quarta-feira, 9 de março de 2016

Nos EUA: personalidades católicas assinam carta aberta contra Donald Trump


«Um grupo de 40 personalidades católicas americanas publicou esta terça-feira este Martes uma carta numa revista conservadora, apelando aos católicos que não votem em Donald Trump nas primárias que se seguem do Partido Republicano. 

A carta chama-se “Um apelo aos nossos correligionários católicos e a todos os homens de boa vontade” e não poupa críticas ao candidato. “Donald Trump é manifestamente inapto para ser Presidente dos Estados Unidos. A sua campanha já conduziu a nossa política a novos níveis de vulgaridade. Os seus apelos aos medos e preconceitos étnicos e raciais são ofensivos para qualquer sensibilidade genuinamente católica. Ele prometeu que ia ordenar aos militares americanos que torturem suspeitos de terrorismo e matem as suas famílias – acções condenadas pela Igreja e que envergonhariam o nosso país.”»

Observação do blogueiro #1: mais um vez, a posição dos católicos quanto à imigração não deixa margem para dúvidas. Os apelos de Trump não são apenas errados, são ofensivos para aqueles "genuinamente" católicos!

«Mas o candidato é ainda considerado imprevisível no que diz respeito a outras questões consideradas fundamentais. “Não há nada na sua campanha ou no seu passado que nos dê razões para acreditar que ele partilha os nossos compromissos quanto ao direito à vida, à liberdade religiosa e de consciência, à reconstrução da cultura do casamento ou para com a subsidiariedade e o princípio do Governo constitucional limitado”, escrevem os signatários.»

 Os católicos não me gramam, pá! Preferem o falso beatinho Ted Rafael Cruz!


«Os autores sublinham que a escolha de Trump seria desastrosa também para o Partido Republicano, recordando porém que “nenhum partido incorpora perfeitamente a doutrina social católica”, mas que em questões fulcrais como os acima mencionados este partido dava algumas garantias de promover as causas defendidas pela Igreja. 

A carta foi publicada no "National Review" estrategicamente esta terça-feira, no dia em que os eleitores do Michigan votam nas primárias do Partido Republicano daquele estado. As sondagens dão vantagem a Trump, que assim consolidaria a sua candidatura à presidência. Mesmo entre católicos, Trump é o favorito, recolhendo a preferência de 52% dos eleitores.»

Observação do blogueiro #2: a carta falhou espectacularmente, porque Trump venceu no Michigan e em mais dois dos quatro estados que estiveram em disputa. De resto, já é a segunda vez que a Igreja Católica tenta influenciar directamente os resultados das Primárias  dos EUA. Já antes, o próprio papa Bergoglio tinha atacado Trump em vésperas de eleições.

«A carta aberta é assinada em primeiro lugar por dois destacados católicos, tidos como conservadores e tradicionalmente próximos do Partido Republicano, George Weigel, que foi biógrafo do Papa João Paulo II e colabora com o jornal "online" "First Things", e Robert P. George, da Universidade de Princeton. 

Entre os outros signatários incluem-se Francis Beckwith, Robert Royal, respectivamente colaborador e editor do "The Catholic Thing" e ainda Mary Eberstadt, colaboradora do First Things e autora do livro "Adão e Eva depois da Pílula". 

A 18 de Fevereiro, o Papa Francisco afirmou que Donald Trump "não é cristão". Trump assume-se como cristão, mas o Papa duvida: “Uma pessoa que só pensa em fazer muros, seja onde for, em vez de fazer pontes, não é cristão. Isso não é do Evangelho.»


Comentário do blogueiro: eu bem me tenho esforçado por não contrariar os nacionalistas católicos, mas há alturas que me é extremamente difícil não concordar com algumas das observações do Caturo e do João Nobre. De facto, se Donald Trump não conseguir ganhar esta nomeação, a culpa será muito provavelmente  não apenas dos católicos, mas de uma grande parte dos cristãos. 

"Como assim?", perguntarão os meus leitores. É simples, em quase todos os estados em que Trump perdeu, perdeu para Ted Cruz. E quem vota em Ted Cruz? Os hispânicos, por um lado, maioritariamente católicos. Mas sobretudo os cretinos dos evangélicos, que votam em qualquer imbecil que valide o dogma do criacionismo. Como se Cruz não fizesse parte do aparelho político republicano que, ao longo dos anos, se demitiu constantemente de lutar pela defesa dos valores do cristianismo!

Enfim, o que vale é que, para já, a propaganda anti-Trump não tem surtido grande efeito, conforme se pode verificar ao olhar para a contagem de delegados incluindo as votações de ontem:



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