pseudo-privadas sucedem-se os textos e as intervenções. É o que eu digo: a direitinha vai ficar tão fatigada com esta enxurrada de intervenções que não lhe vai sobrar energia para quando vier a discussão das eutanásias e outras patifarias. Esta questão também serve para ver como o discurso se altera segundo as circunstâncias. Então agora já não há necessidade de cortes? os milhões que vão para as escolas pseudo-privadas quando há públicas com subocupação não são desperdício? é só rir com estes tristes. Mas já o Sá Carneiro, esse D. Sebastião da direitinha, dizia que Portugal devia caminhar para o socialismo...

Afonso de Portugal disse...

Sr. Hamsun disse...
«Isto, de facto, mostra bem o espírito desta direitinha triste. A grade questão fracturante é a abolição de títulos. »

É... entre isto e o "cartão de cidadania" do Bloco, eis as prioridades dos políticos de Portugal!


«a direitinha vai ficar tão fatigada com esta enxurrada de intervenções que não lhe vai sobrar energia para quando vier a discussão das eutanásias e outras patifarias.»

Sendo que ainda por cima nunca tiveram grande vontade de as discutir!... Essas coisas são secundárias, o que é realmente importante é continuarmos a importar mão-de-obra barata para manter Portugal competitivo! Ah, e sobretudo, é preciso não vivermos acima das nossas possibilidades! Temos de honrar os nossos compromissos com os mercados!


«Então agora já não há necessidade de cortes? os milhões que vão para as escolas pseudo-privadas quando há públicas com subocupação não são desperdício?»

Claro que não!!! Esses milhões servem para alimentar os compadres... eeer... perdão, as alternativas ao sistema de ensino marxista! Porque o ensino marxista é foleiro, não ensina a respeitar os mercados, nem a pagar as nossas dívidas! Ensina umas coisas giras sobre como abortar, como fazer sexo, como acolher imigrantes e tal... mas não chega: para se ser um bom cidadão do mundo, é preciso aprender o ABC da alta finança, pá!

João José Horta Nobre disse...

«É com grande agrado que eu constato que há alguns nacionalistas que estão a acordar para a realidade de que a nossa "direita" (PSD e CDS) apenas se preocupa com as questões do foro económico»

Mesmo no que diz respeito a questões económicas, essa gente não é nacionalista. São capitalistas selvagens, adeptos do laissez-faire, laissez-passer.

Afonso de Portugal disse...

João José Horta Nobre disse...
«Mesmo no que diz respeito a questões económicas, essa gente não é nacionalista. São capitalistas selvagens, adeptos do laissez-faire, laissez-passer.»

Precisamente! Apenas se preocupam com a maximizaçao do (seu) lucro. De resto, são tão ou mais universalistas do que a nossa esquerda. Nalgumas questões, como a preservação do património e da soberania do Estado, parece-me que ainda são mais!

A-24 disse...

Naturalmente que essa gente jamais será nacionalista. Pertence sim a essa "direitinha" vassala de Bruxelas e da Troika e que quando é chamada para a acção, encolhe-se sempre com receio do esquerdalho. É por isso que quando voto, olho para o boletim e não vejo praticamente partido algum em que me reveja. Resta apenas o insignificante PPM e o PNR caso tivesse uma liderança que soubesse falar, a exemplo do que acontece em Inglaterra e França com o Nigel farrage ou a Marine Le Pen.

Afonso de Portugal disse...

A-24 disse...
«Pertence sim a essa "direitinha" vassala de Bruxelas e da Troika e que quando é chamada para a acção, encolhe-se sempre com receio do esquerdalho.»

Será que é apenas receio, caro A-24? É que estas crónicas do Paulo Rangel e de outros como ele (recomendo vivamente os postais do Sr. Hamsun, se ainda não so leu), não sugerem receio, sugerem antes conivência! A esquerda e a direita portuguesas parecem divergir apenas nas questões do foro económico... e mesmo assim, nem sempre!


«Resta apenas o insignificante PPM e o PNR caso tivesse uma liderança que soubesse falar»

Mas, caro A-24, eu compreendo perfeitamente a sua frustração e até a partilho. O problema é que o crescimento dos partidos políticos leva tempo, sobretudo em sociedades conservadoras como a nossa (conservadoras no sentido do "clubismo" político). E não podemos aspirar a ter um Nigel Farage português ou uma Marine Le Pen enquanto o partido não tiver adquirido uma determinada dimensão e momento político, porque a qualidade dos políticos também é função do número de militantes inscritos e dos resultados obtidos a cada acto eleitoral.

Usando um exemplo futebolístico, não podemos esperar que um clube da 2ª divisão tenha os melhores jogadores. O que podemos fazer é apoiar esse clube, para que cresça e suba à primeira divisão e, com o tempo, adquira a estrutura e capital necessários para contratar cada vez mais e melhores jogadores.

