domingo, 1 de maio de 2016

A traição aos Portugueses em números concretos (90)


«O portal estatístico Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, cruzou números de 1986 e 2015 e demonstra que o sector primário perdeu quase um terço dos empregados, que aumentou o trabalho a tempo parcial e diminuiu o número de trabalhadores por conta própria.

Se a população empregada em Portugal fosse de 100 pessoas, 51 seriam homens e 49 mulheres, quando há 30 anos eram 60 homens e 40 mulheres. Dos 100 trabalhadores, cinco teriam entre 15 e 24 anos, uma descida acentuada em relação ao que se passava há 30 anos, quando eram 19 trabalhadores, quase quatro vezes mais. (No passado como agora o grosso dos trabalhadores tem entre 25 e 44 anos.)

As mulheres representam quase metade da força de trabalho em Portugal, passando de 40 para 49 por cento nos últimos 30 anos, com os homens a descerem de 60 para 51 por cento, segundo os dados divulgados.

Grandes diferenças também no tipo de trabalho, com redução no número de trabalhadores no sector primário (agricultura, pesca ou extracção) e secundário (transformação) e aumento no sector terciário (serviços), devido especialmente às mulheres. Dos 100 trabalhadores em 1986 estavam 21 no sector primário, 34 no secundário e 45 no terciário. Hoje o sector primário tem apenas oito, o secundário perdeu 10 (tem 24) e o terciário passou de 45 para 68.

Nos últimos 30 anos, o número de trabalhadores a tempo parcial aumentou para o dobro (de seis para 12) e aumentou também o número de trabalhadores por conta de outrem, de 68 para 82. Em 2015, metade dos trabalhadores tem ou o ensino secundário ou superior e apenas dois em 100 são analfabetos.

Dos trabalhadores por conta de outrem, 64 tinham contrato permanente no ano passado (57 há 30 anos) e ganhavam 885 euros (em 2013) em média e a preços constantes de 2011. Em 1986, um homem recebia 594 euros e uma mulher 499. Em 2013 um homem recebia 964 euros e uma mulher 791.

Ainda de acordo com os dados compilados pela Pordata, em cada 100 trabalhadores, 15 são funcionários públicos (em 1986 eram 11).»

Comentário do blogueiro: resumindo e concluindo... menos sector primário e secundário, mais sector terciário, mais trabalho em regime de part-time, menos trabalhadores por conta própria, mais funcionários públicos e mais mulheres na força de trabalho.

Qual é o grande problema com este quadro? É tão simples quanto isto: o sector dos serviços (ensino, hotelaria, medicina, transportes, finanças, etc.) não gera riqueza suficiente para manter um país a funcionar, sobretudo quando esse país tem níveis de corrupção, endividamento e economia paralela próximos de terceiro-mundo. Um país como o nosso não pode abdicar de ter os seus sectores primário e secundário muito desenvolvidos. Porquê? Porque essa é a única forma de gerar a riqueza interna que lhe permita não depender de outros países. Já é suficientemente mau que Portugal tenha uma forte dependência energética do exterior (sobretudo de petróleo e gás natural). Se nem sequer é capaz de produzir a maioria dos bens de primeira necessidade que consome, então está mesmo condenado ao fracasso!

É por isso que a revitalização da Produção Nacional tem de ser uma das bandeiras obrigatórias do Nacionalismo conteporâneo. Sem auto-suficência, dificilmente haverá riqueza interna, emprego, estabilidade e, em ultima instância, independência.

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Ver também:


ATAPENC (89): Bruxelas diz que Portugal precisa de mais medidas de austeridade
Para aqueles que acham que a "direitinha" PSD/CDS-PP tem feito um bom serviço...
ATAPENC (55): quem são os donos da nossa dívida?
ATAPENC (28): só metade dos portugueses entre os 55 e os 64 anos estão a trabalhar
O PNR sobre os "benefícios" da União Europeia
ATAPENC (25): poucas probabilidades de sucesso para Portugal

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