De resto, é preciso compreender que o Nigel Farage é um caso verdadeiramente excepcional. É muito raro um político de tamanha qualidade contentar-se com um partido de segunda linha. Felizmente, o Sr. Farage parece acreditar genuinamente no que defende. Honra lhe seja feita!

A-24 disse...

Concordo com a generalidade do que dizes e o exemplo futebolísitico é bastante ilucidativo disso mesmo. Vamos esperar que estes partidos possam crescer e sobretudo que deixem de ser censurados pelos média.

Quanto a Farage, não considero o UKIP um partido pequeno, já a agenda do UKIP é que é pequena, prova disso foi terem vencido as eleições europeias no Reino Unido e depois nas eleições nacionais terem perdido metade dos votos, por que a sua intrevenção é basicamente na relação do Reino Unido com UE e não nos assuntos internos, mas ainda assim estes partidos têm de ser apoiados, tal como o BNP e LibertyGB de Tommy Robinson. Há dias e depois das eleições para a câmara de Londres, verifiquei que juntos, só conseguiram 5% dos votos,http://a24opinions.blogspot.com/2016/05/londres-ja-tem-um-presidente-de-camara.html
ainda assim bem melhor do que qualquer partido português de direita, e isto aconteceu porquê? Porque o Partido Conservador "Conservatives" de David Cameron conseguiu 39% dos votos, ainda assim insuficientes para bater o asiático muçulmano, mas todos nós sabemos que os Conservatives, de conservadores já só têm o nome, são a tal "direitinha" que nós temos aqui no PSD e CDS.
Veja-se o Cameron, politico que em tempos admirei a fazer campanha pelo sim à permanência na UE. Vergonhoso aquele PM a defender o tal super-estado que rouba liberdade e soberania aos países e que é fundamentalmente o grande inimigo da verdadeira direita europeia, defensora dos povos europeus, pois os esquerdalhos e a social democracia-europeia (o "centro" e "direitinha") estão perfeitamente integrados nesse sistema e farão de tudo para que ele sobreviva. E assim vamos.

Afonso de Portugal disse...

A-24 disse...
«Há dias e depois das eleições para a câmara de Londres, verifiquei que juntos, só conseguiram 5% dos votos, http://a24opinions.blogspot.com/2016/05/londres-ja-tem-um-presidente-de-camara.html»

Londres está irremediavelmente perdida! A partir do momento em que a população de origem estrangeira se tornou maioritária, a esperança de conduzir esses partidos ao poder desvaneceu-se. A demografia é a maior força de conquista que existe, mas não há forma de os europeus compreenderem esta realidade. Até mesmo entre os nacionalistas há demasiadas pessoas que não a compreendem. Para Londres, agora é tarde. Só com uma Reconquista, mas não sei se isso ainda será possível.


«(...) mas todos nós sabemos que os Conservatives, de conservadores já só têm o nome, são a tal "direitinha" que nós temos aqui no PSD e CDS.»

Sem dúvida, aliás, os "Tories" foram o partido do governo que mais imigrantes recebeu em toda a história do Reino Unido:

http://totalitarismouniversalista.blogspot.pt/2015/08/a-imigracao-para-o-reino-unido-cresceu.html
http://totalitarismouniversalista.blogspot.pt/2015/08/nigel-farage-para-acolher-tantos.html
http://totalitarismouniversalista.blogspot.pt/2014/12/no-reino-unido-iminvasao-cresce-43.html


«Vergonhoso aquele PM a defender o tal super-estado que rouba liberdade e soberania aos países e que é fundamentalmente o grande inimigo da verdadeira direita europeia, defensora dos povos europeus, pois os esquerdalhos e a social democracia-europeia (o "centro" e "direitinha") estão perfeitamente integrados nesse sistema e farão de tudo para que ele sobreviva.»

Eu nunca gostei do Cameron, mas o passei a odiá-lo depois daquele discurso em que ele disse que o Reino Unido tinha demasiadas caras brancas e cristãs e que a Grã-Bretanha precisa de aumentar o número de muçulmanos em posições de liderança daquele país:

http://totalitarismouniversalista.blogspot.pt/2014/05/no-reino-unido-primeiro-ministro-diz.html

Curiosamente, agora que o seu sonho se está a concretizar (Sadiq Khan "mayor" de Londres), ele não parece lá muito satisfeito...

FireHead disse...

Eu também sou licenciado e ninguém me trata por doutor. Não é justo, eu também conheço os meus direitos! :)

Afonso de Portugal disse...

FireHead disse...
«Eu também sou licenciado e ninguém me trata por doutor. Não é justo, eu também conheço os meus direitos! :)»

Não te tratam por doutor!? Então tratam-te como, Senhor?